Embora gigantesca, a população chinesa apresenta uma bem red...
(OMC) em 2001 consolida a crescente abertura do país de maior
população do mundo. Tal fato foi marcado por vários anos de
difíceis negociações com os principais parceiros internacionais,
EUA e União Européia, com os quais teve que concluir prévios
acordos sobre as modalidades concretas da mútua abertura das
economias. Foi celebrada, portanto, mesmo que de maneira
superficial, como uma forma de triunfo final da economia de
mercado. Os pragmáticos chineses parecem nutrir a idéia básica
que permitiu no passado os êxitos do Japão e dos tigres asiáticos:
integrar-se ao mundo ainda dominado pelo Ocidente de maneira
dinâmica, mas prudente, negociada e não imposta, sem deixar-se
dominar.
Viktor Sukup. A China frente à globalização: desafios e oportunidades. In: Revista
Brasileira de Política Internacional. Brasília, ano 45, n.o 2, 2002, p. 82 (com adaptações).
Julgue os itens subseqüentes, com relação ao tema focalizado no
texto acima.
Gabarito comentado
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Alternativa correta: E (Errado)
Tema central da questão:
A questão explora a adesão da China à Organização Mundial do Comércio (OMC) em 2001, analisando seus impactos econômicos e estratégicos para o país. O candidato precisa compreender como funciona a OMC e os compromissos assumidos pelos Estados-membros ao aderirem à organização.
Resumo teórico:
A OMC é uma instituição internacional que regula o comércio internacional, promovendo a redução de barreiras tarifárias e não-tarifárias e a maior abertura dos mercados entre os países-membros. Ao ingressar, a China teve que negociar e aceitar regras de abertura comercial, embora com algumas flexibilidades transitórias, mas não pôde manter suas fronteiras “praticamente cerradas” aos produtos estrangeiros (OMC, 2001; Amado Luiz Cervo, "Relações Internacionais", 2021).
Justificativa da resposta correta:
A afirmação da alternativa diz que a China recebeu tratamento preferencial ao ponto de manter suas fronteiras praticamente fechadas após entrar na OMC. Isso não é correto.
Apesar de negociações longas e específicas, a entrada da China na OMC foi condicionada a abrir setores significativos de sua economia ao comércio internacional, inclusive reduzindo tarifas e subsídios. Houve períodos de transição, mas a manutenção de barreiras quase totais seria contrária às normas da OMC. Pelo contrário, o ingresso representou um compromisso de maior integração e exposição da China ao comércio mundial.
Pontos-chave para identificar o erro:
- OMC exige abertura progressiva dos mercados – a China não ficou isolada.
- Tratamento especial existiu em certos setores, mas sempre de forma transitória e negociada.
- Afirmação de “fronteiras cerradas” é inconsistente com a prática e os acordos firmados.
Estratégias de interpretação:
Fique atento a afirmações absolutas (“praticamente manter cerradas as fronteiras”) e termos exagerados, pois costumam indicar generalizações incorretas em provas. Confira sempre se a alternativa está de acordo com o funcionamento real das instituições citadas.
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Comentários
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De fato a média salarial chinesa ainda é bastante reduzida, apesar do vigoroso crescimento que esta vem experimentando nos últimos 30 anos. No entanto, isso não faz com que a população chinesa, em conjunto, apresente capacidade de consumo reduzida, pelo contrário: apresenta sim uma capacidade de consumo alta e crescente, uma decorrência da própria dimensão da população – com seus mais de 1 bilhão de habitantes – e do ritmo de crescimento de sua economia – com média acima dos 10% ao ano.
A China também não obteve “tratamento preferencial” ao entrar para a OMC, pelo contrário: teve de formular acordos prévios com alguns países que temiam a concorrência chinesa.
Outro ponto incorreto é a afirmação de que a China manteve suas “fronteiras cerradas aos produtos estrangeiros”. Basta conhecer a importância das importações chinesas de soja e minério de ferro para as exportações brasileiras para perceber esse defeito no item.
Daniel Gonçalves, mais conhecido como "BATATA PODRE"
Só complementando: A China é hoje (2022) o maior exportador do mundo e o segundo maior importador, atrás apenas dos EUA.
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