Assinale a alternativa que apresenta corretamente, entre pa...
Leia o texto a seguir para responder às questões 25 a 30.
A HUMANIZAÇÃO DO ATENDIMENTO
Em setores sensíveis, como saúde e bem-estar, a falta de um canal de voz pode ser frustrante e até prejudicial; nem tudo pode ser resolvido por texto
Rogério Ramos Weymar Professor e mestre em educação, com especializações em neuropsicopedagogia, antropologia, filosofia, sociologia e marketing digital
A forma como empresas se comunicam com os clientes mudou drasticamente. Antes, a ligação telefônica era essencial para esclarecer dúvidas e resolver problemas. Hoje, muitas empresas eliminaram essa opção, restringindo o atendimento ao WhatsApp e outras plataformas de mensagens. Recentemente, deixei de consumir serviços porque só ofereciam suporte via mensagens e negaram meu pedido de contato por telefone. Isso me fez refletir: essa modernização realmente facilita a vida do consumidor ou estamos perdendo algo essencial?
O atendimento digital trouxe benefícios inegáveis. Empresas podem atender vários clientes ao mesmo tempo, as mensagens deixam um histórico escrito e o consumidor tem mais flexibilidade para interagir no seu próprio ritmo. Além disso, reduzir custos com telefonia e equipe tornou-se uma vantagem competitiva. No entanto, a eliminação das chamadas telefônicas traz consequências. O tom de voz, a empatia e a personalização do atendimento se perdem. Em setores sensíveis, como saúde e bemestar, a falta de um canal de voz pode ser frustrante e até prejudicial. Imagine um paciente angustiado buscando apoio por mensagens automáticas?
Nem tudo pode ser resolvido por texto. Muitos clientes se sentem mais confortáveis falando do que escrevendo, especialmente quando lidam com questões urgentes ou complexas. O que poderia ser solucionado rapidamente por telefone se arrasta em longas trocas de mensagens. Além disso, idosos e pessoas com dificuldades de digitação podem ficar excluídos desse modelo. A modernização do atendimento deveria priorizar eficiência sem comprometer o contato humano.
Paradoxalmente, a digitalização pode criar barreiras entre empresas e clientes. O argumento da “modernização” muitas vezes mascara a desumanização do atendimento. Se a comunicação deve ser eficiente, também precisa ser acessível e empática. O telefone não deveria ser eliminado, mas sim complementado pelos canais digitais, garantindo opções que atendam às necessidades do cliente.
Acompanho a transformação digital desde os anos 1980 e vi muitas inovações que realmente facilitaram a vida das pessoas. No entanto, tecnologia deve ser aliada, não substituta do contato humano. Empresas que eliminam o telefone sem alternativas viáveis não estão apenas modernizando seus serviços – estão se distanciando dos clientes.
Especialmente em áreas essenciais, o canal de voz deveria ser um direito do consumidor. Isso não é nostalgia ou resistência ao progresso. É apenas reconhecer que, por trás de cada mensagem, há uma pessoa que, muitas vezes, precisa mais do que um simples “Como posso ajudar?” digitado automaticamente.
O verdadeiro progresso está no equilíbrio entre inovação e atendimento humanizado. Afinal, todos queremos ser ouvidos – e não apenas lidos.
Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br/opiniao/2025/03/ahumanizacao-do-atendimento.shtml. Acesso em: 20 de mar. 2025.
Gabarito comentado
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Comentário da questão – Relações sintático-semânticas entre orações:
A questão exige identificação da relação sintático-semântica estabelecida por conectivos entre orações – habilidade prevista em provas de nível Analista do Ministério Público e frequentemente abordada nos concursos de alto padrão.
O tema central é a análise do valor semântico das conjunções, ou seja, saber que tipo de relação (adição, causa, comparação, oposição, etc.) cada conectivo estabelece, com base na norma-padrão e nas gramáticas referenciais (Celso Cunha & Lindley Cintra; Bechara).
Alternativa correta: E
Trecho: “Muitos clientes se sentem mais confortáveis falando do que escrevendo [...].”
A estrutura “mais... do que...” estabelece comparação entre os modos de comunicação, conforme explica Bechara: “Expressa-se comparação por conjunções comparativas – como, tal qual, mais... do que...” (Moderna Gramática, p. 525).
Análise das alternativas incorretas:
A) “... facilita a vida do consumidor ou estamos perdendo algo essencial?”
O conectivo “ou” indica alternância/exclusão, e não adição.
B) “... deixei de consumir serviços porque só ofereciam suporte via mensagens...”
O “porque” é causal, explicando o motivo da ação, não introduz uma conclusão.
C) “Se a comunicação deve ser eficiente...”
A conjunção “se” é condicional, não causal. Indica condição para que algo ocorra.
D) “... não deveria ser eliminado, mas sim complementado...”
A conjunção “mas” é adversativa (oposição), não de adição.
Dicas de prova:
1. Leia atentamente os conectivos. Muitos erros ocorrem por confundir “mas” (oposição) com adição, ou “se” (condição) com causa.
2. Associe a estrutura morfossintática ao valor semântico. Construa exemplos: “mais... do que...” = comparação.
Referências: Bechara, Evanildo. Moderna Gramática Portuguesa. Cunha & Cintra, Nova Gramática.
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Comentários
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A ) alternância
B) explicativa
C) condicional
D) adversativa -> ideia negativa antes da conjunção (não deveria) e ideia positiva depois da conjunção (mas sim complementado)
Errei por associar a questão ao verbo “preferir”, que me levou ao erro quanto ao uso de “do que".
GAB: E
ADITIVAS: ideia de adição/acréscimo (e, nem, mas também)
ADVERSATIVAS: ideia de adversidade, contraste, contradição, ressalva, ideia de “oposição para aquilo que achava que ia acontecer: (mas, porém, contudo, todavia, no entanto, entretanto...)
ALTERNATIVAS: dá ideia de alternância (ou uma coisa ou outra): (ou, ora...ora, já...já, quer...quer, seja...seja)
CONCLUSIVAS: ideia de conclusão (portanto, então, assim, logo, por isso, por conseguinte, destarte, dessarte, assim sendo...)
CAUSAIS: pois, visto que, já que, porque, como, porquanto, na medida em que...
BIZU: é só lembrar da sua amiga Jaque. A "Jaque causa" nas festas.
CONDICIONAIS (hipótese): se, caso, contanto que, desde que;
COMPARATIVAS: como, do que, assim como, (mais/menos) que;
CONCESSIVAS (ideia de oposição): embora, ainda que, apesar de que, mesmo, mesmo que, posto que, conquanto, se bem que;
CONSECUTIVAS (ideia de consequência): (tão/tal/tanto/tamanho) + que, de modo que;
BIZU: depois do Tesão, vem a consequência
TEMPORAIS: quando, logo que, desde que, assim que, depois que, enquanto;
PROPORCIONAIS: à medida que, à proporção que, ao passo que, quanto mais/menos;
FINAIS: para, para que, a fim de, a fim de que;
RESUMÃO PRA VOCÊS ☺
O "mas sim" me pareceu adição por causa do "sim", foi apenas mais uma pegadinha da malandra AOCP.
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