Examinei todas as outras coisas que estão abaixo de vós. Por um lado, provêm de vós; por outro, não existem, pois não são
aquilo que vós sois. Já vi claramente que todas as coisas que se corrompem são boas; não se poderiam corromper se fossem
sumamente boas. De que modo criastes o céu e a terra, se não procedesses como o artífice que forma um corpo de outro
corpo, impondo-lhe, segundo a concepção de sua mente, a imagem que vê com os olhos do espírito? É necessário concluir que
falastes e os seres foram criados. Vemos o homem, criado à vossa imagem e semelhança, constituído em dignidade acima de
todos os viventes irracionais. E assim como na sua alma há uma parte que impera por sua reflexão e outra que se submete para
obedecer, assim também a mulher foi criada, quanto ao corpo, para o homem.
AGOSTINHO. Confissões. São Paulo: Nova Cultural, 2000.
Em uma turma da 1ª série do Ensino Médio, uma professora de filosofia dedica algumas aulas ao exame das produções artísticas
dos seres humanos, com base na Filosofia de Agostinho de Hipona. Para isso, utiliza esse texto e conduz reflexões sobre imagens
de artes plásticas e músicas previamente selecionadas pelos estudantes. Submetidas ao conteúdo desse texto, essas produções
artísticas revelam-se incomparáveis à criação divina do universo, na medida em que
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