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Q3292773 Odontologia
Em uma campanha de saúde bucal para idosos, alguns apresentam xerostomia severa decorrente de polimedicação. Esse quadro aumenta o risco de cáries radiculares e dificuldade na mastigação. Marque a alternativa CORRETA sobre a conduta odontológica a ser adotada.
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Tema central: xerostomia por polimedicação em idosos aumenta risco de cárie radicular, hipersensibilidade e dificuldades mastigatórias. A hipossalivação reduz a capacidade tampão, a limpeza mecânica e a disponibilidade de cálcio/fosfato, favorecendo desmineralização e crescimento de biofilme ácido nas superfícies radiculares expostas. (Referências: UpToDate – Xerostomia; Fejerskov & Kidd – Dental Caries; ADA Clinical resources)

Alternativa correta: A — A conduta proposta é abrangente e baseada em evidências:

  • Revisão medicamentosa com o médico: muitos fármacos (anticolinérgicos, antidepressivos, anti-hipertensivos) reduzem o fluxo salivar; substituições/dose-timing podem ajudar. (UpToDate)
  • Saliva artificial e estimulação: substitutos salivares e sialogogos não farmacológicos (gomas sem açúcar/xilitol); considerar pilocarpina/cevimelina quando indicado. (Cochrane; ADA)
  • Prevenção e restauração: dentifrício fluoretado de alta concentração (ex.: 5000 ppm F em alto risco), verniz de NaF 5% periódico; restaurações com ionômero de vidro/IVMR pela adesão química e liberação de flúor nas raízes. (WHO Fluoride guideline 2022; Fejerskov & Kidd)
  • Higiene adaptada: escova macia, cabos adaptados, escovas interproximais/fita dental, orientação dietética (evitar açúcares frequentes, álcool e cafeína). (Ministério da Saúde – Saúde Bucal na APS)

Por que as demais estão incorretas?

B — “Limitar dentifrícios fluoretados” é o oposto do recomendado. Na xerostomia, aumenta-se a exposição ao flúor (pasta de alta concentração, verniz) para compensar a menor proteção salivar. Dizer que a xerostomia não prejudica esmalte/dentina é falso. (WHO 2022; ADA)

C — Indicar exodontia generalizada é conduta inadequada e mutiladora. Dentes com raízes expostas são tratáveis com prevenção, controle de biofilme e restaurações adesivas; extração é última opção, quando irrestaurável. (Fejerskov & Kidd; diretrizes de manejo de cárie radicular)

D — Enxaguatórios alcoólicos pioram a secura e o ardor. Em xerostomia, preferir sem álcool e com fluoreto, e controlar causas. Presumir melhora espontânea ignora a etiologia medicamentosa. (ADA; UpToDate)

Estratégia para a prova: ao ler “idosos + polimedicação + xerostomia + cárie radicular”, pense em abordagem multifatorial: (1) revisar fármacos; (2) substituir/estimular saliva; (3) flúor intensivo; (4) restaurações apropriadas (IV/IVMR); (5) higiene e dieta adaptadas; (6) evitar álcool. Desconfie de alternativas que proponham exodontia em massa ou reduzir flúor.

Fontes de referência: UpToDate – Evaluation and management of xerostomia; WHO (2022) Guideline on fluoride use; ADA Council on Scientific Affairs – Dry mouth resources; Fejerskov & Kidd – Dental Caries.

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