Para o autor, a afetividade 

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Q3455323 Português

Leia o texto a seguir para responder à questão:



        Quando me proponho a analisar a complexidade da identidade da educação brasileira, desde a sua formação histórica, passando por seus determinantes políticos e filosóficos, até chegar aos processos curriculares e à organização didática e administrativa da escola, acabo percebendo que deixamos de lado dimensões antropológicas essencialmente humanas, e que hoje são desafios e urgências, analíticas e propositivas. Uma das mais urgentes dimensões a se considerar é a questão da afetividade, a qualidade social e subjetiva das relações pessoais. Não assumimos como importantes ou até mesmo como consideráveis as questões que envolvem a educação afetiva e emocional.



        Afetividade significa educar para a sensibilidade, educar para ter imperativos éticos referentes a outras pessoas, à natureza, à diversidade da vida e do mundo, aos valores, às artes, aos conhecimentos e, sobretudo, à polifonia das personalidades, das diferentes pessoas, culturas, identidades, grupos e movimentos que nos cercam. A vida, em si, é uma grande epifania de vivências, de desabrochamentos de experiências, de vitalidades, emoções, alegrias, perdas e achados!



        Educação afetiva é a criação de uma atmosfera vivencial de sensibilidades, de gestos elevados, esteticamente belos e bons, como aqueles que cultivamos como essenciais. Praticar a palavra acolhedora, a celebrar os encontros, a pedir desculpas pelos erros, pelas contradições, pelos desvios padrões que acontecem entre nossos desejos, nossas necessidades e nossos atos reais é sempre cultivar a paz, a generosidade, a esperança, o bom trato, a convivência pluralista, diversa e amorosa.



        Educação afetiva é erigir alguns valores como “sagrados” para a convivência familiar, escolar e social, tais como a disposição para o trabalho em grupo, a decisão consultiva, as escolhas voltadas ao bem de todos, a paz e a democracia, o respeito à dignidade de toda pessoa, a condenação de toda forma de violência, simbólica ou real, a condenação firme de toda crueldade, de toda covardia, de toda destruição predatória do ecossistema, dos animais, das flores, do meio ambiente, da natureza. Ter sobretudo o sagrado amor à vida, proteger os que precisam de mais afeto, de mais proteção, combater todo sofrimento humano, notadamente aquele socialmente produzido, para que possa ser socialmente transformado.



        Educação afetiva é mudar o olhar para com as crianças, os adolescentes, os jovens. É ser exemplo, é convencer pela palavra e testemunhar com as atitudes. Como cantava o poeta Almir Sater, com seu amigo Renato Teixeira: “É preciso amor pra poder pulsar, é preciso paz pra poder sorrir, é preciso a chuva para florir!”. Observem bem, a chuva está caindo, a natureza está fazendo a sua parte! Faltam as outras duas disposições para a vida ser melhor!


(César Nunes. “A educação afetiva e a ética da convivência amorosa”. In: Da educação que ama ao amor que educa. Adaptado)

Para o autor, a afetividade 
Alternativas

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Tema central: Interpretação de Texto. Nesta questão, o candidato é avaliado quanto à capacidade de compreender ideias essenciais, identificar a tese do autor e reconhecer elementos implícitos no texto dado, de acordo com a norma-padrão.

Justificativa da alternativa correta – C:

A alternativa C afirma que a afetividade é uma dimensão essencial e complexa para a educação, negligenciada, mas que precisa ser incorporada às práticas escolares cotidianas. Isso está plenamente de acordo com o texto, onde o autor relata ter percebido que se “deixou de lado dimensões antropológicas essencialmente humanas” e aponta a afetividade como uma das “mais urgentes dimensões a se considerar”. Afirma ainda que “não assumimos como importantes as questões que envolvem a educação afetiva”, indicando a negligência. Finalmente, propõe integrar essa dimensão no dia a dia escolar.

Análise das alternativas incorretas:

A) Errada. Limita a afetividade apenas ao contexto familiar, o que o texto contradiz claramente ao defender sua inclusão nas escolas.

B) Errada. Sugere que a afetividade deva ser um componente curricular específico, mas o texto vê a afetividade como uma vivência que atravessa todas as relações escolares e não só como disciplina formal.

D) Errada. Diz que a afetividade está restrita a relações interpessoais, sem impacto nos processos didáticos, contrariando os quatro primeiros parágrafos do texto, que defendem sua influência em todos os aspectos escolares.

E) Errada. Vê a afetividade como obstáculo à racionalidade; uma interpretação totalmente inversa à argumentação do autor, que vê a afetividade como complementar à racionalidade e indispensável à formação plena.

Estratégia para resolver questões assim:
Atente-se às palavras-chave do texto (“negligenciamos”, “urgentes”, “é preciso incorporar”), aos verbos intencionais e ao tom do autor. Rejeite alternativas que deturpam, limitam ou negam ideias claramente defendidas pelo autor. Evite armadilhas que transferem um aspecto para outro contexto (ex. família vs. escola), ou que criam restrições não presentes no texto.

Base teórica: Celso Cunha & Lindley Cintra observam que a interpretação eficaz requer análise global e atenção a elementos explícitos e implícitos. Evanildo Bechara destaca a importância da coerência textual para compreender ideias centrais e secundárias.

Resumo final:
A alternativa C é correta porque traduz fielmente, de modo coerente e coeso, o pensamento do autor sobre a importância e urgência da educação afetiva ser incorporada às práticas escolares, sem reducionismos.

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Letra C.

"...até chegar aos processos curriculares e à organização didática e administrativa da escola, acabo percebendo que deixamos de lado dimensões antropológicas essencialmente humanas, e que hoje são desafios e urgências, analíticas e propositivas. Uma das mais urgentes dimensões a se considerar é a questão da afetividade, a qualidade social e subjetiva das relações pessoais. Não assumimos como importantes ou até mesmo como consideráveis as questões que envolvem a educação afetiva e emocional."

C. O autor descreve a afetividade como uma dimensão essencial e antropológica que foi historicamente negligenciada ("deixamos de lado") na educação brasileira. O texto defende que essa urgência não deve ficar restrita às relações pessoais, mas precisa ser integrada às práticas escolares, à organização didática e à formação ética dos estudantes.

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