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Q3292789 Odontologia
Em doenças bacterianas que afetam a região periapical, a determinação do agente e a seleção de antimicrobianos devem ser fundamentadas em protocolos de farmacoepidemiologia. Marque a alternativa CORRETA sobre o uso de antibióticos em abscessos odontogênicos com drenagem espontânea.
Alternativas

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Tema central: manejo de abscessos odontogênicos periapicais e uso criterioso de antibióticos. Em infecções odontogênicas, a prioridade é o controle da fonte (drenagem e tratamento dentário) e a antibioticoterapia é indicada apenas quando há sinais de gravidade ou disseminação.

Alternativa correta: B — Em abscessos com drenagem espontânea, deve-se confirmar se há sinais sistêmicos (febre, mal-estar, taquicardia), celulite, trismo ou envolvimento de espaços profundos (sublingual, submandibular, bucal, canino) e manter a drenagem efetiva (incisão/drenagem ou acesso endodôntico). Se presentes esses achados, indicar antibiótico dirigido contra Streptococcus orais e anaeróbios. Exemplos usuais: amoxicilina 500 mg 8/8 h (associar metronidazol 400 mg 8/8 h se anaeróbios importantes) ou amoxicilina-clavulanato 875/125 mg 12/12 h; alergia a penicilina: clindamicina 300 mg 6–8/8 h. Reavaliar em 24–48 h e manter por 3–5 dias após melhora clínica.

Por que isso está de acordo com diretrizes? ADA (2019) e SDCEP recomendam não prescrever antibióticos de rotina para dor/supra-inchaço de origem pulpar ou periapical quando há tratamento odontológico e drenagem disponíveis; usar antibióticos somente se houver sinais sistêmicos, disseminação ou imunossupressão, sempre com drenagem adequada. UpToDate e AAE reforçam que source control é o pilar terapêutico.

Análise das incorretas

A — Afirmar que não há necessidade de drenagem é errado. Antibióticos têm baixa penetração em coleções purulentas; pH ácido e biofilme reduzem eficácia. Sem drenagem, o foco persiste e o risco de complicações aumenta.

C — Usar “duas ou mais classes com mesmo espectro” e aumentar dose até sumir a tumefação contraria a antimicrobial stewardship: eleva toxicidade, favorece resistência e não melhora desfecho. A escolha deve ser direcionada ao quadro clínico, com dose e duração adequadas e reavaliação clínica.

D — Proibir antibióticos “em qualquer fase” ignora cenários de gravidade (febre, celulite difusa, envolvimento de espaços profundos, risco de via aérea, imunossupressão), nos quais antibióticos reduzem progressão e complicações como angina de Ludwig e trombose do seio cavernoso.

Pegadinha de prova: a expressão “com drenagem espontânea” sugere que o antibiótico não é automático. Procure na alternativa menção a sinais sistêmicos e espaços profundos, além da manutenção da drenagem — exatamente o que traz a letra B.

Resumo prático: drenagem e tratamento dentário são prioridade; antibiótico apenas se houver sinais sistêmicos, disseminação ou risco; escolha dirigida e reavaliação precoce.

Fontes: ADA Evidence-Based Guideline for Antibiotics for Dental Pain and Swelling (2019); SDCEP Management of Acute Dental Problems; UpToDate – Odontogenic infections; AAE Guidelines.

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