Considerando-se o contexto, a substituição dos segmentos gri...
Moraes. Sem dúvida. O poeta ia mais longe, entoando em rima
e em prosa que tristeza não tem fim. Já a felicidade, sim. Até
hoje, muita gente chora ao ouvir esses versos porque eles
tocam num ponto nevrálgico da vida humana: os sentimentos. E
quando tais sentimentos provocam algum tipo de dor, fica difícil
esquecer - e ainda mais suportar. A tristeza, uma das piores
sensações da nossa existência, funciona mais ou menos assim:
parece bonita apenas nas músicas. Na vida real, ninguém gosta
dela, ninguém a quer.
Tristeza é um sentimento que responde a estímulos
internos, como recordações, memórias, vivências; ou externos,
como a perda de um emprego ou de um amor. Não se trata de
uma emoção, que é uma resposta imediata a um estímulo. No
caso da tristeza, nosso organismo elabora e amadurece a
emoção, antes de manifestá-la. É uma resposta natural a
situações de perda ou de frustrações, em que são liberados
hormônios cerebrais responsáveis por angústia, melancolia ou
coração apertado.
"A tristeza é uma resposta que faz parte de nossa forma
de ser e de estar no mundo. Passamos o dia flutuando entre
pólos de alegria e infelicidade", afirma o médico psiquiatra
Ricardo Moreno. Se passamos o dia entre esses pólos de
flutuação, é bom não levar tão a sério os comerciais de
margarina em que a família é linda, perfeita, alegre e até os
cachorros parecem sorrir o tempo inteiro. Vivemos uma época
em que a felicidade constante é praticamente um dever de
todos. É fato: ser feliz o tempo todo está virando uma obrigação
a ponto de causar angústia.
Especialistas, no entanto, afirmam que estar infeliz é
mais do que natural, é necessário à condição humana. A
tristeza é um dos raros momentos que nos permite reflexão,
uma volta para nós mesmos, uma possibilidade de nos conhecermos
melhor. De saber o que queremos, do que gostamos. E
somente com essa clareza de dados é que podemos buscar
atividades que nos dão prazer, isto é, que nos fazem felizes.
Assim como a dor e o medo, a tristeza nos ajuda a sobreviver.
Sim, porque se não sentíssemos medo, poderíamos nos atirar
de um penhasco. E se não tivéssemos dor, como o organismo
poderia nos avisar de que algo não vai bem?
(Adaptado de Mariana Sgarioni, Emoção & Inteligência, Superinteressante,
p. 18-20)
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Gabarito comentado
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Gabarito: D
Fundamento decisivo: No trecho "podemos buscar atividades que nos dão prazer", o termo "atividades" exerce função de objeto direto de "buscar", sem preposição. Pela norma-padrão, objeto direto deve ser retomado por pronome oblíquo átono como "o, a, os, as"; portanto, a forma correta seria "buscá-las". Como a alternativa apresenta "buscar-lhes", usa "lhes" no lugar de pronome de objeto direto, tornando-a a única incorreta.
- Antes de escolher o pronome, identifique se o termo destacado é objeto direto ou indireto.
- Na norma-padrão, "o, a, os, as" retomam objeto direto; "lhe, lhes" retomam objeto indireto.
- Ao unir pronome a infinitivo terminado em -r, observe o ajuste formal: "levar" → "levá-los", "causar" → "causá-la", "buscar" → "buscá-las".
- Em contexto de negação, verifique a colocação pronominal: em "não a tivéssemos", a negação atrai o pronome.
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Comentários
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BUSCAR = VTD. Portanto,
"podemos buscá-LAS."
podemos buscar atividades. o correto seria: podemos buscá-las.
VTD
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