Observadas as 8 linhas iniciais do texto, é correto afirmar:

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Q2905646 Português

Atenção: As questões de números 7 a 15 referem-se ao texto apresentado abaixo.


1.------------Os vadios eram um grupo infrator caracterizado,

-------antes de mais nada, por sua forma de vida. Era o fato de

-------não fazerem nada, ou de nada fazerem de forma

-------sistemática, que os tornava suspeitos ante a parte bem

5.-----organizada da sociedade. Por não terem laços – a família,

-------domicílio certo, vínculo empregatício –, constituíam um

-------grupo fluido e indistinto, difícil de controlar e até mesmo de

-------enquadrar. Passados os primeiros tempos dos descobertos

-------auríferos, quando, como disse o jesuíta Antonil, os arraiais

10.--.--foram “móveis como os filhos de Israel no deserto”, a

-------itinerância passou a ser cada vez mais tolerada. Em 1766

-------surge contra os vadios das Minas a primeira investida

-------oficial de que se tem notícia: uma carta régia dirigida em 22

-------de julho ao governador Luís Diogo Lobo da Silva, e incisiva

15.-.---na condenação da itinerância de vadios e da forma peculiar

-------de vida que escolhiam. Tais homens, dizia o documento,

-------vivem separados do convívio da sociedade civil, enfiados

-------nos sertões, em domicílios volantes, ou seja, sem

-------residência fixa. Isto não podia ser tolerado, e deveriam

20.---.-passar a viver em povoações que tivessem mais de

-------cinqüenta casas e o aparelho administrativo de praxe nas

-------vilas coloniais: juiz ordinário, vereadores etc. Uma vez

-------estabelecidos, ser-lhes-iam distribuídas terras adjacentes

-------ao povoado para que as cultivassem, e os que assim não

25.--.--procedessem seriam presos e tratados como salteadores

-------de caminhos e inimigos comuns.


(Laura de Mello e Souza. “Tensões sociais em Minas na segunda

metade do século XVIII”, In Tempo e história, org. Adauto

Novaes. São Paulo: Companhia das Letras/Secretaria Municipal da

Cultura, 1992. p. 358-359)

Observadas as 8 linhas iniciais do texto, é correto afirmar:

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Alternativas

Gabarito comentado

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Gabarito: B

Fundamento decisivo: O ponto que decide a questão é o valor semântico-discursivo da conjunção em "Era o fato de não fazerem nada, ou de nada fazerem de forma sistemática, que os tornava suspeitos": nesse contexto, "ou" não indica simples alternativa, mas reformulação retificadora/especificadora, porque o segundo segmento ajusta o primeiro e mostra que a suspeita recaía não só sobre a inatividade absoluta, mas também sobre a falta de atividade regular; por isso, a alternativa B é a correta.

Tema central: valor semântico-discursivo de "ou"
Análise das alternativas
A
Errada
Em "por sua forma de vida", a expressão preposicionada não funciona como explicação autônoma. Ela indica o aspecto pelo qual o grupo era caracterizado: "Os vadios eram um grupo infrator caracterizado, antes de mais nada, por sua forma de vida." O valor aí é de caracterização, não de explicação textual-discursiva.
B
Certa
A alternativa B acerta ao reconhecer que, no trecho citado, o segundo membro introduzido por "ou" refina a formulação anterior. O enunciado não opõe duas possibilidades excludentes; ele reexprime a ideia inicial para precisá-la: o problema era "não fazerem nada" ou, mais exatamente, "nada fazerem de forma sistemática". Esse uso de "ou" como reformulação retificadora/especificadora é o fundamento que sustenta o gabarito oficial.
C
Errada
Em "que os tornava suspeitos", a próclise está corretamente empregada por atração do relativo "que". Portanto, deslocar o pronome para depois do verbo (*que tornava-os suspeitos) contraria a preferência normativa indicada pela base. A alternativa erra ao afirmar que a ênclise atenderia ao que a gramática aconselha.
D
Errada
No trecho "suspeitos ante a parte bem organizada da sociedade", a preposição "ante" equivale a "diante de" ou "perante". Não há sentido de oposição ou confronto direto equivalente a "versus". A alternativa altera indevidamente o valor semântico da preposição no contexto.
E
Errada
A alternativa erra na conclusão ortográfica. A forma consagrada do particípio de "imbuir" é "imbuído", com acento. A analogia com "fluido" é indevida e não autoriza a grafia "imbuido". Portanto, a justificativa apresentada pela alternativa é falsa.
Pegadinha da questão
A banca explorou principalmente a tendência de ler "ou" apenas como conjunção de alternativa simples, quando, no trecho, ele introduz uma reformulação que corrige/especifica a ideia anterior.
Dica para questões semelhantes
  • Quando a questão cobrar conectivo, verifique se ele liga opções excludentes ou se está reformulando a ideia anterior no próprio contexto.
  • Não trate expressão preposicionada como explicação sem verificar sua função no período; ela pode apenas indicar critério de caracterização.
  • Em colocação pronominal, a presença de palavra atrativa como "que" favorece próclise e afasta a ideia de que a ênclise seja sempre preferível.
  • Confirme o sentido contextual de preposições e a forma consagrada de palavras antes de aceitar equivalências ou analogias gráficas.

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Comentários

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A alternativa correta para a questão é a B.

Abaixo, apresento a correção e a explicação detalhada de cada alternativa, com base nas regras gramaticais de regência, colocação pronominal, acentuação e semântica presentes nas fontes:

Alternativa B (Correta)

No segmento "Era o fato de não fazerem nada, ou de nada fazerem de forma sistemática", a conjunção "ou" introduz uma retificação do que se afirmou anteriormente.

Explicação: A conjunção "ou" pode assumir diversos valores semânticos, incluindo a retificação (equivalendo a "ou melhor"). No texto, o autor afirma primeiro que eles "não faziam nada", mas logo em seguida corrige ou refina essa ideia para "ou de nada fazerem de forma sistemática", tornando a afirmação mais precisa.

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Análise das Alternativas Incorretas

A) A expressão "por sua forma de vida" constitui uma explicação.

Erro: Sintaticamente, a expressão "por sua forma de vida" funciona como um adjunto adverbial de causa ou modo (o motivo da caracterização). Na gramática, o termo "explicação" é geralmente reservado para orações coordenadas explicativas (introduzidas por porque, que, pois) ou para o aposto explicativo (que esclarece um substantivo).

C) Em "que os tornava suspeitos", o deslocamento do pronome destacado para depois do verbo atenderia ao que a gramática aconselha como preferência.

Erro: O termo "que" é um pronome relativo, o que o torna uma palavra atrativa que exige obrigatoriamente a próclise (pronome antes do verbo). O deslocamento para depois do verbo (tornava-os) seria um erro gramatical grave segundo a norma culta padrão.

D) A preposição "ante" equivale a "versus".

Erro: A preposição "ante" indica uma relação de posição (diante de, em frente a) ou causa. Já a palavra "versus" denota oposição direta ou contra. No contexto, os vadios eram suspeitos "diante da" sociedade, e não necessariamente "em combate direto contra" ela.

E) Como em "fluido", a grafia do particípio do verbo "imbuir" não admite o acento, estando, portanto, correta a forma "imbuido".

Erro: O vocábulo "fluido" (substantivo ou adjetivo) é proferido como um ditongo (/ui/) e não leva acento. No entanto, o particípio do verbo imbuir (imbuído) é um hiato tônico (im-bu-í-do). Segundo a regra, acentuam-se o "i" e o "u" tônicos quando formam hiatos sozinhos na sílaba. Portanto, a forma correta é obrigatoriamente acentuada: imbuído.

Resumo para seu estudo:

1. Conjunção "OU": Nem sempre é exclusão; pode ser adição, retificação ou sinonímia.

2. Próclise Obrigatória: Pronomes relativos (que, qual, cujo, onde) sempre "puxam" o pronome para antes do verbo.

3. Hiatos e Ditongos: Palavras como fluido, gratuito e fortuito são ditongos (sem acento); palavras como imbuído, saída e saúde são hiatos (com acento).

Fonte: Minhas referências no notebookLM:

"A Gramatica para concursos" de Fernando Pestana

"Moderna Gramática Portuguesa" de Evanildo Bechara

VOU SER O RAI MAGO!!!

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