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Ano: 2019 Banca: UFSC Órgão: UFSC Prova: UFSC - 2019 - UFSC - Letras/Língua Portuguesa |
Q4403187 Literatura

Texto 8



VISÃO DA MORTE



Olhos voltados para mim e abertos

Os braços brancos, os nervosos braços,

Vens d'espaços estranhos, dos espaços

Infinitos, intérminos, desertos...



Do teu perfil os tímidos, incertos

Traços indefinidos, vagos traços

Deixam, da luz nos ouros e nos aços,

Outra luz de que os céus ficam cobertos.



Deixam nos céus uma outra luz mortuária,

Uma outra luz de lívidos martírios,

De agonias, de mágoa funerária...



E causas febre e horror, frio, delírios,

Ó Noiva do Sepulcro, solitária,

Branca e sinistra no clarão dos círios!



SOUSA, João da Cruz e. Broquéis. In: Cruz e Sousa Simbolista. Jaraguá do Sul: Avenida, 2008, p.73.

Analise as afirmativas abaixo, a respeito do Texto 8, de seu autor, contexto de produção e gênero literário, e assinale a alternativa que contém apenas as corretas.



I. Cruz e Sousa, o Cisne Negro, foi um poeta simbolista reconhecido em Desterro, cidade em que publicou seus livros de versos, e um dos pioneiros no poema em prosa, gênero no qual escreveu Missal.


II. O eu lírico se dirige à Morte, tratada em segunda pessoa, personificada como “Noiva do Sepulcro” e qualificada como “branca e sinistra”, uma alusão cromática típica da obra do poeta.


III. A aliteração do fonema /s/ contribui para criar o clima sombrio e esfumaçado no qual o eu lírico tem a sua visão da morte, que lhe causa febre e horror, frio e delírios.


IV. Cruz e Sousa constrói um soneto à moda camoniana, em versos decassílabos, com rimas intercaladas nos quartetos e cruzadas nos tercetos.


V. Na cena descrita no soneto, resultante de uma alucinação do eu lírico moribundo, os olhos e os braços da morte cobrem o céu de uma luz mortuária, de martírios e de mágoas. 

Alternativas