Acerca de cetoacidose diabética, assinale a alternativa corr...
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Tema central: Cetoacidose diabética (CAD) é uma emergência do diabetes, resultante de deficiência de insulina e excesso de hormônios contrarreguladores (glucagon, catecolaminas, cortisol, GH), levando a hiperglicemia, cetogênese e acidose metabólica com ânion gap elevado. Sinais: poliúria, polidipsia, náuseas, dor abdominal, respiração de Kussmaul e hálito cetônico.
Alternativa correta: D – A CAD ocorre mais em jovens (especialmente DM1) e instala-se em horas. Embora possa ocorrer em qualquer idade e também em DM2, a faixa jovem e a evolução rápida são típicas (ADA 2024; UpToDate; Harrison).
Por que as demais estão incorretas?
A – Afirma que há insulina suficiente para suprimir o glucagon. Na CAD ocorre o oposto: insulina insuficiente e glucagon elevado, o que impulsiona lipólise e cetogênese. Portanto, o enunciado contradiz a fisiopatologia (Kitabchi et al., ADA).
B – Encerrar insulina IV apenas por bicarbonato >15 mEq/L é inadequado. Critérios de resolução da CAD exigem: glicose <200 mg/dL + pelo menos 2: bicarbonato ≥15, pH >7,30, ânion gap ≤12. Além disso, deve haver sobreposição com insulina SC por 1–2 h antes de desligar a bomba (ADA 2024; UpToDate).
C – Define CAD por glicemia >350 e pH <7,0, o que é mais restritivo e incorreto. Critérios aceitos: glicose >250 mg/dL, pH <7,30, bicarbonato ≤18 mEq/L, ânion gap elevado e cetonemia. Ketonúria é útil, mas pode subestimar β-hidroxibutirato (ADA/Harrison).
Critérios diagnósticos (resumo prático): glicose >250 mg/dL; pH arterial <7,30; HCO₃⁻ ≤18 mEq/L; ânion gap >10–12; cetonemia/β-hidroxibutirato elevado. Gravidade: leve (pH 7,25–7,30; HCO₃⁻ 15–18), moderada (pH 7,00–7,24), grave (pH <7,00; HCO₃⁻ <10).
Conduta essencial (alta frequência em provas):
- Reposição volêmica: SF 0,9% 15–20 mL/kg na 1ª hora; depois ajustar conforme Na corrigido e estado hemodinâmico.
- Insulina IV: 0,1 U/kg/h (bolus opcional); reduzir glicemia 50–75 mg/dL/h.
- Potássio: repor se K⁺ <5,2; não iniciar insulina se K⁺ <3,3 até corrigir.
- Glicose: quando glicemia <200 mg/dL, adicionar dextrose 5–10% e manter insulina até fechar ânion gap.
- Bicarbonato: apenas se pH <6,9 (controverso).
- Tratar gatilho: infecção, erro de dose de insulina, IAM, etc.
Pegadinhas e estratégia: não use pH <7,0 para “definir” CAD; esse valor indica gravidade. Não desligue insulina IV só pelo bicarbonato. Lembre-se de sobrepor insulina SC antes de cessar a infusão.
Referências: ADA Standards of Care in Diabetes 2024; UpToDate (Diabetic ketoacidosis in adults); Harrison’s Principles of Internal Medicine.
Gabarito: D.
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