Um paciente de 24 anos de idade, morador do interior do esta...
Um paciente de 24 anos de idade, morador do interior do estado da Bahia, aguarda atendimento médico informando que, desde os 7 anos de idade, iniciou quadro de inchaço nas pernas e nos pés. Relata dor intensa e sensação de queimação. Nega quadro de erisipela. Ao exame físico das pernas, foi evidenciado um importante edema nos MMII em região dos pés e das pernas, mas as coxas são normais. Verificaram-se, também, perna direita quase 15 cm maior em diâmetro que a esquerda (medindo na fita métrica); edema duro e que não melhora com elevação das pernas; sinal de Stemmer positivo; sensibilidade inalterada; força muscular normal; e pulsos presentes.
Em relação a esse caso clínico e tendo em vista os conhecimentos médicos correlatos, julgue o item a seguir.
O paciente possuiu uma doença incurável, porém o tratamento a partir dos 7 anos de idade teria evitado a progressão da doença.
Gabarito comentado
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Gabarito: C (certo)
Tema central: O caso descreve um linfedema primário, uma condição crônica caracterizada por falhas congênitas no sistema linfático, que leva ao acúmulo de líquido nos tecidos, principalmente em membros inferiores. O sinal de Stemmer positivo (impossibilidade de pinçar a pele do dorso dos artelhos), o início em idade jovem e a ausência de histórico de processos infecciosos ou traumáticos ajudam a fechar o diagnóstico.
Justificativa da alternativa correta:
Sim, o linfedema primário não tem cura definitiva. No entanto, a intervenção precoce é capaz de evitar agravamento do edema, deformidades e quadros infecciosos como a erisipela de repetição. De acordo com diretrizes internacionais, como o Percurso Clínico Europeu para Linfedema Primário, o acompanhamento especializado (drenagem linfática manual, terapia de compressão, cuidados com a pele e educação do paciente) desde a infância pode atrasar a progressão e preservar a funcionalidade do membro.
Segundo o Ministério da Saúde (Manual de Linfedema – Atenção Básica, p. 14):
“O tratamento, apesar de não promover a cura, pode controlar o edema, evitando o agravamento e limitando complicações.”
Análise crítica da alternativa incorreta (E):
A alternativa “E” (“errado”) está incorreta porque ignora o papel absolutamente fundamental do tratamento precoce para limitar complicações e evitar progresso do linfedema. Negar benefício da terapia precoce é um erro clássico em provas: lembre-se sempre de que, em doenças crônicas incuráveis, a abordagem ideal visa controlar sintomas e limitar danos.
Estratégia para provas:
Note os detalhes: sinal de Stemmer positivo, edema que não melhora com elevação e diferença de diâmetro importante sugerem linfedema, não doença vascular venosa ou infecciosa. Atenção a esses achados clínicos costuma ser cobrada em concursos!
Reforço com evidências científicas: O UpToDate e trabalhos recentes endossam que “medidas precoces evitam o avanço do linfedema e melhoram desfecho funcional e qualidade de vida”.
Resumo: O linfedema primário é incurável, mas o tratamento iniciado precocemente reduz sua progressão e previne sequelas graves. Lembre sempre deste conceito: quando não há cura, controlar e prevenir avanço é fundamental!
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