Paciente feminina, 67 anos, renal crônica (clearance 30 mL/m...
Paciente feminina, 67 anos, renal crônica (clearance 30 mL/min), apresentou episódio de hematúria indolor. Foi submetida à cistoscopia com achado de lesão única com 0,5 cm de diâmetro em fundo vesical. Realizada RTU de bexiga com biópsias vesicais aleatórias cujo anátomo patológico revelou tratar-se de neoplasia urotelial pTaG3cis+. Paciente realizou re-RTU em 6 semanas, em que não foi constatada lesão. Após 18 meses, novo episódio de hematúria, no exame de imagem, lesão recidivada no mesmo local. Realizada nova RTU cujo anátomo patológico revelou tratar-se de pT2G3. Diante do exposto, qual a conduta?
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Tema central: O caso aborda a conduta frente ao câncer de bexiga músculo-invasivo (pT2G3), analisando o manejo do tumor em paciente renal crônica após recidiva e progressão tumoral.
Justificativa da alternativa correta (C):
A cistectomia radical com linfadenectomia pélvica é o tratamento padrão para câncer de bexiga estágio pT2 (invasão da camada muscular) de alto grau. Segundo o "Projeto Diretrizes" (AMB/CFM), seção "Tumores invasivos": “Cistectomia radical com linfadenectomia pélvica ampliada é o tratamento recomendado para o câncer de bexiga com invasão de camada muscular.”
A escolha desta conduta é reforçada pelas principais diretrizes internacionais (NCCN, EAU, UpToDate), que destacam sua maior taxa de controle da doença e sobrevida. Em pacientes sem contraindicação cirúrgica, é a principal estratégia curativa.
Análise das alternativas incorretas:
A) Cistectomia parcial: Não indicada, pois tumores invasivos e multifocais ou em fundo vesical não são elegíveis. Associada à maior risco de recidiva local.
B) Neoadjuvância quimioterápica: Isoladamente, não é conduta definitiva. Em algumas situações pode anteceder a cirurgia, porém o passo essencial continua sendo cistectomia radical. Não responde à pergunta sobre a conduta principal.
D) Radioterapia exclusiva: Não é tratamento padrão para doença músculo-invasiva, sendo reservada para pacientes sem condições cirúrgicas ou com contraindicação formal à cirurgia.
E) Nova RTU e terapia intravesical: Indicada apenas para doença não músculo-invasiva (pTa/CIS/pT1). Para pT2, é insuficiente (risco elevado de progressão e metástases).
Estratégia para prova: Fique atento ao estadiamento (pT2: invasão do músculo detrusor) no enunciado, pois a conduta muda radicalmente entre tumores superficiais e invasivos. O uso de palavras-chave como "radical", "parcial", "intravesical" e "neoadjuvância" ajuda a eliminar alternativas.
Referências: Projeto Diretrizes AMB/CFM – Câncer de Bexiga II; UpToDate; Inca.
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