Um paciente de 45 anos de idade, pedreiro, tabagista, atendi...

Próximas questões
Com base no mesmo assunto
Ano: 2020 Banca: IADES Órgão: SES-DF Prova: IADES - 2020 - SES-DF - Grupo 003 |
Q1673877 Medicina

Um paciente de 45 anos de idade, pedreiro, tabagista, atendimento em pronto-socorro em razão de dor e abaulamento na região inguinal direita há cerca de três meses, com piora nas últimas 24 horas. Nega histórico de comorbidades. Ao exame físico, encontra-se em bom estado geral, normocorado, com sinais vitais estáveis, tais como FC = 70 bpm, FR = 16 irpm e SatO2 = 99%. Apresenta abdome flácido, indolor e sem sinais de peritonismo. Na região inguinal direita, nota-se abaulamento, que desloca o dedo de lateral para medial, redutível.


Em relação a esse caso clínico, a hérnias inguinais e aos conhecimentos médicos correlatos, julgue o item a seguir.
Todas as hérnias encarceradas devem ser operadas em critério de urgência.
Alternativas

Gabarito comentado

Confira o gabarito comentado por um dos nossos professores

Gabarito: E (Errado)

Tema central: Manejo de hérnia inguinal encarcerada — situação em que o conteúdo herniado não retorna espontaneamente à cavidade abdominal, tornando-se irredutível. Porém, nem todas as hérnias encarceradas são emergência cirúrgica imediata; é preciso avaliar sinais clínicos para definir conduta.

Raciocínio clínico: No caso apresentado, o paciente está estável, sem sinais sistêmicos ou sofrimento do conteúdo herniado.
Segundo o Manual de Condutas (Secretaria Municipal de Saúde de São Paulo, p. 260), recomenda-se: “Na ausência de sinais de estrangulamento, pode-se tentar redução manual da hérnia. Se bem-sucedida, a cirurgia pode ser agendada de forma eletiva.”

Pegadinha: O erro comum está em generalizar o manejo cirúrgico de urgência para todas as hérnias encarceradas. Na verdade, a urgência é obrigatória para casos com sinais de estrangulamento (isquemia/sofrimento do conteúdo herniário): dor intensa, sinais flogísticos, sinais sistêmicos, peritonite, ou falha da redução manual.

Alternativa correta – “Errado”:
A afirmação está incorreta porque nem toda hérnia encarcerada exige cirurgia imediata. Nos pacientes sem sinais de complicação, a redução manual pode ser tentada com segurança e, se bem-sucedida, a cirurgia é programada.

Alternativa errada – “Certo”:
Está equivocada porque desconsidera as recomendações atuais, que individualizam a conduta segundo o quadro clínico. Agir assim geraria cirurgias desnecessárias e risco desproporcional.

Diretrizes e referências:
O Manual de Condutas e consensos internacionais, como do UpToDate e do Sabiston – Tratado de Cirurgia, confirmam: “A cirurgia de urgência está indicada em encarceramento não redutível e/ou sinais de estrangulamento” (Sabiston, 21ª ed., Cap. 47).

Dica de prova: Sempre procure, no enunciado, sinais de gravidade ou sofrimento tecidual antes de julgar por urgência cirúrgica. Termos como “reduzível” ou “sem dor intensa” devem chamar sua atenção!

Gostou do comentário? Deixe sua avaliação aqui embaixo!

Clique para visualizar este gabarito

Visualize o gabarito desta questão clicando no botão abaixo

Comentários

Veja os comentários dos nossos alunos

A afirmação apresentada na questão é incorreta. Nem todas as hérnias encarceradas requerem cirurgia de urgência e essa decisão depende de cada caso clínico. A hérnia inguinal é uma protrusão de tecido através da parede abdominal na região inguinal. Quando ocorre um encarceramento, significa que o conteúdo herniado fica preso na parede abdominal, o que pode causar dor, desconforto e até mesmo comprometimento circulatório. Porém, nem todos os casos de encarceramento requerem cirurgia de urgência. Em alguns casos, pode-se realizar uma manobra para reduzir a hérnia sem a necessidade de cirurgia imediata. A decisão de realizar a cirurgia imediatamente dependerá da avaliação clínica do paciente, do tempo de encarceramento, da presença de sintomas e do risco de complicações.

Clique para visualizar este comentário

Visualize os comentários desta questão clicando no botão abaixo