O setor público subnacional pode auferir renda através da a...

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Q3882032 Direito Financeiro
O setor público subnacional pode auferir renda através da arrecadação de impostos que são de sua competência, de obrigações constitucionais que preveem o repasse de recursos de outras esferas, mas também de rendas geradas pelo seu patrimônio, que podem ou não advir da venda ou alienação de bens.
Em relação ao tema, assinale a afirmativa incorreta
Alternativas

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Gabarito: B

Fundamento decisivo: Lei nº 4.320/1964, art. 11, § 1º e § 2º: "§ 1º - São Receitas Correntes as receitas tributária, de contribuições, patrimonial, agropecuária, industrial, de serviços e outras e, ainda, as provenientes de recursos financeiros recebidos de outras pessoas de direito público ou privado, quando destinadas a atender despesas classificáveis em Despesas Correntes. § 2º - São Receitas de Capital as provenientes da realização de recursos financeiros oriundos de constituição de dívidas; da conversão, em espécie, de bens e direitos; os recursos recebidos de outras pessoas de direito público ou privado, destinados a atender despesas classificáveis em Despesas de Capital e, ainda, o superávit do Orçamento Corrente." Como a alternativa B atribui natureza de receita de capital a aluguéis de bens públicos, arrendamentos e participações estatais em empresas, que são receitas patrimoniais, a incorreção é dessa alternativa.

Tema central: Classificação da receita pública
Análise das alternativas
A
Errada
A alternativa está correta, por isso não pode ser a resposta. A venda de banco público, em regra, corresponde à alienação de ativo, isto é, à conversão em espécie de bens e direitos. Isso se enquadra na Lei nº 4.320/1964, art. 11, § 2º, como receita de capital.
B
Certa
A alternativa B está errada porque confunde exploração do patrimônio com alienação do patrimônio. Aluguéis de bens públicos, arrendamentos e rendas decorrentes de participações estatais em empresas são receitas patrimoniais. Pela Lei nº 4.320/1964, art. 11, § 1º, receita patrimonial integra as receitas correntes. Receita de capital, nos termos do art. 11, § 2º, exige, entre outras hipóteses, conversão em espécie de bens e direitos, como ocorre na alienação. Logo, a alternativa erra ao classificar como receita de capital ingressos que são receitas correntes patrimoniais.
C
Errada
A alternativa está correta, por isso não pode ser a resposta. O Fundo de Participação dos Municípios decorre de transferência constitucional da União aos municípios. Constituição Federal, art. 159, I, b: "A União entregará: I - do produto da arrecadação dos impostos sobre renda e proventos de qualquer natureza e sobre produtos industrializados, 24,5% (vinte e quatro inteiros e cinco décimos por cento), da seguinte forma: b) 22,5% (vinte e dois inteiros e cinco décimos por cento) ao Fundo de Participação dos Municípios;" Para o município recebedor, trata-se de transferência corrente, compatível com a classificação do art. 11, § 1º, da Lei nº 4.320/1964.
D
Errada
A alternativa está correta, por isso não pode ser a resposta. A cota-parte do ICMS pertence aos municípios por determinação constitucional e decorre da arrecadação estadual. Constituição Federal, art. 158, IV: "Pertencem aos Municípios: IV - vinte e cinco por cento do produto da arrecadação do imposto do Estado sobre operações relativas à circulação de mercadorias e sobre prestações de serviços de transporte interestadual e intermunicipal e de comunicação." No orçamento municipal, esse ingresso é classificado como transferência corrente, em conformidade com a Lei nº 4.320/1964, art. 11, § 1º.
E
Errada
A alternativa está correta, por isso não pode ser a resposta. A dívida ativa corresponde a créditos do próprio município, e sua arrecadação constitui receita orçamentária do ente credor. A base indica a Lei nº 4.320/1964, art. 39, § 4º, segundo a qual a receita da dívida ativa abrange os créditos inscritos, com atualização, multa, juros e encargos cabíveis. Portanto, é fonte de receita própria do município.
Pegadinha da questão
A banca explorou a confusão entre rendimento do patrimônio público e alienação do patrimônio: só a conversão em espécie de bens e direitos gera receita de capital; aluguéis, arrendamentos e participações societárias geram receita patrimonial corrente.
Dica para questões semelhantes
  • Se o ente apenas explora ou frui seu patrimônio, a receita tende a ser patrimonial e corrente.
  • Se há venda de bem, ativo ou direito, a regra é receita de capital por conversão em espécie.
  • FPM e cota-parte do ICMS, para o município recebedor, não são receita tributária própria, mas transferências correntes.
  • Dívida ativa deve ser lida como receita do próprio ente titular do crédito, não como receita de capital.

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Comentários

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B

receita corrente é dinheiro que entra regularmente, como aluguel de imóveis públicos ou lucro de empresas estatais. receita de capital é quando o governo vende algum bem ou pega empréstimo

Art. 11, § 4º  da Lei 4320/64

B - Receitas Correntes

RECEITA PATRIMONIAL Decorre da exploração do patrimônio do Estado (Ex: Aluguéis, juros de títulos de renda, dividendos recebidos da PETROBRAS, Laudêmio, arrendamentos, foros, JUROS DE APLICAÇÃO FINANCEIRA, etc.

São os recursos que entram de forma periódica e servem para manter o funcionamento do Estado (pagar salários, luz, limpeza).

  • Impostos: Arrecadação própria.
  • Receita Patrimonial: É o "fruto" do que o Estado já tem. Se o Estado é dono de um prédio e o aluga, o prédio continua sendo dele, mas ele ganha o aluguel. Isso é Receita Corrente.
  • Transferências Correntes: Dinheiro que vem de outro ente (FPM, ICMS) para custear serviços.

São receitas que, em geral, envolvem uma mudança no patrimônio. Ou o Estado vendeu algo, ou pediu emprestado.

  • Alienação de Bens: Vender um carro oficial ou um banco público. O bem sai do patrimônio e o dinheiro entra.
  • Operações de Crédito: Empréstimos.
  • Amortização de Empréstimos: Quando o Estado emprestou dinheiro para alguém e agora está recebendo as parcelas de volta.

A alternativa incorreta é a B.

  • Por que a B está errada? A alternativa afirma que aluguéis e dividendos (participações) são receitas de capital. Na verdade, eles são Receitas Patrimoniais, que pertencem ao grupo das Receitas Correntes.
  • Regra de Ouro: Se o Estado mantém o bem e apenas recebe pelo seu uso ou lucro, a receita é Corrente. Se o Estado se desfaz do bem (venda), a receita é de Capital.
  • A (Correta): Venda de banco é alienação de bem = Receita de Capital.
  • C (Correta): O FPM (União para Município) entra no caixa da cidade para custeio = Receita Corrente (Transferência).
  • D (Correta): A cota-parte do ICMS (Estado para Município) também é para custeio = Receita Corrente (Transferência).
  • E (Correta): A Dívida Ativa (créditos que o município tem a receber de quem não pagou impostos) é, sim, uma fonte de receita própria importante.

FONTE: GEMINI.

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