A expressão “Parassocial captura o espírito de 2025”, dita ...

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“Parassocial” é eleita Palavra do Ano de 2025 pelo Dicionário de Cambridge; entenda o que significa

Termo escolhido aponta o avanço de vínculos unilaterais entre fãs, influenciadores e chatbots

        O Dicionário de Cambridge escolheu “parassocial” como a Palavra do Ano de 2025, termo usado para descrever relações unilaterais em que uma pessoa sente intimidade com alguém que não a conhece, como celebridades, influenciadores e até chatbots de inteligência artificial (IA)

        Segundo o dicionário britânico, o interesse pela palavra disparou no último ano, acompanhando a discussão sobre a influência de criadores de conteúdos digitais e casos recentes de comportamentos obsessivos entre seguidores. Para linguistas, o tema ganhou força justamente porque espelha uma era em que a intimidade aparente com figuras públicas se tornou parte do cotidiano.

        O fenômeno cresce à medida que a cultura do fandom ganha novas camadas e vem sendo utilizada até como estratégia de marketing, segundo o estudo “Marketing de influenciadores e relações parassociais”, realizado pelo departamento de Humanidades e Ciências Sociais da University of California, EUA. 

        Nos podcasts, essa aproximação também cresce. De acordo com o dicionário, a espontaneidade, a fala imperfeita e o tom íntimo dos apresentadores têm funcionado como substitutos de amizades reais, criando a sensação de convivência contínua.

         No entanto, foi a IA que levou o debate a outro patamar. Com o avanço dos chatbots, alguns usuários passaram a tratar ferramentas como o ChatGPT como confidentes, amigos e até possíveis parceiros românticos. O Cambridge alerta que essas conexões podem ser emocionalmente significativas, e, em certos casos, problemáticas, abrindo discussões sobre dependência emocional, privacidade e limites éticos.

        Para Colin McIntosh, do Dicionário de Cambridge, a escolha sintetiza o momento atual. “Parassocial captura o espírito de 2025”, afirmou. Ele explicou que um termo antes restrito ao meio acadêmico entrou no vocabulário cotidiano. “Milhões de pessoas estão envolvidas em relações parassociais, e muitas outras observam seu crescimento”, disse. 

        A psicóloga Simone Schnall, da Universidade de Cambridge, avaliou que essas relações estão redefinindo o significado de celebridade e o modo como pessoas comuns interagem online. Segundo ela, a queda de confiança na mídia tradicional incentivou o público a buscar “autoridades individuais”, como influenciadores e youtubers, considerados mais acessíveis e autênticos.

Fonte: https://www.estadao.com.br/link/culturadigital/parassocial-e-eleita-palavra-do-ano-de-2025- pelo-dicionario-de-cambridge-entenda-o-que-significanprei/. Acesso em 30/11/2025. Excerto.
A expressão “Parassocial captura o espírito de 2025”, dita por Colin McIntosh e apresentada no texto (6º parágrafo), emprega uma figura de linguagem que consiste em:  
Alternativas

Gabarito comentado

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Gabarito: B

Fundamento decisivo: Em “Parassocial captura o espírito de 2025”, há personificação/prosopopeia, porque se atribui a “Parassocial”, um termo abstrato, a ação de “capturar”, típica de agente animado ou concretamente atuante; essa relação semântica conduz ao gabarito B.

Tema central: figura de linguagem
Análise das alternativas
A
Errada
A alternativa define aliteração. O problema é que o efeito decisivo do trecho não está na repetição expressiva de sons consonantais, mas na relação semântica entre o sujeito “Parassocial” e o verbo “captura”. A frase não se organiza por recurso fônico como critério principal.
B
Certa
A alternativa B descreve exatamente o mecanismo semântico presente na frase: “Parassocial” não é um ser animado, mas uma palavra, como o próprio texto confirma ao tratar o termo como “Palavra do Ano de 2025”. Mesmo assim, aparece como sujeito de “captura”, verbo que sugere ação concreta de apreender. O efeito expressivo resulta dessa atribuição de ação a uma abstração, caracterizando personificação/prosopopeia.
C
Errada
A alternativa define elipse, mas não há omissão de termo essencial recuperável pelo contexto. A oração está completa: há sujeito expresso, “Parassocial”, e predicado completo, “captura o espírito de 2025”. Portanto, o efeito cobrado não decorre de supressão de palavra.
D
Errada
A alternativa descreve ironia, isto é, uso em sentido oposto ao pretendido. Isso não ocorre aqui. A frase não diz o contrário do que quer afirmar nem cria contraste irônico; ela intensifica figurativamente a ideia de representatividade do termo por meio de personificação.
Pegadinha da questão
A banca explora a confusão entre uso não literal e ironia, além de desviar o candidato para recursos que não são o núcleo da frase, como sonoridade ou suposta omissão. O ponto real está na personificação do termo abstrato.
Dica para questões semelhantes
  • Verifique primeiro a natureza do sujeito: se for abstração, objeto ou termo inanimado praticando ação típica de ser animado, há forte indício de personificação.
  • Separe recurso semântico de recurso sonoro: se o efeito nasce do sentido entre sujeito e verbo, não de repetição de sons, não é aliteração.
  • Não trate todo uso não literal como ironia; ironia exige oposição entre o que se diz e o que se pretende afirmar.
  • Antes de marcar elipse, confirme se realmente falta um termo indispensável; frase curta e expressiva não significa termo omitido.

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