Considerando-se o contexto, a substituição dos segmentos gri...

Próximas questões
Com base no mesmo assunto
Q53138 Português
É melhor ser alegre que ser triste, já dizia Vinicius de
Moraes. Sem dúvida. O poeta ia mais longe, entoando em rima
e em prosa que tristeza não tem fim. Já a felicidade, sim. Até
hoje, muita gente chora ao ouvir esses versos porque eles
tocam num ponto nevrálgico da vida humana: os sentimentos. E
quando tais sentimentos provocam algum tipo de dor, fica difícil
esquecer - e ainda mais suportar. A tristeza, uma das piores
sensações da nossa existência, funciona mais ou menos assim:
parece bonita apenas nas músicas. Na vida real, ninguém gosta
dela, ninguém a quer.
Tristeza é um sentimento que responde a estímulos
internos, como recordações, memórias, vivências; ou externos,
como a perda de um emprego ou de um amor. Não se trata de
uma emoção, que é uma resposta imediata a um estímulo. No
caso da tristeza, nosso organismo elabora e amadurece a
emoção, antes de manifestá-la. É uma resposta natural a
situações de perda ou de frustrações, em que são liberados
hormônios cerebrais responsáveis por angústia, melancolia ou
coração apertado.
"A tristeza é uma resposta que faz parte de nossa forma
de ser e de estar no mundo. Passamos o dia flutuando entre
pólos de alegria e infelicidade", afirma o médico psiquiatra
Ricardo Moreno. Se passamos o dia entre esses pólos de
flutuação, é bom não levar tão a sério os comerciais de
margarina em que a família é linda, perfeita, alegre e até os
cachorros parecem sorrir o tempo inteiro. Vivemos uma época
em que a felicidade constante é praticamente um dever de
todos. É fato: ser feliz o tempo todo está virando uma obrigação
a ponto de causar angústia.
Especialistas, no entanto, afirmam que estar infeliz é
mais do que natural, é necessário à condição humana. A
tristeza é um dos raros momentos que nos permite reflexão,
uma volta para nós mesmos, uma possibilidade de nos conhecermos
melhor. De saber o que queremos, do que gostamos. E
somente com essa clareza de dados é que podemos buscar
atividades que nos dão prazer, isto é, que nos fazem felizes.
Assim como a dor e o medo, a tristeza nos ajuda a sobreviver.
Sim, porque se não sentíssemos medo, poderíamos nos atirar
de um penhasco. E se não tivéssemos dor, como o organismo
poderia nos avisar de que algo não vai bem?

(Adaptado de Mariana Sgarioni, Emoção & Inteligência, Superinteressante,
p. 18-20)

Considerando-se o contexto, a substituição dos segmentos grifados pelo pronome correspondente está INCORRETA somente em:
Alternativas

Gabarito comentado

Confira o gabarito comentado por um dos nossos professores

Gabarito: D

Fundamento decisivo: No trecho "podemos buscar atividades que nos dão prazer", o termo "atividades" exerce função de objeto direto de "buscar", sem preposição. Pela norma-padrão, objeto direto deve ser retomado por pronome oblíquo átono como "o, a, os, as"; portanto, a forma correta seria "buscá-las". Como a alternativa apresenta "buscar-lhes", usa "lhes" no lugar de pronome de objeto direto, tornando-a a única incorreta.

Tema central: pronominalização de objeto direto
Análise das alternativas
A
Errada
Está correta. Em "nosso organismo elabora e amadurece a emoção", "a emoção" é objeto direto feminino singular; a retomada por "a" preserva essa função sintática.
B
Errada
Está correta. Em "não levar tão a sério os comerciais de margarina", "os comerciais" é objeto direto masculino plural de "levar"; por isso, "levá-los" mantém a correspondência pronominal adequada.
C
Errada
Está correta. Em "a ponto de causar angústia", "angústia" é objeto direto de "causar"; a forma "causá-la" retoma corretamente o complemento.
D
Certa
A alternativa D é a única inadequada. Em "podemos buscar atividades que nos dão prazer", "atividades" é complemento direto de "buscar". Logo, sua retomada deve ocorrer por pronome oblíquo átono de objeto direto, isto é, "as", com a forma "buscá-las". Como a alternativa traz "buscar-lhes", há emprego indevido de "lhes" para retomar objeto direto.
E
Errada
Está correta. Em "se não tivéssemos dor", "dor" é objeto direto feminino singular; a forma "se não a tivéssemos" retoma corretamente o termo e respeita a próclise.
Pegadinha da questão
A questão explora a confusão entre objeto direto e objeto indireto: o erro está em aceitar "lhes" para retomar um complemento que, no trecho, é objeto direto.
Dica para questões semelhantes
  • Antes de escolher o pronome, identifique se o termo destacado é objeto direto ou indireto.
  • Na norma-padrão, "o, a, os, as" retomam objeto direto; "lhe, lhes" retomam objeto indireto.
  • Ao unir pronome a infinitivo terminado em -r, observe o ajuste formal: "levar" → "levá-los", "causar" → "causá-la", "buscar" → "buscá-las".
  • Em contexto de negação, verifique a colocação pronominal: em "não a tivéssemos", a negação atrai o pronome.

Clique para visualizar este gabarito

Visualize o gabarito desta questão clicando no botão abaixo

Comentários

Veja os comentários dos nossos alunos

eu acho que considerando o contexto como propoe a questão, as outras alternativas, como (b), (C), estaria erradas tb, pois não teria o referente correto.
ALTERNATIVA (D)

BUSCAR = VTD. Portanto,
"podemos buscá-LAS."
lhe e lhes função sintática exclusiva de objeto indireto.
podemos buscar atividades.  o correto seria: podemos buscá-las.
                VTD
A letra D está incorreta, porém, fico em dúvida se a letra B também seja errada, pois não podemos usar ênclise antes de palavras atrativas como: negativas, advérbio, pronomes relativos..
Letra A = correta.Letra B = correta. Com infinitivo pessoal precedido de palavra atrativa é indiferente a próclise ou a ênclise.Letra C = correta.Letra D - INCORRETA: buscar - verbo transitivo direto = buscá-las.Letra E = correta.

Clique para visualizar este comentário

Visualize os comentários desta questão clicando no botão abaixo