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Ano: 2010 Banca: FCC Órgão: SERGAS Prova: FCC - 2010 - SERGAS - Assistente Administrativo |
Q40160 Português
Quando auxiliar já é fazer

Há muita senhora que se refere a sua empregada
doméstica como "minha auxiliar". Evita a secura da palavra
"empregada" por lhe parecer pejorativa ou politicamente
incorreta. As mais sofisticadas chegam a se valer de "minha
assistente" ou, ainda, "minha secretária" ? em que ganham, por
tabela, o status de executiva ou diretora de departamento. Mas
fiquemos com "auxiliar", e pensemos: auxiliar exatamente em
qual tarefa? Pois são muitos os casos em que a dona de casa
não faz absolutamente nada, a não ser administrar aquilo em
que sua "auxiliar" está de fato se empenhando: preparando o
almoço, lavando e guardando a louça, limpando a casa, lavando
e passando a roupa de toda a família etc.

É muito comum a situação de alguém pegar no batente,
fazer todo o serviço pesado e ser identificado como "auxiliar", ou
"estagiário", ou "assistente", quando não tachado de "provisório"
ou "experimental". Não se trata de uma implicância com certas
palavras; trata-se de reconhecer a condição injusta de quem faz
o essencial como se cuidasse apenas do acessório. Lembro-me
de que, no meu segundo ano de escola, a professora adoeceu
no meio ano. Durante todo o segundo semestre foi substituída
por uma jovem, que era identificada como "a substituta". "Você
está gostando da substituta?". "Será que a substituta vai dar
muita lição?". Ela dava aulas tão bem ou melhor do que a
primeira professora, mas não era reconhecida como mestra:
estava condenada a ser "a substituta".

Tais situações nos fazem pensar no reconhecimento que
deixa de ser prestado a quem mais fez por merecer. Quando o
freguês satisfeito elogia o proprietário de um restaurante pela
ótima refeição, não estará se esquecendo de alguém? Valeume,
a propósito, a lição de um amigo, quando, depois de um
almoço num restaurante, comentei: "Boa cozinha!". Ao que ele
retrucou: "Bom cozinheiro!". E será que esse cozinheiro tinha
um bom "auxiliar"?

(Manuel Praxedes de Sá, inédito)

Está clara e correta a redação deste livre comentário sobre o texto:
Alternativas

Gabarito comentado

Confira o gabarito comentado por um dos nossos professores

Gabarito: E

Fundamento decisivo: O comando pede a alternativa com redação clara e correta, além de fidelidade ao sentido global do texto; o trecho "Tais situações nos fazem pensar no reconhecimento que deixa de ser prestado a quem mais fez por merecer." sintetiza esse núcleo, e a letra E atende a esse critério ao preservar a ideia de que nem sempre se identifica o verdadeiro responsável pelo trabalho essencial.

Tema central: falta de reconhecimento
Análise das alternativas
A
Errada
A alternativa é eliminada por erro de construção: "considera de que" é inadequado, pois essa estrutura verbal não admite essa preposição. Além disso, reduz o sentido do texto a uma intenção psicológica específica da patroa — "quer se sentir mais importante" —, quando o texto apenas ironiza o ganho de status em certos casos, sem fixar essa formulação como tese central.
B
Errada
Há erro gramatical objetivo em "cujo o mérito", porque "cujo" não admite artigo. Também há problema de clareza em "passa imperceptível, em vista de quem de fato o executa", construção semanticamente pouco precisa. Mesmo aproximando-se do tema, a alternativa não atende ao critério de redação correta.
C
Errada
A redação é obscura e mal estruturada: "há professoras que sequer se reconhece esse título" mistura uma construção impessoal com um referente mal integrado, comprometendo a clareza sintática. Além disso, a alternativa extrapola o texto ao falar em "visível preconceito" contra "professoras", quando o caso apresentado é o não reconhecimento da jovem chamada apenas de "a substituta".
D
Errada
A alternativa desloca o foco para uma definição metalinguística de eufemismo, mas o texto não tem como tese principal conceituar esse recurso. Sua formulação também é imprecisa: "se esvaziam de um sentido mais brutal" é vaga e pouco clara. O início do texto usa atenuação vocabular como ponto de partida, não como eixo exclusivo do comentário pedido.
E
Certa
A alternativa E é a única que reúne os dois critérios exigidos: correção linguística e fidelidade à tese do texto. Sua formulação é clara e gramaticalmente aceitável, e seu conteúdo retoma o núcleo argumentativo exposto no texto: há apagamento de quem efetivamente realiza o trabalho. Isso corresponde tanto à afirmação de que se deixa de reconhecer "quem mais fez por merecer" quanto ao exemplo final do restaurante, em que o elogio ao proprietário pode ocultar o mérito do cozinheiro.
Pegadinha da questão
A banca mistura alternativas que tocam no tema do texto com alternativas efetivamente válidas; a armadilha está em aceitar uma opção por semelhança temática e ignorar erro gramatical, obscuridade sintática ou extrapolação do sentido central.
Dica para questões semelhantes
  • Em itens de reescrita, julgue ao mesmo tempo forma e conteúdo: resumir a ideia do texto não basta se houver erro gramatical relevante.
  • Localize a tese central no texto e elimine alternativas que se prendem a exemplos laterais, como ocorreu com o foco excessivo no eufemismo.
  • Desconfie de alternativas que atribuem intenções subjetivas ou generalizações que o texto não afirma expressamente.
  • Erros objetivos de norma-padrão, como em construções com "cujo", invalidam a alternativa mesmo quando ela parece semanticamente próxima.

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Comentários

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Errei a questão, mas ainda acho que o correto desta frase seria:"Nem sempre é fácil, conforme pondera o autor do texto, IDENTIFICAR o verdadeiro responsável por um trabalho arduamente executado"Se alguem tiver uma boa explicação para o resultado da questão, gostaria de sabê-la!!!Bons estudos!

A letra E está incorreta, pois todos sabem que quem faz todo o trabalho é o auxiliar.

As respostas erradas mais marcadas são a (B) e (D).

Por que a (B) está errada? Pelo fato de não ser uma denúncia? Pelo fato de não ser trabalho pesado?

E a (D)? Parece definição correta de eufemismo?

[]s

a) O autor considera de que...

b) ... cujo o...

c) ...que sequer se reconhece...

d) Constuma-se chamar-se   

     (obs: esse foi o possível erro que encontrei, pois entendo que o verbo "adotar", no final, deve mesmo ficar no infinitivo não flexionado)

e) Por eliminação seria o gabarito.

     (mas não conseguir analisar esse "se" de "identificar-se", alguém ajuda?)

e) Nem sempre é fácil, conforme pondera o autor do texto, identificar-se o verdadeiro responsável por um trabalho arduamente executado.

ênclise: pronome depois do verbo

caso  da assertiva: depois de qualquer pontuação. Ex.: Hoje, lembrei-me de você.

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