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Q3412054 História
“Não se pode negar que a maior vítima da escravidão foi o próprio escravo, mas é inaceitável que ele continue sendo visto apenas como vítima, seja em textos escolares, seja em filmes ou programas de televisão, todos insistindo em negar-lhe um papel ativo na construção de sua própria história. Demonstraremos, então, como os escravos, os senhores brancos, os alforriados e os demais homens livres construíram uma sociedade escravista, com toda a sua complexidade.”
LIBBY, Douglas Cole; PAIVA Eduardo França. A escravidão no Brasil. Relações sociais, acordos e conflitos. Editora Moderna, 2ª edição, São Paulo, 2005. p. 9.

        O fragmento de texto retrata a complexidade que o sistema escravista colonial assumiu na América portuguesa, estendendose desde o século XVI até as últimas décadas do XIX.

Destaca-se como uma das características desse modelo de escravismo o fato de:
Alternativas

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Alternativa correta: A

1. Tema central da questão:

A questão aborda a complexidade do sistema escravista na América portuguesa (Brasil colonial), destacando não apenas a condição de vítima do escravizado, mas também seu papel ativo e a natureza multifacetada das relações sociais no contexto da escravidão.

2. Resumo teórico:

No Brasil, a escravidão foi uma instituição social e econômica fundamental, vigente do século XVI ao XIX. O escravo era considerado propriedade de seu senhor e podia ser vendido, alugado, penhorado e até leiloado. A legislação colonial e imperial (como o Código Criminal de 1830 e as Ordenações Filipinas) reforçava o estatuto de “coisa” do escravizado, privando-o de direitos civis básicos (Gilberto Freyre, “Casa-Grande & Senzala”).

3. Justificativa da alternativa correta (A):

A alternativa A descreve com precisão a posição jurídica e social do escravo: ele era uma mercadoria e podia ser negociado de diversas formas, sendo raro existirem escravos sem proprietário. Essa visão está de acordo com a literatura historiográfica e a legislação da época.

4. Análise das alternativas incorretas:

B) Errada, pois reduz a relação senhor-escravo à mera sobrevivência, ignorando a complexidade das relações sociais, negociações e resistências.

C) Errada, já que o Estado só raramente intermediava relações cotidianas entre senhor e escravo. A maior parte das negociações era direta ou através de instituições locais.

D) Errada, pois a violência era inerente ao sistema escravista. A frase sugere que a violência era uma prática evitável, o que contradiz a realidade histórica documentada.

5. Estratégia de interpretação:

Busque sempre palavras-chave como “mercadoria”, “propriedade”, “compulsório” e observe quando as alternativas simplificam ou distorcem a complexidade histórica. Desconfie de opções que minimizam a violência ou a participação ativa dos escravizados.

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