A atual experiência de abertura posta em prática pela China ...
(OMC) em 2001 consolida a crescente abertura do país de maior
população do mundo. Tal fato foi marcado por vários anos de
difíceis negociações com os principais parceiros internacionais,
EUA e União Européia, com os quais teve que concluir prévios
acordos sobre as modalidades concretas da mútua abertura das
economias. Foi celebrada, portanto, mesmo que de maneira
superficial, como uma forma de triunfo final da economia de
mercado. Os pragmáticos chineses parecem nutrir a idéia básica
que permitiu no passado os êxitos do Japão e dos tigres asiáticos:
integrar-se ao mundo ainda dominado pelo Ocidente de maneira
dinâmica, mas prudente, negociada e não imposta, sem deixar-se
dominar.
Viktor Sukup. A China frente à globalização: desafios e oportunidades. In: Revista
Brasileira de Política Internacional. Brasília, ano 45, n.o 2, 2002, p. 82 (com adaptações).
Julgue os itens subseqüentes, com relação ao tema focalizado no
texto acima.
Gabarito comentado
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Alternativa correta: E (Errado)
Tema central: A questão aborda a abertura econômica da China e busca avaliar se ela se inspirou ou seguiu o mesmo caminho das reformas políticas e econômicas da União Soviética sob Mikhail Gorbachev. O tema exige conhecimento sobre as estratégias de reforma adotadas por grandes potências socialistas no final do século XX e suas consequências.
Resumo teórico: A abertura chinesa, chamada de Reforma e Abertura, começou no final da década de 1970, liderada por Deng Xiaoping. O foco central foi a flexibilização econômica com manutenção do controle político centralizado. Diferentemente disso, a Perestroika e a Glasnost, aplicadas na URSS por Gorbachev nos anos 1980, tentaram mudanças simultâneas e rápidas tanto no plano econômico quanto político, levando à instabilidade e, posteriormente, ao colapso soviético. Autores como Joseph Nye e livros de história das RI (como "A Ascensão da China", de Yan Xuetong) reforçam essa distinção.
Justificativa da alternativa correta: A afirmação está errada. O processo de abertura da China não se baseou nas tentativas de reforma soviética, mas seguiu um modelo próprio, priorizando a abertura econômica gradual e o controle político rígido. A China evitou mudanças políticas rápidas, diferentemente da URSS, o que foi fundamental para seu crescimento sustentado. No caso soviético, a aceleração das reformas políticas e a perda de controle central causaram graves crises e a desintegração do regime.
Estratégias para interpretação: Atenção a comparações históricas e generalizações excessivas. Palavras como “nos seus aspectos essenciais” e “calcada na tentativa de reformas da extinta União Soviética” são indícios de erro: a literatura consagrada deixa claro que os processos foram distintos nos fundamentos e nos resultados.
Resumo: O erro do item está em equiparar a abertura chinesa ao modelo soviético; a China buscou evitar exatamente os problemas enfrentados pela URSS.
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Comentários
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Gabarito: ERRADO
A atual experiência de abertura posta em prática pela China teve seu início na década de 80 do século passado e, nos seus aspectos essenciais, está calcada na tentativa de reformas da extinta União Soviética, sob o comando de Gorbachev. Em ambos os casos, o ritmo de flexibilização política do regime, provavelmente por sua celeridade, interpôs obstáculos ao crescimento da economia, o que, no caso soviético, foi fatal e abreviou a existência do socialismo real.
A China foi o Estado que mais cresceu economicamente nos últimos tempos.
Não houve flexibilização política do regime chinês.
Socialismo real, também conhecido como socialismo realmente existente ou socialismo desenvolvido, foi uma frase de efeito ideológica popularizada durante a era Brejnev nos países do Bloco Socialista e na União Soviética.
Errado
A ex-URSS buscou abertura econômica (perestroika) E política (glasnost)
A China, por sua vez, focou apenas na reforma econômica, com as reformas de Deng Xiaoping e a criação de Zonas Econômicas Especiais.
As reivindicações políticas foram fortemente punidas, como os desdobramentos dos protestos da Praça Tiananmen demonstram.
A China é o país que mais cresce no mundo e já retirou 800 millhões de pessoas da pobreza. Deve ultrapssar o PIB americano em 2035. (Dados do Banco Mundial).
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