Leia o caso clínico a seguir. Paciente de 65 anos é submeti...

Próximas questões
Com base no mesmo assunto
Q4151910 Medicina
Leia o caso clínico a seguir.

Paciente de 65 anos é submetido à laparotomia devido à apendicite complicada com peritonite purulenta difusa. No segundo dia do pós-operatório, apresentou quadro de distensão abdominal e vômitos esporádicos. A radiografia de abdome evidenciou distensão difusas de alças de delgado e cólon, além de níveis hidroaéreos.

Nesse caso, qual é a hipótese diagnóstica mais provável?
Alternativas

Gabarito comentado

Confira o gabarito comentado por um dos nossos professores

Gabarito: D

Fundamento decisivo: No pós-operatório precoce de laparotomia por peritonite difusa, a distensão difusa de delgado e cólon com níveis hidroaéreos favorece íleo paralítico/adinâmico, isto é, um distúrbio funcional não mecânico do trânsito intestinal. Na alternativa oferecida, isso corresponde a "íleo metabólico".

Tema central: Íleo pós-operatório
Análise das alternativas
A
Errada
Obstrução por brida é causa mecânica e, em geral, produz padrão mais segmentar, tipicamente em delgado, com desproporção entre alças proximais e distais. Aqui, o enunciado traz acometimento difuso simultâneo de delgado e cólon no 2º pós-operatório, em contexto clássico de íleo pós-laparotomia por peritonite. Além disso, níveis hidroaéreos não confirmam obstrução mecânica, porque também podem estar presentes no íleo.
B
Errada
Pseudo-obstrução aguda costuma ter predominância colônica, especialmente em ceco e cólon direito. O caso, porém, descreve distensão difusa de delgado e cólon no pós-operatório precoce de laparotomia por peritonite difusa, cenário muito mais compatível com hipomotilidade intestinal global do íleo paralítico/metabólico. O erro é usar pseudo-obstrução como rótulo genérico para qualquer quadro não mecânico.
C
Errada
Fístula intestinal não é sustentada pelos dados do enunciado. O diagnóstico exigiria sinais como débito entérico por dreno ou ferida, exteriorização de conteúdo, sepse persistente ou outros achados localizatórios, que não foram informados. Além disso, fístula não explica, por si, o padrão radiográfico descrito como distensão difusa de delgado e cólon no 2º pós-operatório.
D
Certa
A alternativa D corresponde ao quadro de íleo paralítico/adinâmico pós-operatório descrito na base. O ponto decisivo é a soma de três achados: pós-operatório precoce de laparotomia, forte fator desencadeante inflamatório/peritoneal pela peritonite difusa e imagem com gás difuso em delgado e cólon. Esse padrão favorece distúrbio funcional não mecânico do trânsito intestinal. A base ainda ressalta que, embora a nomenclatura mais usual seja íleo paralítico ou adinâmico, a banca utilizou "íleo metabólico" para representar esse mesmo eixo funcional.
Pegadinha da questão
A banca explora duas confusões reais: interpretar níveis hidroaéreos como prova de obstrução mecânica e estranhar a nomenclatura, porque o quadro é classicamente chamado de íleo paralítico/adinâmico, mas a alternativa correta veio como "íleo metabólico".
Dica para questões semelhantes
  • No pós-operatório precoce de cirurgia abdominal, especialmente com peritonite ou sepse intra-abdominal, pense primeiro em íleo funcional antes de concluir obstrução mecânica.
  • Distensão difusa envolvendo delgado e cólon favorece hipomotilidade global; obstrução mecânica costuma dar padrão mais focal ou segmentar.
  • Níveis hidroaéreos isoladamente não separam íleo de obstrução por brida; o contexto temporal e a distribuição do gás são mais decisivos.
  • Se a alternativa usar nomenclatura imprecisa, privilegie o mecanismo descrito no caso: aqui, distúrbio funcional não mecânico do trânsito intestinal.

Clique para visualizar este gabarito

Visualize o gabarito desta questão clicando no botão abaixo