Considerando-se sua constituição interna e sua função, a e...
Quem é fã de uma tacinha de vinho (no almoço ou jantar) deve o hábito à extinção dos dinossauros. Pelo menos é o que sugere uma descoberta descrita esta semana em um artigo da revista científica Nature Plants. Pesquisadores do Museu Field de História Natural, dos Estados Unidos, encontraram os primeiros registros fósseis de uvas do Hemisfério Ocidental, que datam de 19 a 60 milhões de anos atrás – período que coincide com o fim da era dos grandes répteis. Os achados sugerem que o evento de extinção dos dinos criou as condições ideais para o surgimento desses frutos, que servem de base para a produção do vinho.
É raro que tecidos moles como frutas sejam preservados como fósseis. Então, a compreensão dos cientistas sobre esses alimentos antigos geralmente vem de suas sementes, que são mais propensas a fossilizar. Os primeiros registros de uvas foram encontrados no território onde hoje está a Índia, e têm aproximadamente 66 milhões de anos. Sim, a mesma época em que o asteroide de Chicxulub despencou na Terra.
Por sua vez, os exemplares identificados no novo estudo vêm de regiões da Colômbia, do Panamá e do Peru. Embora sejam um pouco mais novos que os fósseis indianos, também representam mais ou menos o mesmo período histórico pelo qual passava o planeta.
Estima-se que foi por volta desta época que um enorme asteroide atingiu a Terra, desencadeando uma extinção em massa. “Embora sempre pensemos nos animais – sobretudo, nos dinossauros, porque eles foram as maiores espécies a serem afetadas –, o evento da extinção teve um grande impacto também na flora do planeta”, lembra Fabiany Herrera, que liderou o estudo, em comunicado à imprensa.
A equipe de pesquisadores levanta a hipótese de que o desaparecimento dos grandes répteis pode ter ajudado a alterar a composição das florestas. Isso porque animais de grande porte, como os dinossauros, acabam por derrubar árvores quando transitam pelas vegetações. Isso costuma impedir os espaços verdes de serem mais densos. A diversificação das espécies de aves e mamíferos, nos anos seguintes à extinção em massa, também pode estar associada à mudança da flora do planeta. Esses animais são conhecidos por comerem frutas e espalharem as suas sementes pelo terreno, contribuindo com o crescimento da espécie vegetal.
Inspirado por um estudo de 2013, que analisou o fóssil de semente de uva mais antigo conhecido, Herrera tomou como objetivo descobrir registros fósseis do alimento também no continente americano. Mas foi só em 2022, quando investigava os Andes colombianos, que a descoberta enfim veio. O fóssil estava em uma rocha de 60 milhões de anos. De volta ao laboratório, eles fizeram tomografias computadorizadas no fóssil, que confirmaram sua identidade a partir da estrutura interna da semente. A equipe nomeou a espécie fossilizada como Lithouva susmanii, em homenagem a Arthur Susman, um defensor da paleobotânica sul-americana no Museu Field.
Revista Galileu. Adaptado. Disponível em <https://revistagalileu.globo.com/sociedade/curi osidade/noticia/2024/07/gosta-de-tomar-vinho- agradeca-a-extincao-dos-dinossauros.ghtml>
- Gabarito Comentado (1)
- Aulas (2)
- Comentários (3)
- Estatísticas
- Cadernos
- Criar anotações
- Notificar Erro
Gabarito comentado
Confira o gabarito comentado por um dos nossos professores
Tema central da questão: Morfologia – Locuções e sua classificação. A questão exige reconhecer o tipo de locução presente em “pelo menos”, o que demanda conhecimento sobre as funções das locuções na estrutura das frases segundo a norma-padrão.
Regra fundamental: Conforme Bechara (Moderna Gramática Portuguesa), uma locução adverbial é um conjunto de duas ou mais palavras que, juntas, exercem papel de advérbio, modificando verbos, adjetivos ou outros advérbios para indicar circunstâncias como tempo, modo, intensidade, lugar etc.
Exemplo clássico: “Ele chegou de manhã.” (locução adverbial de tempo).
No texto: “Pelo menos é o que sugere...”, a expressão modifica o verbo “sugerir”, indicando limite mínimo ou ressalva – característica própria dos advérbios e locuções adverbiais.
Alternative correta: C) locução adverbial. “Pelo menos” expressa uma ideia de mínimo aceitável, ressalva ou limitação, funcionando na frase como advérbio de afirmação ou limitação e não como substantivo, adjetivo, preposição ou verbo.
Análise das incorretas:
- A) Locução adjetiva: caracteriza substantivos (ex. “café com leite” – leite é o adjetivante do café). “Pelo menos” não cumpre essa função.
- B) Locução prepositiva: une preposição e termo substantivado para ligar ideias (ex. “ao lado de casa”). “Pelo menos” não liga termos, apenas modifica o sentido do verbo.
- D) Locução substantiva: atua como substantivo (ex. “cão de guarda”). “Pelo menos” não nomeia nada, apenas acrescenta uma circunstância.
- E) Locução verbal: é combinação de verbos (ex. “estava estudando”). Não é o caso de “pelo menos”.
Estratégias para acertar esse tipo de questão: 1. Observe a função prática da expressão no contexto da frase; 2. Verifique se ela modifica verbo (adverbial), caracteriza substantivo (adjetiva), liga ideias (prepositiva), nomeia algo (substantiva) ou indica tempo composto (verbal).
Referência: Bechara, Evanildo. Moderna Gramática Portuguesa; Cunha & Cintra, Nova Gramática do Português Contemporâneo.
Gostou do comentário? Deixe sua avaliação aqui embaixo!
Clique para visualizar este gabarito
Visualize o gabarito desta questão clicando no botão abaixo
Comentários
Veja os comentários dos nossos alunos
L '.
locução adverbial.
“Pelo menos” é aquele clássico reforço do tipo “no mínimo”, “ao menos” — isso indica intensidade / quantidade mínima, ou seja, uma circunstância.
E quando um grupo de palavras funciona como advérbio → chamamos de locução adverbial.
Então:
C – locução adverbial.
Clique para visualizar este comentário
Visualize os comentários desta questão clicando no botão abaixo