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Q2400080 Medicina
Acerca de cetoacidose diabética, assinale a alternativa correta. 
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Tema central: Cetoacidose diabética (CAD) é uma emergência do diabetes, resultante de deficiência de insulina e excesso de hormônios contrarreguladores (glucagon, catecolaminas, cortisol, GH), levando a hiperglicemia, cetogênese e acidose metabólica com ânion gap elevado. Sinais: poliúria, polidipsia, náuseas, dor abdominal, respiração de Kussmaul e hálito cetônico.

Alternativa correta: D – A CAD ocorre mais em jovens (especialmente DM1) e instala-se em horas. Embora possa ocorrer em qualquer idade e também em DM2, a faixa jovem e a evolução rápida são típicas (ADA 2024; UpToDate; Harrison).

Por que as demais estão incorretas?

A – Afirma que há insulina suficiente para suprimir o glucagon. Na CAD ocorre o oposto: insulina insuficiente e glucagon elevado, o que impulsiona lipólise e cetogênese. Portanto, o enunciado contradiz a fisiopatologia (Kitabchi et al., ADA).

B – Encerrar insulina IV apenas por bicarbonato >15 mEq/L é inadequado. Critérios de resolução da CAD exigem: glicose <200 mg/dL + pelo menos 2: bicarbonato ≥15, pH >7,30, ânion gap ≤12. Além disso, deve haver sobreposição com insulina SC por 1–2 h antes de desligar a bomba (ADA 2024; UpToDate).

C – Define CAD por glicemia >350 e pH <7,0, o que é mais restritivo e incorreto. Critérios aceitos: glicose >250 mg/dL, pH <7,30, bicarbonato ≤18 mEq/L, ânion gap elevado e cetonemia. Ketonúria é útil, mas pode subestimar β-hidroxibutirato (ADA/Harrison).

Critérios diagnósticos (resumo prático): glicose >250 mg/dL; pH arterial <7,30; HCO₃⁻ ≤18 mEq/L; ânion gap >10–12; cetonemia/β-hidroxibutirato elevado. Gravidade: leve (pH 7,25–7,30; HCO₃⁻ 15–18), moderada (pH 7,00–7,24), grave (pH <7,00; HCO₃⁻ <10).

Conduta essencial (alta frequência em provas):

  • Reposição volêmica: SF 0,9% 15–20 mL/kg na 1ª hora; depois ajustar conforme Na corrigido e estado hemodinâmico.
  • Insulina IV: 0,1 U/kg/h (bolus opcional); reduzir glicemia 50–75 mg/dL/h.
  • Potássio: repor se K⁺ <5,2; não iniciar insulina se K⁺ <3,3 até corrigir.
  • Glicose: quando glicemia <200 mg/dL, adicionar dextrose 5–10% e manter insulina até fechar ânion gap.
  • Bicarbonato: apenas se pH <6,9 (controverso).
  • Tratar gatilho: infecção, erro de dose de insulina, IAM, etc.

Pegadinhas e estratégia: não use pH <7,0 para “definir” CAD; esse valor indica gravidade. Não desligue insulina IV só pelo bicarbonato. Lembre-se de sobrepor insulina SC antes de cessar a infusão.

Referências: ADA Standards of Care in Diabetes 2024; UpToDate (Diabetic ketoacidosis in adults); Harrison’s Principles of Internal Medicine.

Gabarito: D.

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A questão aborda características da cetoacidose diabética (CAD), uma complicação aguda do diabetes mellitus. A alternativa D é correta pois a cetoacidose diabética é mais comum em indivíduos mais jovens, especialmente naqueles com diabetes tipo 1, que tendem a ter um início mais precoce da doença. A idade média de 20-29 anos citada na alternativa está de acordo com a incidência típica da CAD nesse grupo etário. Além disso, a condição se desenvolve de maneira abrupta, muitas vezes em questão de horas, devido à deficiência aguda de insulina, levando a hiperglicemia, formação de corpos cetônicos e acidose. Em contraste, a alternativa A está incorreta pois sugere que há produção suficiente de insulina para suprimir o glucagon, o que é incompatível com a patogênese da CAD, onde há uma deficiência significativa de insulina. A alternativa B também está errada, pois a terapia para CAD é complexa e a decisão de desligar a bomba de insulina é baseada em uma série de critérios clínicos e laboratoriais, não apenas no nível de bicarbonato. A alternativa C falha ao definir a CAD com valores fixos de glicemia e pH; apesar de haver hiperglicemia e acidemia, os critérios para diagnóstico podem variar. Portanto, a resposta mais precisa e correta é a alternativa D.

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