Escolar de 11 anos, obeso, com história de sibilância aos ...

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Q3948388 Medicina
Escolar de 11 anos, obeso, com história de sibilância aos esforços, realiza espirometria que mostra CVF normal-alta, VEF1 dentro da normalidade e relação VEF1/CVF reduzida, sem resposta significativa ao broncodilatador. Não há evidência clínica de asma mal controlada. Assinale a alternativa que apresenta a interpretação correta desse padrão funcional.
Alternativas

Gabarito comentado

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Gabarito: C

Fundamento decisivo: A combinação de CVF normal-alta, VEF1 preservado e relação VEF1/CVF reduzida, em escolar obeso, sem resposta broncodilatadora significativa e sem evidência clínica de asma mal controlada, é compatível com disanapsia. Esse padrão reflete crescimento desproporcional entre vias aéreas e parênquima pulmonar e afasta, no caso, obstrução asmática clássica, restrição e necessidade de escalonamento terapêutico imediato.

Tema central: Disanapsia na espirometria pediátrica
Análise das alternativas
A
Errada
Está errada porque o exame não sustenta padrão obstrutivo clássico indicativo de asma não controlada. O VEF1 está dentro da normalidade, não houve resposta broncodilatadora significativa e o enunciado informa ausência de evidência clínica de mau controle. Relação VEF1/CVF reduzida isoladamente, nesse contexto, não autoriza concluir asma descompensada.
B
Errada
Está errada porque restrição não é sugerida por relação VEF1/CVF baixa, e sim por redução de volumes, especialmente CVF na espirometria de triagem. Aqui a CVF é normal-alta, o que é incompatível com padrão restritivo leve. A obesidade, embora possa alterar a mecânica respiratória, não transforma automaticamente esse traçado em restritivo.
C
Certa
A alternativa C está correta porque descreve exatamente o padrão funcional apresentado: CVF preservada ou aumentada, VEF1 preservado e relação VEF1/CVF reduzida. Na fisiologia respiratória pediátrica, isso pode refletir desproporção entre o tamanho pulmonar e o calibre das vias aéreas, reduzindo o índice sem perda relevante de fluxo absoluto nem redução de volume. A ausência de reversibilidade significativa e a falta de correlação clínica com asma descontrolada reforçam que o traçado não deve ser lido como obstrução asmática ativa obrigatória.
D
Errada
Está errada porque não há dados de falha técnica, baixa reprodutibilidade ou manobra inaceitável. O traçado apresentado é coerente e interpretável. Não se pode atribuir erro técnico apenas porque o padrão não corresponde à leitura mais intuitiva de obstrução ou restrição.
E
Errada
Está errada porque não há base funcional nem clínica para escalonamento imediato com corticosteroide inalatório. A ausência de resposta broncodilatadora significativa e a inexistência de sinais clínicos de asma mal controlada afastam a interpretação de piora asmática que justificaria intensificação terapêutica automática. Essa conduta seria inadequada por usar um achado espirométrico isolado como gatilho terapêutico.
Pegadinha da questão
A banca explora a confusão entre relação VEF1/CVF reduzida e obstrução asmática obrigatória; além disso, usa a obesidade para induzir erro de leitura como restrição, apesar da CVF normal-alta afastar esse padrão.
Dica para questões semelhantes
  • Se a relação VEF1/CVF está baixa, mas o VEF1 está normal e a CVF está normal ou alta, considere disanapsia antes de rotular obstrução patológica.
  • Não diagnostique restrição com CVF normal-alta; na triagem espirométrica, restrição exige redução de volume.
  • Em asma, integre sempre função pulmonar com clínica e resposta ao broncodilatador; índice isolado reduzido não basta para definir mau controle.

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