Um paciente de 45 anos de idade, pedreiro, tabagista, atendi...
Um paciente de 45 anos de idade, pedreiro, tabagista, atendimento em pronto-socorro em razão de dor e abaulamento na região inguinal direita há cerca de três meses, com piora nas últimas 24 horas. Nega histórico de comorbidades. Ao exame físico, encontra-se em bom estado geral, normocorado, com sinais vitais estáveis, tais como FC = 70 bpm, FR = 16 irpm e SatO2 = 99%. Apresenta abdome flácido, indolor e sem sinais de peritonismo. Na região inguinal direita, nota-se abaulamento, que desloca o dedo de lateral para medial, redutível.
Em relação a esse caso clínico, a hérnias inguinais e aos conhecimentos médicos correlatos, julgue o item a seguir.
Todas as hérnias encarceradas devem ser operadas em critério de urgência.
Gabarito comentado
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Gabarito: E (Errado)
Tema central: Manejo de hérnia inguinal encarcerada — situação em que o conteúdo herniado não retorna espontaneamente à cavidade abdominal, tornando-se irredutível. Porém, nem todas as hérnias encarceradas são emergência cirúrgica imediata; é preciso avaliar sinais clínicos para definir conduta.
Raciocínio clínico: No caso apresentado, o paciente está estável, sem sinais sistêmicos ou sofrimento do conteúdo herniado.
Segundo o Manual de Condutas (Secretaria Municipal de Saúde de São Paulo, p. 260), recomenda-se: “Na ausência de sinais de estrangulamento, pode-se tentar redução manual da hérnia. Se bem-sucedida, a cirurgia pode ser agendada de forma eletiva.”
Pegadinha: O erro comum está em generalizar o manejo cirúrgico de urgência para todas as hérnias encarceradas. Na verdade, a urgência é obrigatória para casos com sinais de estrangulamento (isquemia/sofrimento do conteúdo herniário): dor intensa, sinais flogísticos, sinais sistêmicos, peritonite, ou falha da redução manual.
Alternativa correta – “Errado”:
A afirmação está incorreta porque nem toda hérnia encarcerada exige cirurgia imediata. Nos pacientes sem sinais de complicação, a redução manual pode ser tentada com segurança e, se bem-sucedida, a cirurgia é programada.
Alternativa errada – “Certo”:
Está equivocada porque desconsidera as recomendações atuais, que individualizam a conduta segundo o quadro clínico. Agir assim geraria cirurgias desnecessárias e risco desproporcional.
Diretrizes e referências:
O Manual de Condutas e consensos internacionais, como do UpToDate e do Sabiston – Tratado de Cirurgia, confirmam: “A cirurgia de urgência está indicada em encarceramento não redutível e/ou sinais de estrangulamento” (Sabiston, 21ª ed., Cap. 47).
Dica de prova: Sempre procure, no enunciado, sinais de gravidade ou sofrimento tecidual antes de julgar por urgência cirúrgica. Termos como “reduzível” ou “sem dor intensa” devem chamar sua atenção!
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