Observe o seguinte segmento textual:“Clara Malraux conheceu ...
“Clara Malraux conheceu André Malraux quando este tinha 19 anos. De inteligência precoce, mentalidade inquieta e origem humilde, aquele voluntarioso autodidata ficou surpreso com aquela moça judia, independente e provocativa, além de culta, e se apaixonaram.”
Assinale a afirmativa correta sobre sua estruturação.
Gabarito comentado
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Gabarito: C
Fundamento decisivo: O decisivo é a coesão referencial no próprio trecho: em “Clara Malraux conheceu André Malraux quando este tinha 19 anos”, “este” retoma “André Malraux”; já “aquele” em “aquele voluntarioso autodidata” reapresenta esse personagem com valor de afastamento, compatível com o relato de fatos passados. Esse funcionamento textual sustenta a alternativa C e invalida as demais leituras.
- Em questões de coesão, localize primeiro o referente imediato dos demonstrativos no próprio período.
- Verifique se o item fala em valor possível do termo ou em valor exclusivo; alternativas com “uma das razões” tendem a ser mais compatíveis que as absolutas.
- Não confunda falta de informação externa sobre personagens com falha de estruturação textual.
- Quando a alternativa atribuir intenção ao texto, confirme se essa intenção está realmente sustentada pelo trecho, e não apenas sugerida por assimetria de informações.
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Comentários
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O pronome demonstrativo "aquele" possui três funções principais:
- Espacial: Indica o que está longe de quem fala e de quem ouve.
- Textual (Anafórica): Refere-se ao termo citado mais longe no texto (o primeiro de uma lista).
- Temporal: Refere-se a um passado remoto ou a uma época distante. Como o texto narra o encontro de duas figuras históricas (Clara e André Malraux) ocorrido há décadas, o uso de "aquele" para caracterizar o autodidata reforça esse distanciamento no tempo, conferindo um tom biográfico e retrospectivo à narrativa.
- A) Nomes próprios sem identificação: Não há falha. Em textos literários ou biográficos, os nomes próprios são os próprios referentes. A identificação (quem eles são) é construída pelos adjetivos e apostos ao longo do parágrafo.
- B) O pronome "este": Na norma culta, quando há dois referentes, "este" refere-se ao mais próximo (André Malraux) e "aquele" ao mais distante (Clara). No trecho, "este" refere-se corretamente ao último citado antes dele: André Malraux. A alternativa diz que se refere ao "primeiro", o que está gramaticalmente invertido.
- D) Referência de "De inteligência precoce": Esta é uma "pegadinha" de ambiguidade sintática. Embora o contexto sugira que seja André (pela sequência com "voluntarioso autodidata"), sintaticamente a expressão poderia, em tese, referir-se a Clara, dependendo da pontuação. No entanto, o erro da alternativa está na afirmação categórica "só pode referir-se", o que ignora que adjetivos em início de período podem gerar ambiguidade se não estiverem colados ao substantivo.
- E) Razão da paixão: O texto apresenta as qualidades de André (inteligência, mentalidade inquieta) e as de Clara (independente, provocativa, culta). Portanto, o autor justifica o interesse de ambos, culminando no verbo recíproco "se apaixonaram".
Para sua prova, memorize esta regra de ouro da coesão textual para dois elementos:
- AQUELE (Distante): Retoma o 1º elemento mencionado.
- ESTE (Próximo): Retoma o último elemento mencionado.
Não faz sentido ser a C
A alternativa C é a correta porque a FGV considera o uso do pronome "aquele" não apenas para distância espacial no texto (quem foi citado primeiro), mas também para distância temporal ou afetiva.
Por que a C? No trecho "aquele voluntarioso autodidata", o pronome "aquele" evoca a figura de André Malraux em um tempo passado, reforçando sua trajetória de vida (origem humilde, autodidata) que o transformou no homem que Clara conheceu. É a "distância" de uma vida inteira de esforço antes daquele encontro.
Por que a D está errada? Para a FGV, o adjunto "De inteligência precoce..." no início da frase gera ambiguidade sintática. Gramaticalmente, ele poderia se referir tanto a Clara quanto a André. Dizer que "só pode referir-se a André" torna a opção incorreta por ignorar a falha de construção do texto.
Por que a E está errada? A banca entende que os adjetivos de André (precoce, inquieto, humilde) também servem de justificativa para o interesse de Clara, não havendo uma "exclusividade" de razões apenas para um dos lados.
Nitidamente, no contexto, aquele se refere a andré e aquela a clara, inacreditável essa D está incorreta
De inteligência precoce, mentalidade inquieta e origem humilde, aquele voluntarioso autodidata.
2 PERSONAGENS - 1 MASCULINO E 1 FEMININO - PRONOME E ADJETIVOS MASCULINOS, porém, segundo a FGV, poderia estar retomando uma mulher.
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