Sobre a atuação do setor público em economias de mercado, a...

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Q3882022 Economia
Sobre a atuação do setor público em economias de mercado, avalie as afirmativas a seguir e assinale (V) para a verdadeira e (F) para a falsa.

( ) Em presença de bens públicos puros, caracterizados pela nãorivalidade e não-exclusão, a atuação do mercado competitivo tende à suboferta desses bens devido ao problema do “carona”, o que justifica a função alocativa do governo.
( ) A função distributiva do Estado é realizada principalmente por meio da política monetária, conduzida pelo Banco Central, que altera a taxa de juros para promover redistribuição de renda entre grupos sociais.
( ) Em uma economia perfeitamente competitiva, sem externalidades, bens públicos, poder de mercado ou assimetrias de informação, a intervenção governamental via controle de preços (tabelamento máximo ou mínimo) tende a gerar perda de eficiência em relação ao equilíbrio de mercado descentralizado.
( ) A adoção de impostos progressivos e transferências focalizadas para reduzir a desigualdade de renda ilustra a função distributiva do Estado, mas a teoria da economia do setor público demonstra que tais políticas são sempre ineficientes do ponto de vista do bem-estar social.

As afirmativas são, respectivamente,
Alternativas

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1. (V) Em presença de bens públicos puros... a atuação do mercado tende à suboferta... o que justifica a função alocativa.

  • Por que está correta: Bens públicos puros têm duas características: não-rivalidade (o consumo de um não reduz o do outro) e não-exclusão (impossível impedir alguém de usar). Isso gera o "carona" (free-rider): ninguém quer pagar se pode usar de graça. O setor privado não tem incentivo para produzir, restando ao Estado a Função Alocativa (oferecer bens que o mercado não oferece ou oferece mal).

2. (F) A função distributiva do Estado é realizada principalmente por meio da política monetária...

  • Por que está errada: A função distributiva (ajustar a distribuição de renda) é feita primordialmente por política fiscal (impostos progressivos, transferências como Bolsa Família, gastos sociais). A política monetária (juros/BACEN) foca na estabilidade de preços (Função Estabilizadora). Embora o juro afete a renda, ele não é o instrumento principal nem o objetivo direto da distribuição.

3. (V) Em uma economia perfeitamente competitiva... a intervenção governamental via controle de preços tende a gerar perda de eficiência...

  • Por que está correta: Este é o Primeiro Teorema do Bem-Estar. Se não há falhas de mercado (sem externalidades, sem monopólios, etc.), o equilíbrio de mercado é "Pareto-eficiente". Qualquer tabelamento de preço (máximo ou mínimo) cria um peso morto (ineficiência), pois impede trocas que seriam vantajosas para ambas as partes.

4. (F) ...a teoria da economia do setor público demonstra que tais políticas são SEMPRE ineficientes do ponto de vista do bem-estar social.

  • Por que está errada: O erro está no "sempre". Embora impostos possam gerar distorções (ineficiência técnica), o "bem-estar social" em economia não é apenas eficiência de Pareto, mas também equidade. Pela ótica de funções de bem-estar social (como a de Rawls ou a Utilitarista), uma redistribuição que reduz a desigualdade pode aumentar o bem-estar social agregado, mesmo que gere alguma perda de eficiência alocativa.
  1. Alocativa: Corrige falhas de mercado (bens públicos, externalidades, monopólios). O foco é "o que produzir".
  2. Distributiva: Ajusta a renda (impostos e transferências). O foco é "para quem produzir".
  3. Estabilizadora: Combate inflação e desemprego (macroeconomia). O foco é o "equilíbrio da moeda e do pleno emprego".

O pulo do gato: A banca frequentemente atribui ferramentas da função estabilizadora (como taxa de juros) à função distributiva, ou diz que a função alocativa serve para reduzir a pobreza (quando, na verdade, ela serve para corrigir a oferta de produtos/serviços que o mercado ignora). Além disso, fique atento a palavras extremas como "sempre" ou "nunca", que geralmente invalidam itens sobre teoria econômica.

A alternativa correta é a D (V – F – V – F).

Vamos analisar detalhadamente cada uma das afirmativas com base na teoria econômica do setor público:

  • (V) Primeira afirmativa: Os bens públicos puros são marcados pela não rivalidade (o consumo de um indivíduo não reduz a quantidade para os outros) e não exclusão (não é possível impedir quem não paga de usar). Isso gera o "problema do carona" (free rider), onde indivíduos usufruem do bem sem pagar por ele, o que desestimula as empresas privadas de ofertarem esses bens, gerando uma suboferta no livre mercado. Assim, o governo atua como ofertante/financiador desses bens públicos para corrigir essa falha de mercado, exercendo sua função alocativa.

  • (F) Segunda afirmativa: A função distributiva do Estado, que visa reduzir diferenças econômicas e sociais e tornar a distribuição de renda mais justa, não é realizada principalmente pela política monetária. Os instrumentos da função distributiva são as transferências, os tributos (impostos) e os subsídios. A política monetária (conduzida pelo Banco Central através do controle da moeda e das taxas de juros) é um instrumento ligado à função estabilizadora, voltada para o controle da inflação, fomento ao nível de emprego e crescimento econômico.

  • (V) Terceira afirmativa: Em uma economia sem falhas de mercado (como externalidades, bens públicos, assimetrias ou monopólios), o sistema atinge o equilíbrio de forma que os excedentes do consumidor e do produtor sejam máximos. Se o governo intervir através do controle de preços (como um tabelamento de teto ou piso), o mercado perde o seu equilíbrio ótimo, gerando escassez permanente e causando uma perda de eficiência e de bem-estar para a sociedade (conhecida como perda por peso morto).

  • (F) Quarta afirmativa: Embora seja correto afirmar que a adoção de impostos progressivos e transferências (como programas sociais) exemplificam a função distributiva do Estado, é falso dizer que tais políticas são sempre ineficientes do ponto de vista do bem-estar social. Em mercados que operam livremente, a distribuição de renda pode acabar sendo eficiente do ponto de vista alocativo (onde ninguém melhora sem piorar o outro), mas extremamente injusta (ex: um indivíduo acumulando quase tudo). Logo, intervir para distribuir a renda busca justamente uma situação de maior justiça e bem-estar para a sociedade

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