Ao defender a tese de que o ato criativo não é algo que envo...
Leia o texto abaixo para responder às questões de 1 a 7.
O eterno impulso de criar
O que inspira os seres humanos a deixarem sua marca no mundo? A busca por imortalidade? O temor de ser esquecido?
Seja qual for a resposta, esse impulso já existia há dezenas de milhares de anos, conforme atestam pinturas rupestres na ilha Sulawesi, na Indonésia. Uma nova pesquisa, cujos detalhes foram publicados na "Nature", sugere que essas pinturas têm pelo menos 39.900 anos.
Anteriormente, pensava-se que a arte rupestre surgira há no máximo 10 mil anos, porém os pesquisadores usaram uma técnica de datação com urânio para analisar as pinturas de 12 mãos humanas e duas representações figurativas de animais. Conforme explicou o Times, as novas datas "desafiam a antiga opinião" de que a Europa Ocidental era o centro de criatividade naquela época.
Independentemente da origem, a expressão criativa é um elemento central na experiência humana, e três designers de joias recentemente entrevistados pelo Times encamparam a missão de atualizar uma antiga tradição artística.
Amedeo Scognamiglio e Wilfredo Rosado estão transformando uma forma de arte que existe há séculos: esculpir imagens para camafeus em conchas, corais e pedras vulcânicas do Mediterrâneo.
Essa forma de arte antigamente era usada "para representar deuses romanos, animais exóticos, buquês florais ou a aristocracia nobre europeia", observou o Times. Hoje em dia, Scognamiglio vende suas criações, como anéis, colares e fivelas de cintos, em suas lojas em Nova York e Tóquio.
[...]
Para muitos artistas e escritores, a arte de criar não só envolve alma, como também aspectos práticos como prazos a cumprir e perseverança. Conforme escreveu recentemente o colunista David Brooks, do Times, o pensamento imaginativo frequentemente é resultado de rotina e disciplina.
Maya Angelou, por exemplo, que sempre acorda às 6h, fica escrevendo em seu escritório doméstico das 7h até pelo menos a hora do almoço. John Cheever e Anthony Trollope também seguiam rotinas para escrever, citou Brooks. Esses criadores "pensam como artistas, porém trabalham como contadores", comparou ele.
"As pessoas que levam uma vida minuciosa e rotineira são mal consideradas em nossa cultura", comentou Brooks. "No entanto, a vida é paradoxal."
Sem dúvida. A poesia pode vir à mente em instantes fugazes. Mas às vezes a inspiração precisa ter um prazo.
Tess Felder
The New York Times/Folha de S.Paulo, 28/10/2014
Ao defender a tese de que o ato criativo não é algo que envolve somente a inspiração, a autora do texto sugere que, para muitos artistas,
Gabarito comentado
Confira o gabarito comentado por um dos nossos professores
Tema central da questão: Interpretação de texto.
A questão exige analisar a ideia central do texto: a autora sugere que o ato criativo, para artistas e escritores, não depende somente da inspiração, da “alma”, mas também de elementos concretos como prazos, métodos e disciplina. Trata-se de distinguir o que está realmente sustentado pelo texto e evitar inferências baseadas apenas em palavras soltas.
Justificativa da alternativa correta (C):
A alternativa C destaca que ter algo mais concreto, como prazo ou método, é fundamental para a concretização da arte e da motivação do artista. Essa compreensão se embasa no trecho: “a arte de criar não só envolve alma, como também aspectos práticos como prazos a cumprir e perseverança”. Celso Cunha & Lindley Cintra (Nova Gramática) ensinam que a boa interpretação requer captar tanto o explícito quanto o implícito: é claramente dito que rutina e disciplina são necessárias ao lado da inspiração.
Análise das alternativas incorretas:
A) Errada, pois o texto não descarta a importância da “alma” (inspiração). Ele apenas a complementa com outros fatores. Dizer que o conceito de alma é totalmente vazio distorce a proposta da autora.
B) Também incorreta, pois defende que o mais importante ou exclusivo é “ter alma”. O texto afirma exatamente o oposto: é fundamental aliar inspiração à disciplina para materializar a criatividade.
D) Incorreta, pois não há negativa da existência da alma; o texto valoriza o aspecto prático ao lado do espiritual, nunca em substituição ou exclusão total deste.
Dica de prova: Cuidado com alternativas que absolutizam ou negam ideias: a norma culta e a boa interpretação textual recomendam buscar a conjunção de fatores (“não só..., como também...”, “além de...”) e dar preferência ao equilíbrio argumentativo expresso pelo autor.
Resumo: A alternativa C é a correta, pois traduz a ideia de equilíbrio entre inspiração e disciplina, valorizando ambos para a realização criativa, conforme ensinam as principais gramáticas e manuais de redação. Isso demonstra domínio de coesão, coerência e da estratégia argumentativa do texto.
Gostou do comentário? Deixe sua avaliação aqui embaixo!
Clique para visualizar este gabarito
Visualize o gabarito desta questão clicando no botão abaixo