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Ano: 2020 Banca: IADES Órgão: SES-DF Prova: IADES - 2020 - SES-DF - Grupo 003 |
Q1673944 Medicina
Uma paciente de 30 anos de idade compareceu ao ambulatório de clínica médica em razão de dor na região pélvica, que começou há 10 meses. Segundo ela, a dor é tipo uma cólica, irradiando para a região lombar bilateralmente. A dor piora bastante durante a relação sexual, e isso tem prejudicado seu relacionamento com o marido. Outro fator de piora é o ciclo menstrual, que é de 30 dias com intenso fluxo e presença de coágulos. O início dos sintomas foi logo após a perda do trabalho por causa da pandemia de Covid-19. Sedentária em função da obrigatoriedade do isolamento social, tem feito uso de laxantes, de forma mais habitual, para melhorar a obstipação intestinal. Nega comorbidades, disúria, febre ou outras queixas.O exame físico geral antes das mudanças. Verificaram-se PA = 120 mmHg x 80 mmHg, FC = 90 bpm, FR = 18 irpm e SatO2 = 99% AA. O exame abdominal apresenta cicatriz cirúrgica de apendicectomia na infância, bem como abdome plano com dor à palpação profunda de fossas ilíacas, sem massas palpáveis, sem circulação colateral e sem sinal de irritação peritoneal. O exame ginecológico chama a atenção apenas para regiões anexiais dolorosas bilateralmente. Um paciente apresentada previamente ecografia de abdome, com resultado normal. 

Considerando esse caso clínico os conhecimentos médicos correlatos, julgue o item a seguir.


Após realizar o exame físico ginecológico (regiões anexiais dolorosas bilateralmente), é correto afirmar que se trata de um caso de emergência aguda por DIP.

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Gabarito: E (errado)

Tema central: O caso aborda a diferenciação entre doença inflamatória pélvica (DIP) aguda e causas de dor pélvica crônica, especialmente endometriose, condição prevalente em mulheres jovens.

Raciocínio clínico:

A DIP caracteriza-se por um quadro agudo, normalmente com dor pélvica súbita, febre, corrimento vaginal purulento e sintomas sistêmicos. Segundo o PCDT de ISTs do Ministério da Saúde (2022), o diagnóstico de DIP exige três critérios maiores (dor hipogástrica, dor à palpação dos anexos e dor à mobilização do colo uterino) e, ao menos, um critério menor (ex: febre, leucocitose, secreção vaginal anormal) ou critério elaborado (laparoscopia positiva, abscesso).

No caso apresentado:

  • A paciente refere dor pélvica crônica (10 meses de evolução), dismenorreia (dor piora na menstruação), dispareunia (dor à relação sexual) e hipermenorreia (fluxo intenso).
  • Não há sintomas sistêmicos, febre, secreção vaginal anormal ou sinais de infecção aguda.
  • Exame físico: dor anexial bilateral (critérios maiores isolados não fecham diagnóstico).

Tais achados são mais compatíveis com condição crônica, como endometriose — descrita em literatura como causa frequente de dor pélvica crônica (UpToDate: "Chronic pelvic pain in women: Differential diagnosis").

Pontos-chave para provas:

  • Fique atento à duração dos sintomas: DIP é aguda, endometriose e outras causas ginecológicas são crônicas.
  • Emergência ginecológica: DIP clássica cursa com febre, dor aguda, piora rápida, sinais sistêmicos.
  • Teste sua leitura crítica: Atenção a expressões como “emergência aguda” — contextos crônicos excluem emergências infecciosas típicas.

Justificativa das alternativas:

  • C) “Certo” – INCORRETO: A paciente não apresenta quadro agudo, nem critérios obrigatórios para DIP.
  • E) “Errado” – CORRETO: O quadro sugere endometriose, e não emergência aguda por DIP.

Referência: “O diagnóstico de DIP baseia-se em história clínica, presença de sintomas agudos, dados de exame físico, critérios maiores, menores e elaborados.” (PCDT IST, MS, p.133)

Resumo final: Pelo tempo de evolução e ausência de sinais infecciosos agudos, NÃO se trata de emergência aguda por DIP.

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Comentários

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A resposta para essa questão deve ser julgada como incorreta. DIP, que é a sigla para Doença Inflamatória Pélvica, é uma condição que se caracteriza por uma inflamação do trato genital superior feminino, que pode incluir o útero, as trompas de Falópio e os ovários. Apesar de o exame físico ginecológico apresentar regiões anexiais dolorosas bilateralmente, que são indicativos de uma possível DIP, não é possível afirmar categoricamente que se trata de uma emergência aguda por DIP apenas com base nisso. É necessário realizar mais exames e avaliações para confirmar o diagnóstico. Além disso, a dor descrita pela paciente vem acontecendo há 10 meses, o que não caracteriza uma situação de emergência aguda. Portanto, a afirmação está incorreta.

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