Leia os textos a seguir. Texto I Segundo Bueno (2014, p.55...
A fada sensata sem defeitos
Não basta elogiar, a bajulação nas redes sociais exige uma hipérbole.
Manuela Cantuária*
1. O espelho da madrasta adverte: existe alguém mais belo, mais próspero e mais feliz do que você. A vida no Instagram é um conto de fadas, e isso não é necessariamente uma coisa boa. Na Internet, a rede social é a que mais prejudica a saúde mental de seus usuários, especialmente mulheres, segundo pesquisas que chocaram um total de zero pessoas.
2. Ironicamente, nossa interação pelo aplicativo é marcada por uma intensa troca de elogios. E põe intensa nisso. No Instagram, não basta dizer: "Bela foto". A bajulação virtual exige uma hipérbole: "Socorro, alguém chama o Samu, tragam desfibriladores, pois estou enfartando perante tamanha beleza" (seguido por uma rabiola de emojis de corações e palminhas).
3. A intenção pode ser das melhores – um shiatsu na autoestima da próxima –, mas a sensação é a de que os elogios estão ali para serem vistos pelos outros e viraram um espetáculo à parte, vazio de sentido. Todas nós já ouvimos pelo menos um desses elogios genéricos, que não nos representam em nenhuma instância. Entre os mais absurdos que já recebi, estão:
4. “Perfeita”" ou “Com um total de zero defeitos”. Caramba! Seria mais razoável me chamar de Pé Grande, chupa-cabra ou ET Bilu. Se existisse mesmo uma pessoa isenta de defeitos, ela não daria motivos para os outros falarem mal dela, e eu jamais negaria esse prazer aos meus amigos.
5. “Aquela que nunca errou”. Não se deixe levar por fake news! Eu já errava no útero da minha mãe. Fiquei de cócoras quando era para ficar em posição fetal. Respeita a minha história!
6. “Rainha”. O que fiz para merecer a alcunha de tirana e sanguessuga do povo? Peço que não me chamem de monarca e deem preferência a elogios mais democráticos.
7. “Gostosa”. Não frequento a academia para ser chamada de perspicaz – mas, se você for homem, por favor, mantenha seus pensamentos para você, assim como eu quero manter meu almoço no estômago. Já as amigas podem me objetificar à vontade.
8. “Deusa”. Se eu fosse uma deusa, já tinha erradicado a fome, o câncer e a acne na idade adulta.
9. No mais, obrigada pelo carinho. E não se esqueçam de elogiar com moderação.
*Roteirista e escritora.
Folha de São Paulo. Ilustrada, 11 jun. 2019, p.C7. Adaptado.
Leia os textos a seguir.
Texto I
Segundo Bueno (2014, p.552-553), "para haver comunicação, são necessários seis componentes essenciais. [...]. Na articulação desses elementos, acontece o processo de interação entre os indivíduos. O emissor sempre tem como objetivo provocar uma reação no receptor quando emite uma mensagem. [...]. A partir do enfoque predominante em relação aos elementos da comunicação é que são estabelecidos os tipos de funções da linguagem."
Texto II
"Aquela que nunca errou." Não se deixe levar por fake news! Eu já errava no útero da minha mãe. Fiquei de cócoras quando era para ficar em posição fetal. Respeita a minha! história. (§ 5)
A partir do conceito apresentado, é correto afirmar que a função da linguagem predominante na passagem transcrita da crônica é a
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A questão em análise envolve a interpretação textual e a identificação da função da linguagem predominante em um trecho específico da crônica apresentada.
No trecho destacado, a frase "Aquela que nunca errou" é seguida por uma série de expressões que buscam provocar uma resposta do leitor, seja através de ironia ou de apelo emocional. Isso nos leva a identificar a função conativa da linguagem, também conhecida como função apelativa. Essa função tem como objetivo principal influenciar o comportamento do receptor, utilizando-se de verbos no imperativo ou apelos diretos.
Alternativa Correta: C - Conativa
Justificativa: A função conativa é identificada pelo uso de expressões que incitam o receptor a agir ou reagir, muitas vezes utilizando o modo imperativo. Por exemplo, a frase "Respeita a minha história!" é um claro apelo ao leitor para que tenha uma determinada postura.
Análise das alternativas incorretas:
A - Poética: Esta função se concentra na forma e na estética da mensagem, buscando um efeito estético. Embora a crônica utilize ironia e humor, o foco não é na estética ou na sonoridade das palavras, mas sim na interação com o leitor.
B - Fática: A função fática visa estabelecer ou verificar o canal de comunicação, como em saudações ou testes de som. No texto, o objetivo é claramente provocar uma reação e não apenas manter o canal aberto.
D - Metalinguística: Esta função explica ou define o próprio código da língua. Não há, no trecho, uma preocupação em esclarecer termos ou expressões linguísticas.
E - Referencial: A função referencial busca informar de maneira objetiva e clara, centrando-se no contexto ou no assunto. A crônica, no entanto, não tem o propósito de fornecer informações objetivas, mas sim de provocar uma reflexão crítica sobre o comportamento nas redes sociais.
Espero que esta explicação tenha ajudado a entender a função da linguagem utilizada no texto. Gostou do comentário? Deixe sua avaliação aqui embaixo!
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Comentários
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✅ Gabarito: C
✓ No trecho "Não se deixe levar por fake news", temos o imperativo negativo do verbo deixar. Como vimos, o uso de verbos no imperativo está relacionado à função CONOTATIVA da linguagem.
➥ Função conativa (ou apelativa): ocorre quando a mensagem tem o objetivo de influenciar o receptor ou destinatário, com a intenção de convencê-lo de algo ou dar-lhe ordens. Como o objetivo dessa função da linguagem é persuadir os leitores (por meio de expressões como "Morreu de Fome" e "Meu Deus", "não faça isso"), ela acaba causando uma natural comoção neles.
OUTRAS FUNÇÕES:
Função poética: é a linguagem que coloca em evidência a forma da mensagem, ou seja, que se preocupa mais em como dizer do que com o que dizer. Na função poética, a mensagem por si é posta em relevo; mais do que seu conteúdo, o destaque dela se encontra na forma como ela é construída, criativa e inusitadamente. Ex.: “Antes de dormir, não se esqueça de apagar os insetos.” (Propaganda de inseticida).
Função fática: é a linguagem que tem o objetivo de estabelecer, prolongar ou interromper a comunicação. É aplicada em situações nas quais o mais importante não é o que se fala, nem como se fala, mas sim o contato entre o emissor e o receptor. Fática significa "relativa ao fato", ao que está ocorrendo. Ex.: Alô, quem está falando?
Função metalinguística: ocorre quando o emissor explica um código usando o próprio código. É a poesia que fala da poesia, da sua função e do poeta, um texto que comenta outro texto. As gramáticas e os dicionários são exemplos de metalinguagem. Ex.: Frase é qualquer enunciado com sentido acabado. (usa-se uma frase para dar a definição de frase).
Função referencial: é a linguagem na qual a mensagem está centrada no referente, ou seja, naquilo de que se fala. Nessa função da linguagem, destaca-se o objeto, o assunto da mensagem de forma clara e objetiva. As manchetes de jornais são exemplos de usuários da função referencial.
➥ FORÇA, GUERREIROS(AS)!!
Achei esquisito pelo fato de a questão não especificar a qual texto estava se referindo!
Questão mais pra linguagem metalinguistica, pois explica o significado das palavras bem como o termo do referido autor.
Não achei nada relacionado a função conativa, pois não tem nada de tentativa de convencer algo.
DEIXE
RESPEITE
dois verbos no imperativo, pode ir seco na CONATIVA APELATIVA
verbos no imperativo = deixe , Respeita
RESPOSTA C
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