Em casos de tumores malignos da cavidade bucal, o cirurgião...
Gabarito comentado
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Tema central: conduta frente a úlcera persistente na borda ventrolateral da língua, sítio clássico de carcinoma espinocelular (CEC) oral. Lesões persistentes (>2-3 semanas), induradas, com bordas elevadas e dor variável exigem diagnóstico histopatológico imediato e encaminhamento oncológico.
Raciocínio clínico essencial: a língua ventrolateral possui rica drenagem linfática (níveis I–III), com risco relevante de metástase cervical. Fatores de risco: tabagismo e etilismo (efeito sinérgico). Exame deve incluir palpação de base de língua e cadeias cervicais, e a biópsia é mandatória para confirmar CEC. Diretrizes do INCA/Ministério da Saúde, NCCN Head and Neck e UpToDate orientam não adiar biópsia em lesão suspeita.
Alternativa correta (D) – Justificativa: Investigar fatores de risco, realizar biópsia incisional (lesões maiores, em áreas funcionais) ou excisional (pequenas, passíveis de remoção completa com margem), e encaminhar a centro de referência para estadiação TNM (clínica e por imagem) e plano oncológico. Essa conduta reduz atraso diagnóstico e permite tratar com cirurgia com margens adequadas e manejo cervical (biópsia do linfonodo sentinela ou esvaziamento conforme profundidade de invasão), seguindo NCCN 2025 e INCA.
Por que as demais estão incorretas?
A – Adiar 12 meses é erro grave. Lesões que não cicatrizam em 2–3 semanas requerem biópsia (INCA; Neville, Patologia Oral). Atraso aumenta estádio e piora prognóstico.
B – Antissépticos não diferenciam benignidade/malignidade. Melhora clínica não exclui CEC; alguns tumores ulcerados podem oscilar. Exame histopatológico é obrigatório em úlcera persistente (UpToDate).
C – Curetagem superficial é inadequada e perigosa: não fornece margem nem profundidade de invasão, podendo subestadiar a doença. Afirmar que a região não metastatiza é falso; a ventrolateral tem alta taxa de metástase cervical oculta (NCCN).
Diagnóstico e exames complementares (resumo): história e fatores de risco; exame intra/extraoral com palpação cervical; biópsia (incisional/excisional) com laudo; imagem para extensão e linfonodos (USG com PAAF, TC/MRI); estadiação TNM. Red flags: induração, base infiltrada, sangramento fácil, disfagia, odinofagia, parestesia.
Dicas de prova e pegadinhas: “persistente” e “ventrolateral da língua” sinalizam alto risco → não esperar. “Resposta a antisséptico” ≠ benignidade. “Curetagem” ≠ biópsia adequada. Sempre pensar em encaminhamento ao centro de referência após confirmação ou alta suspeita.
Fontes recomendadas: INCA/MS – Detecção Precoce do Câncer de Boca; NCCN Clinical Practice Guidelines in Oncology: Head and Neck Cancers (2025); UpToDate – Malignant lesions of the oral cavity; Neville BW – Patologia Oral e Maxilofacial.
Gabarito: D.
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