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Q475223 Engenharia Elétrica
Considere que um engenheiro eletricista devidamente credenciado tenha projetado as instalações elétricas de um edifício novo. O engenheiro foi o responsável técnico pelos projetos de alimentação das bombas de água, grupo gerador, subestação, iluminação, proteção contra descargas atmosféricas e tomadas. Contudo, verificou-se que os disjuntores de alguns aparelhos de ar condicionado, localizados distantes dos quadros de distribuição, desarmaram durante os testes de funcionamento. A solução adotada pelo engenheiro foi trocar os disjuntores por equipamentos de maior capacidade. Com base nessa situação e nas normas de instalações elétricas em baixa tensão, acionamentos elétricos e segurança em instalações elétricas, julgue o  próximo  item.

Segundo a norma, os condutores isolados são definidos por duas temperaturas características, em função do tipo de isolação: a temperatura máxima para serviço contínuo e a temperatura limite de sobrecarga. Não é necessário levar em consideração a temperatura limite de curto-circuito, visto que, por ser uma situação extrema, os elementos de proteção agirão desligando o circuito defeituoso, impedindo que o condutor chegue a essa temperatura.
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A afirmativa diz que os condutores são definidos por duas temperaturas características: serviço contínuo e sobrecarga. Isso está incompleto e, portanto, incorreto. A NBR 5410 e os fabricantes de cabos definem três níveis de temperatura para os condutores, que são cruciais para o seu dimensionamento e proteção: Temperatura Máxima para Serviço Contínuo: É a temperatura máxima que a isolação do condutor pode suportar indefinidamente sem ter sua vida útil reduzida.

Exemplo: 70 °C para isolação em PVC; 90 °C para isolação em EPR ou XLPE.

Temperatura Limite de Sobrecarga: É a temperatura máxima que a isolação pode suportar por um tempo limitado durante uma sobrecarga, sem sofrer danos imediatos. A norma prevê que um condutor não pode permanecer nesta condição por mais de 100 horas durante 12 meses consecutivos, nem por mais de 500 horas durante sua vida útil.

Exemplo: 100 °C para PVC; 130 °C para EPR ou XLPE.

Temperatura Limite de Curto-Circuito: É a temperatura máxima que a isolação pode suportar por um período muito curto (tipicamente até 5 segundos) durante um curto-circuito, sem entrar em combustão ou sofrer danos irreversíveis.

Exemplo: 160 °C para PVC; 250 °C para EPR ou XLPE.

A afirmativa alega que "Não é necessário levar em consideração a temperatura limite de curto-circuito", justificando que o disjuntor agirá antes. Esta lógica está invertida e representa uma falha grave de conceito em projetos elétricos.

A realidade é o exato oposto: a temperatura limite de curto-circuito é um critério fundamental para a seleção do dispositivo de proteção (disjuntor).

O objetivo do dimensionamento da proteção contra curto-circuito é garantir que o disjuntor interrompa a corrente de falha antes que a energia liberada no cabo (I²t) seja suficiente para elevar sua temperatura até o limite de curto-circuito. Em outras palavras, o engenheiro deve verificar se a capacidade de interrupção do disjuntor e seu tempo de atuação são compatíveis com a suportabilidade térmica do cabo.

Se o disjuntor for mal dimensionado (por exemplo, com uma corrente de disparo magnético muito alta para um cabo de seção pequena), o cabo pode ser danificado (sua isolação pode derreter ou incendiar) antes que o disjuntor atue.

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