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Q1336525 Português

Merenda escolar não é exceção


             Fico contente em ver muitas pessoas apoiando uma alimentação saudável e consciente. Ao mesmo tempo entendo algumas pessoas criticarem a marmita da minha filha, pois acredito que elas não enxergam a alimentação como uma ferramenta política, econômica, social, ambiental e de saúde. Eu acredito que podemos mudar o mundo através da alimentação e são esses valores que quero passar para a minha filha no dia a dia. Tem gente que escolhe a música, tem gente que prefere a política, outros preferem o esporte, a pintura ou os livros para lutar por um mundo melhor. No meu caso, escolhi a comida!!!
          Coloco banana-da-terra e batata-doce na lancheira da minha filha primeiramente porque ela GOSTA. Os outros motivos são diversos, porém complementares.
           Com a batata-doce e a banana-da-terra consigo mostrar pra ela o verdadeiro sabor da nossa terra, pra ela se lembrar que o sabor da infância era um sabor natural do Brasil e não de alguma fórmula artificial fabricada em laboratório.
          Me importo com a saúde da minha filha e por isso presto atenção na alimentação dela. Não considero biscoito recheado, salgadinho de pacotinho, e achocolatados como alimentos e sim produtos maquiados de alimentos que iludem tanto os pais quanto as crianças com seus poderes viciantes. Não quero deixar a minha filha dependente de uma indústria, quero educá-la para ser independente, poder preparar o próprio alimento e escolher o que quiser para comer no jantar.
            Nenhum lixo foi produzido com a merenda da Flor, fiz a granola em casa e a casca da banana virou adubo pra nossa pequena horta caseira. Porém, se tivesse colocado uma caixinha de achocolatado, um pacotinho de bolacha água e sal e uma barrinha de cereal industrializada, seriam mais 3 embalagens jogadas no lixo que levariam milhares de anos para desintegrar.
         Me lembro que quando eu era pequena o lanche servido na minha escola era pão com manteiga, biscoito recheado, sucos e café com leite. Já mais velha, tínhamos que comprar nosso próprio lanche na cantina que oferecia refrigerantes, salgadinhos, sanduíches, sorvetes, balas e chocolates. Com essa oferta, a criança cresce com uma má referência e influência na alimentação através da escola. Se os pais não forem conscientes e responsáveis pela alimentação dos filhos, incentivando o consumo de vegetais, frutas, legumes e cereais, eles crescem com o paladar já viciado em produtos industrializados, altamente açucarados e engordurados (com açúcar e gordura de péssima qualidade) que podem afetar sua saúde física e mental. Enquanto muitas cantinas forem grandes influências para uma alimentação de baixa qualidade, a saída é mandar a merenda das crianças de casa. E vale lembrar que a merenda escolar não é sinônimo de besteira, não é uma festa de aniversário ou uma ocasião especial, é o lanche que o seu filho come 5 vezes por semana, é a construção de um hábito. Então biscoitos recheados, salgadinhos, bolo industrializado e refrigerante não devem fazer parte de um lanche escolar.
        Os valores estão invertidos na nossa sociedade. Muitas pessoas acreditam que saúde é sinônimo de mais hospitais, quando o ideal seria acreditar na promoção de uma alimentação e estilo de vida saudável para que não precisássemos de mais hospitais. Educação não é só falar por favor e obrigada e sim saber fazer escolhas que afetem o mínimo possível aos outros e ao meio ambiente. Então, quando a sociedade enxergar a alimentação saudável como um investimento e garantia de qualidade de vida, quando cozinharmos pensando e respeitando a saúde do corpo, da terra e dos produtores, aí sim conseguiremos construir um futuro melhor.


(GIL, Bela. Merenda escolar não é exceção. Disponível em:
< http://www.belagil.com/blog />. Acesso em: 3 nov. 2015)
Na escrita desse texto, a autora optou por transgredir algumas regras da gramática da língua escrita padrão. É exemplo disso:
Alternativas

Gabarito comentado

Confira o gabarito comentado por um dos nossos professores

Tema central: O conteúdo principal da questão é colocação pronominal, mais especificamente a posição inadequada dos pronomes oblíquos átonos no início de frases, uma transgressão frequente na oralidade, mas que não é aceita na gramática normativa.

Justificativa da alternativa correta (B):

A alternativa B identifica corretamente uma infração à norma culta: iniciar frases com pronomes oblíquos átonos, como em “Me lembro que quando eu era pequena...”. Segundo a norma-padrão (conforme Evanildo Bechara, Moderna Gramática Portuguesa), o pronome oblíquo átono não deve iniciar orações. O correto seria: Lembro-me que quando eu era pequena...”. Esse fenômeno ocorre com pronomes como: me, te, se, nos, lhe, etc. Essa construção é característica da linguagem coloquial, não da redação formal exigida em documentos oficiais ou provas de concurso.

Análise das alternativas incorretas:

A) O uso de palavras com letras maiúsculas, como em GOSTA.
Explicação: Utilizar letras maiúsculas para dar ênfase (“GOSTA”) é um recurso estilístico, e não se configura como erro gramatical segundo a norma-padrão. Tal emprego pode ser encontrado, inclusive, em textos publicitários ou informais.

C) O uso de numerais cardinais no meio do texto.
Explicação: O emprego de numerais cardinais (“5 vezes por semana”) é perfeitamente aceito na língua escrita, devendo-se apenas atentar para o contexto e a clareza. Não há transgressão gramatical nesse uso.

D) O uso de “maquiados” em vez de “maquilados”.
Explicação: As formas “maquiados” e “maquilados” são dicionarizadas e reconhecidas como corretas pelo Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa (VOLP) e pelas principais gramáticas (Cunha & Cintra). Optar por uma ou outra é escolha de registro, não um erro.

Dica estratégica: Em questões sobre colocação pronominal, atente sempre ao início de frases e períodos: se houver um pronome oblíquo logo no começo, provavelmente há transgressão da norma padrão. Essa é uma pegadinha clássica cobrada em provas e redação oficial (cf. Manual de Redação da Presidência da República).

Resumo: A alternativa correta é a B, pois evidencia erro na colocação pronominal de acordo com a norma-padrão. As demais alternativas citam situações que não violam regras gramaticais oficiais.

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Comentários

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Primeiramente: concordo em gênero, número, grau e no que mais couber, com a autora do texto. QUE TEXTO!

Respondendo a questão: Não precisamos nem recorrer ao texto para saber a resposta correta, na B, temos o Gabarito. Não se deve iniciar períodos ou parágrafos com próclise e fim de papo.

4º parágrafo - Me importo com a saúde da minha filha

6º parágrafo - Me lembro que quando eu era pequena

O uso de frase iniciada com pronome oblíquo.

GABARITO: B

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