O texto está quase totalmente escrito com os verbos no pres...

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Q2039224 Português
Leia o texto a seguir, para responder a questão, elaborada a partir dele:

     Os anos de 1960 foram um período de grande tensão política no Brasil.
     Em 1961, o presidente da República, Jânio Quadros, renuncia, declarando-se “vencido pela reação e por forças terríveis”. Os ministros militares, ato contínuo, declararam à Nação que o vice, João Goulart, o Jango, que se encontrava naquele momento na China Popular em visita oficial, não poderá tomar posse. O veto, conforme eles disseram ao presidente da Câmara dos Deputados, Ranieri Mazzili, era sumário.
     A resistência ao golpe desperta o Rio Grande do Sul, onde o governador Leonel Brizola mobiliza o povo gaúcho e a Brigada Militar e cria o Movimento da Legalidade, ao qual se somam, mais tarde, os comandos e as forças militares do III Exército. Em todos os estados, menos no Rio Grande do Sul, patriotas são perseguidos e presos, jornais e emissoras de rádio são censurados. Intolerantes, os ministros militares ameaçam bombardear o palácio Piratini, sede do governo gaúcho. Tal ação, no entanto, é abortada pela ação corajosa de praças e sargentos da aeronáutica, que inutilizam os aviões da base aérea de Canoas. O governador Leonel Brizola faz um discurso memorável, que denuncia os planos dos ministros militares e informa que não arredará o pé do palácio. Diante da iminência de uma guerra civil, as elites políticas se reorganizam e criam a solução parlamentarista, monstrengo político-jurídico que o vice-presidente aceita como saída conciliatória para a crise.
AGUIAR, Ronaldo Conde. Os Reis da voz, p.86. Texto adaptado.
O texto está quase totalmente escrito com os verbos no presente do indicativo, apesar de relatar acontecimentos passados. Entretanto, se o autor colocasse os verbos no tempo pretérito (tipo “A resistência ao golpe despertou o Rio Grande do Sul”), o verbo “poder” (em destaque no segundo parágrafo) teria de ser conjugado no: 
Alternativas

Gabarito comentado

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Tema central: A questão avalia o domínio da concordância temporal dos tempos verbais, especialmente em narrações no passado e sua relação com o uso do futuro do pretérito do indicativo.

Justificativa para a alternativa correta (E):

Quando se narra no pretérito perfeito (“declararam”), os acontecimentos que seriam futuros em relação a esse passado são expressos pelo futuro do pretérito do indicativo. Isso ocorre porque precisamos mostrar que, naquele passado, havia uma expectativa sobre uma ação que poderia acontecer depois daquele momento.

Exemplo do texto adaptado: “Os ministros militares declararam que o vice... não poderia tomar posse.”

Segundo Bechara e Cunha & Cintra, esse tempo verbal expressa o “futuro visto do passado”, ou seja, algo que aconteceria após um ponto já situado no passado.

Análise das alternativas incorretas:

  • A) Presente do subjuntivo: Indica dúvida ou possibilidade em relação ao presente/futuro. Não expressa uma ação posterior a um fato passado.
  • B) Pretérito imperfeito do subjuntivo: Usado para hipóteses, condições ou orações subordinadas; não serve para indicar ação futura em relação ao passado narrado.
  • C) Mais-que-perfeito do indicativo: Marca uma ação situada antes de outra passada, e não depois dela.
  • D) Futuro do presente do indicativo: Expressa fato futuro em relação ao presente — não adequado numa narrativa já situada no passado.

Dica de prova: Sempre que precisar converter uma narração do presente para o passado (pretérito perfeito), procure os verbos que, em relação à linha do tempo da história, ocorreriam depois e use o futuro do pretérito (“poderia”, “chegaria”, “faria”). Essa é uma pegadinha comum!

Resumo: O texto exige o futuro do pretérito (“poderia”) para manter a lógica temporal correta quando narrado no passado. Esse domínio é fundamental para coesão e clareza, como reforçam todas as gramáticas de referência.

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Comentários

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Questão um pouco confusa no enunciado, mas muito boa, pois exige conhecimento sobre como os tempos e modos verbais se relacionam em um texto.

A banca comparou dois verbos:

desperta: está no tempo presente

poderá: está no tempo futuro do presente

Se alterarmos o primeiro verbo para pretérito, o segundo será conjugado no seu futuro correspondente.

despertou: está no tempo pretérito

poderia: está no tempo futuro do pretérito

Gabarito : E

despertou: está no tempo pretérito

Questão que leva o candidato a ir ao texto e fazer as alterações que se conectem com o que o examinador está pedindo, observe que a acertiva não especificou, somente requisitou uma conjugação num tempo pretérito, e ao transpor o verbo para a frase do texto era incabível substituir, sem prejuízo textual, para tempo pretérito perfeito do modo indicativo.

"Os ministros militares, ato contínuo, declararam à Nação que o vice, João Goulart, o Jango, que se encontrava naquele momento na China Popular em visita oficial, não poderia tomar posse. O veto, conforme eles disseram ao presidente da Câmara dos Deputados, Ranieri Mazzili, era sumário"

Espero ter ajudado. Bons estudos

Correlação verbal:

O FUTURO DO PRETÉRITO se relaciona com tempo PRETÉRITO: eu morreria se ele descobrisse.

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