Considerado o contexto, o trecho “O rei nunca esteve tão nu ...

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Ano: 2024 Banca: FUVEST Órgão: USP Prova: FUVEST - 2024 - USP - Secretário - Edital nº 19 |
Q3546436 Português
TEXTO PARA A QUESTÃO

    Semana passada, Paris mais uma vez reuniu a nata do mundo da moda e mais uma multidão de ricos e famosos, influencers, fotógrafos, entusiastas e curiosos para mais uma semana de moda.
    No meio do burburinho, tem sempre alguma coisa que faz tanto barulho que fura a bolha da moda e chega até gente como eu, que não está prestando tanta atenção.
    Neste ano, o assunto mais comentado da Paris Fashion Week não foi um desfile, nem uma festa de arromba. O que fez a internet parar foi uma bolsa feita de ar (e 1% de vidro). Trata-se de uma releitura da Swipe Bag, modelo clássico da marca Coperni, famosa pela maneira inovadora de pensar e apresentar moda.
    Avaliada em R$ 14 mil, a Air Swipe Bag pesa 33 gramas e é feita de 99% de ar e 1% de vidro. Apesar de inédito no mundo da moda, o aerogel de sílica, material utilizado na fabricação da bolsa e considerado o sólido mais leve da Terra, já é amplamente utilizado pela Nasa para capturar poeira estelar, uma vez que pode suportar calor extremo e uma pressão de 4.000 vezes o seu peso.
    Como apreciadora da moda como expressão criativa e artística, admiro a Coperni por seu espírito inovador e pela maneira como é capaz de unir tecnologia e moda. Mas o que mais me atrai na marca é a habilidade com que, intencionalmente ou não, faz de suas criações um reflexo do nosso tempo. 
    A bolsa de ar me parece a metáfora perfeita para a maneira como consumimos moda hoje. Com a proliferação de redes sociais e a moda sendo catapultada a geradora de assunto e ferramenta de ampliação de visibilidade, vemos mais e mais gente interessada em pagar caríssimo por produtos —muitas vezes esdrúxulos, de qualidade duvidosa, pouco práticos e que provavelmente serão vistos como obsoletos em alguns meses— apenas para sinalizar acesso e pertencimento. Mais do que nunca, compramos, portanto, não a roupa, a bolsa, o sapato, mas o intangível que eles representam. O rei nunca esteve tão nu e nunca se pagou tanto por sua capa invisível. 


Joanna Moura Adaptado.https://www1.folha.uol.com.br/colunas/joannamoura/2024/03/voce-compraria-uma-bolsa-feita-de-ar.shtml. Acesso em 6/03/2024 
Considerado o contexto, o trecho “O rei nunca esteve tão nu e nunca se pagou tanto por sua capa invisível. ” (6º parágrafo) remete
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Questão – Interpretação de Texto (Figuras de linguagem: Metáfora e Alusão)

Tema central: O foco da questão é interpretação textual, especialmente o entendimento de figuras de linguagem empregadas: metáfora e alusão. Conforme Celso Cunha & Lindley Cintra (2008), metáfora é “a transferência de significado, por analogia, entre termos distintos”; já, segundo Evanildo Bechara (2009), a alusão decorre de uma referência indireta, exigindo conhecimento prévio.

Justificativa da alternativa correta (B):
O trecho “O rei nunca esteve tão nu e nunca se pagou tanto por sua capa invisível” utiliza as duas figuras: metáfora e alusão à fábula ‘A Roupa Nova do Rei’. Aqui, “rei nu” significa pessoas pagando caro apenas por status, sem valor material real. Logo, a alternativa B (à ilusão de prestígio que um produto oferece) é a correta, pois traduz a crítica à valorização de aparências e de produtos “vazios” (sem substância) apenas por prestígio.

Análise das alternativas incorretas:

  • A) Valor agregado de marca pouco conhecida: o texto fala de marca famosa; não cabe aqui.
  • C) Materialidade usual: o sentido não está em “tangibilidade” do objeto, e sim no valor simbólico.
  • D) Materiais comuns: o exemplo é de materiais inovadores e pouco importa o material, mas o significado social.
  • E) Gostos pessoais da autora: não é julgamento individual, mas diagnóstico de um fenômeno social.

Estratégias para interpretação:
Procure sempre conectar a metáfora ao contexto: “rei nu” = vazio disfarçado de prestígio. Atenção a referências culturais como contos ou fábulas – elas frequentemente revelam críticas sociais no texto. Pegadinha: não foque no literal ou apenas em palavras-chave isoladas!

Resumo da Regra: Metáforas e alusões ampliam o sentido e exigem interpretação para além do literal. Compreenda sempre o que o autor quer transmitir nas entrelinhas do texto.

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