Acerca das características textuais e semânticas, o texto co...

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Ano: 2014 Banca: IDECAN Órgão: HC-UFPE Prova: IDECAN - 2014 - HC-UFPE - Advogado |
Q552949 Português
Liberdade de imprensa e liberdade de opinião
Há muita dificuldade conceitual, especialmente no Judiciário, para entender o papel dos grupos de mídia e de conceitos como liberdade de imprensa, liberdade de opinião e direito à informação.
Tratam como se fossem conceitos similares.
Direito à informação e liberdade de expressão são direitos dos cidadãos, cláusulas pétreas da Constituição.
Liberdade de imprensa é um direito acessório das empresas jornalísticas. Por acessório significa que só se justifica se utilizado para o cumprimento correto da importantíssima missão constitucional que lhe foi conferida.
No Brasil, no entanto, o conceito de liberdade de imprensa tornou-se extraordinariamente elástico, fugindo completamente dos princípios que o originaram. E há enorme resistência do Judiciário em discutir o tema. É tabu.
Os grupos de mídia trabalham com jornalismo, entretenimento e marketing. E têm interesses comerciais próprios de uma empresa privada.
Jogaram todas as atividades de mídia debaixo da proteção da liberdade de imprensa, mesmo as não jornalísticas, tornando-as imunes a qualquer forma de controle seja de costumes seja da mera classificação indicativa.
Anos atrás, uma procuradora da República intimou a Rede Globo devido a conceitos incorretos sobre educação inclusiva propagados em uma novela. Foi alvo de artigos desmoralizadores do colunista Arthur Xexéo – “acusando-a” de pretender interferir no roteiro, ferindo a liberdade de expressão.
A ação proposta contra o apresentador Gugu, por ocasião da falsa reportagem sobre o PCC, rendeu reportagem desmoralizadora da revista Veja contra os proponentes da ação, em nome da liberdade de expressão.
A mera tentativa do Ministério da Justiça de definir uma classificação etária indicativa para programas de televisão foi torpedeada pela rede Globo, sob a acusação de interferência na liberdade de expressão.
Em todos os casos, a Justiça derrubou as ações em nome da liberdade de imprensa.
Quando o conceito de liberdade de imprensa foi desenvolvido – no bojo da criação do modelo de democracia norte-americano – o pilar central era o da mídia descentralizada, exprimindo a posição de grupos diversificados, permitindo que dessa atoarda nascessem consensos e representações.
As rádios comunitárias eram a expressão mais autêntica desse papel democratizante da mídia, assim como as mídias regionais.
Hoje as rádios comunitárias são criminalizadas. E as concessões públicas tornaram-se moeda de troca com grupos políticos, com coronéis eletrônicos, que a tratam como propriedade privada. É inacreditável a naturalidade com que se aceita o aluguel de horários para grupos religiosos, ou a venda das concessões para outros grupos, como se fossem propriedade privada e não um ativo público.
Tudo isso decorre da enorme concentração do setor, responsável por inúmeras distorções. Houve perda de representatividade da mídia regional, esmagamento das diferenças culturais, ideológicas.
Daí o movimento, em muitos países, por um marco regulatório que de maneira alguma interfira na liberdade de expressão. Mas que permita a desconcentração de mercado, promovendo o florescimento de novos grupos de mídia que tragam a diversificação e a pluralidade para o setor.
Enfim, instituir a verdadeira economia de mercado no setor.
(Luis Nassif. Disponível em: http://jornalggn.com.br/noticia/liberdade-de-imprensa-e-liberdade-de-opiniao.)
Acerca das características textuais e semânticas, o texto configura-se como sendo
Alternativas

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Gabarito: E) Argumentativo

Tema da questão: Tipologia textual – identificação do tipo textual predominante (interpretação de textos).

O tema aqui é interpretação de texto, mais especificamente a identificação do tipo textual pelo reconhecimento de sua intenção comunicativa, estrutura e elementos linguísticos, conforme orienta a norma-padrão. O domínio sobre tipos textuais é essencial em concursos para cargos jurídicos, pois demonstra capacidade de análise precisa do discurso e compreensão das intenções do autor.

Justificativa da alternativa correta:
O texto apresentado é nitidamente argumentativo. Há uma tese central: a distinção entre liberdade de imprensa, de expressão e direito à informação, e a abordagem crítica quanto ao uso dessa liberdade pelo setor da mídia no Brasil. O autor busca convencer o leitor de sua posição, apoiando-se em exemplos, críticas e propostas de solução, como o marco regulatório, característica essencial da argumentação segundo Ingedore Koch e as gramáticas referenciais.

O texto apresenta, portanto, tese (ideia/opinião), argumentos (exemplos, dados, comparações, críticas), e conclusão implícita (necessidade de maior pluralidade e regulamentação, sem ferir direitos fundamentais).

Análise das alternativas incorretas:
A) Narrativo: Não há uma sequência de ações ou enredo com personagens, tempo e espaço marcados — apenas referência a fatos exemplificativos.
B) Instrutivo: Não há objetivo de ensinar um procedimento, ordem ou orientação direta ao leitor.
C) Descritivo: Apesar de curto uso de descrições, não predomina detalhamento de pessoas, lugares ou objetos.
D) Explicativo: Embora explique conceitos, a principal intenção não é só informar, mas convencer; logo, excede o discurso expositivo.

Ponto de atenção para concursos: Fique atento ao foco do texto: persuadir e defender opinião indicam argumentação; narrar é contar história; descrever é apresentar características; explicar informa sem persuadir; instruir ensina a fazer.
Manual de Redação da Presidência da República e gramáticos como Bechara e Cunha & Cintra ratificam essa classificação dos tipos textuais.

Resumo: Identifique a intenção comunicativa do autor. Sempre busque pelo foco argumentativo quando o autor expõe e defende opiniões, não apenas relata, descreve ou instrui.
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Comentários

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Dissertativo - argumentativo -> O autor visa o convecimento do leitor sobre algum assunto explanado.

Excelente texto

Dissertativo - argumentativo -> O autor visa o convecimento do leitor sobre algum assunto explanado.

Texto Dissertativo busca defender uma ideia e, logo, é baseado na argumentação e no desenvolvimento de um tema. Para tanto, sua estrutura é dividida em três partes fundamentais:

- tese (introdução): define o modelo básico para apresentar uma ideia, tema, assunto.

- antítese (desenvolvimento): explora argumentos contra e a favor.

- nova tese (conclusão): sugere uma nova tese, ou seja, uma nova ideia para concluir sua fundamentação.

Os textos dissertativos-argumentativos, além de ser um texto opinativo, buscam persuadir o leitor.

Por que não pode afirmar ser EXPLICATIVO?

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