Analise as assertivas com o código V(Verdadeiro) ou F(Falso...

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Q3990271 Português

O texto seguinte servirá de base para responder à questão.



CANÇÃO NA PLENITUDE


(1º§) Não tenho mais os olhos de menina nem corpo adolescente, e a pele translúcida se machucou, há muito.


(2º§) Há rugas onde havia sedas, sou uma estrutura agrandada pelos anos e o peso dos fardos bons ou ruins. (Carreguei muitos com gosto e alguns com rebeldia.)


(3º§) O que te posso dar é mais que tudo o que perdi: dou-te os meus ganhos.


(4º§) A maturidade que consegue rir quando em outros tempos choraria, busca te agradar quando antigamente quereria apenas ser amada.


(5º§) Posso dar-te muito mais do que beleza e juventude agora: esses dourados anos me ensinaram a amar melhor, com mais paciência e não menos ardor, a entender-te se precisas, a aguardar-te quando vais, a dar-te regaço de amante e colo de amiga, e sobretudo força — que vem do aprendizado.


(6º§) Isso posso te dar: um mar antigo e confiável cujas marés — mesmo se fogem — retornam, cujas correntes ocultas não levam destroços, mas o sonho interminável das sereias.


(Lya Luft é escritora e poetisa.) − (ornaldepoesia.jor.br/lyaluft.html) − (Acesso 03.10.2023) − (Adaptado)

Analise as assertivas com o código V(Verdadeiro) ou F(Falso):


(__)No período: "Há rugas onde havia sedas" − temos exemplo de sujeito inexistente e objeto direto em cada oração.


(__)As vírgulas do período: "esses dourados anos me ensinaram a amar melhor, com mais paciência e não menos ardor," - separam expressão com função sintática de adjunto adverbial. 


(__)No período: "quando antigamente quereria apenas ser amada" − temos expressão com ideia temporal, temos também adjetivo com função sintática de predicativo do sujeito.


(__)Na série: ""; "marés"; "interminável"; "translúcida", temos, respectivamente: monossílabo tônico; dissílabo oxítono; polissílabo paroxítono; polissílabo proparoxítono.


Após análise, assinale a alternativa que apresenta a sequência CORRETA dos itens acima, de cima para baixo:

Alternativas

Gabarito comentado

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Gabarito: D

Fundamento decisivo: A resolução depende da análise morfossintática e prosódica dos trechos “Há rugas onde havia sedas”; “esses dourados anos me ensinaram a amar melhor, com mais paciência e não menos ardor,”; “quando antigamente quereria apenas ser amada”; “há”; “marés”; “interminável”; “translúcida”: nas ocorrências de haver com sentido de existir, o verbo é impessoal, o sujeito é inexistente e os termos pospostos funcionam como objetos diretos; a expressão destacada exerce valor de adjunto adverbial; “amada” tem valor de predicativo do sujeito em “ser amada”; e a classificação fonológica/prosódica apresentada está correta, o que torna verdadeiras as quatro assertivas e conduz à alternativa D.

Tema central: Análise sintática e prosódica
Análise das alternativas
A
Errada
Está errada porque marca como falsas a 1ª e a 2ª assertivas. A 1ª é verdadeira: em “Há rugas onde havia sedas”, o verbo haver tem sentido de existir e, por isso, é impessoal nas duas ocorrências; “rugas” e “sedas” funcionam como objetos diretos. A 2ª também é verdadeira: “com mais paciência e não menos ardor” exerce valor e função de adjunto adverbial, pois modifica o modo como se realiza “amar melhor”.
B
Errada
Está errada porque marca como falsa a 4ª assertiva, mas a classificação apresentada está correta. “há” é monossílabo tônico; “marés” tem duas sílabas e tonicidade final, logo é dissílabo oxítono; “interminável” é polissílabo paroxítono; “translúcida” é polissílabo proparoxítono. Como a 4ª assertiva é verdadeira, essa sequência não se sustenta.
C
Errada
Está errada porque marca como falsa a 2ª assertiva, embora “com mais paciência e não menos ardor” seja expressão de função adverbial, ligada ao modo de “amar melhor”. Além disso, a 1ª assertiva também é verdadeira, pois em “Há rugas onde havia sedas” o verbo haver é impessoal e os termos pospostos são objetos diretos. A alternativa falha, portanto, em dois pontos da sequência.
D
Certa
A alternativa D está correta porque nenhuma das quatro assertivas contraria o critério gramatical cobrado. Em “Há rugas onde havia sedas”, o verbo haver é impessoal nas duas orações, de modo que “rugas” e “sedas” não são sujeitos, mas objetos diretos. Em “com mais paciência e não menos ardor”, a expressão modifica o modo como se realiza “amar melhor”, exercendo função adverbial. Em “quando antigamente quereria apenas ser amada”, há marca temporal e “amada”, no interior de “ser amada”, atribui estado ao sujeito elíptico, com valor de predicativo do sujeito na estrutura passiva. Por fim, “há” é monossílabo tônico; “marés”, dissílabo oxítono; “interminável”, polissílabo paroxítono; e “translúcida”, polissílabo proparoxítono. A sequência, portanto, é V, V, V, V.
Pegadinha da questão
A confusão real está em tomar “rugas” e “sedas” como sujeitos de haver, hesitar em reconhecer “amada” como predicativo do sujeito na locução passiva “ser amada” e errar a prosódia de “interminável” e “translúcida”.
Dica para questões semelhantes
  • Quando houver verbo haver com sentido de existir, verifique primeiro a impessoalidade: nesse caso, não há sujeito, e o termo posposto não deve ser lido como sujeito.
  • Em expressões preposicionadas, teste se o segmento modifica a circunstância da ação; se indicar modo, tempo ou outra circunstância, a função tende a ser adverbial.
  • Em estruturas como “ser + particípio”, observe se o particípio atribui estado ao sujeito da oração; isso pode sustentar a leitura de predicativo do sujeito na construção passiva.
  • Na classificação prosódica, separe as sílabas e localize a tonicidade antes de decidir pela categoria; o acento gráfico não autoriza, sozinho, mudança de classe.

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