"E, sem querer ouvir não, / O forte ao mais fraco vence ." ...

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Q3702351 Português

 O LOBO E O CORDEIRO


Maria Alice Mendes de Oliveira Armelin

Quando a razão não convence,

A força se torna razão

E, sem querer ouvir não,

O forte ao mais fraco vence.

Assim se deu certo dia,

Quando um tenro cordeirinho,

Feliz, bebia tranquilo

Num riacho cristalino.

Eis que chega um feroz lobo

À margem do tal riacho

E, vendo o pobre a beber,

Pensou como seria bom

Matar a sede e comer.

E sem demora ergueu a voz,

Surpreendendo o coitado:

"Por que turvas minha água?

Quem te fez assim ousado

Pra te indispores comigo?

Tua temeridade merece castigo!"

E o cordeiro com humildade

Contestou o lobo num aparte:

"Se estou vinte passos abaixo

E a água corre para cá,

Perdão, então como posso

A vossa água sujar?"

"Mas sujas", disse o malvado.

"E até pior: me contaram

que falaste mal de mim

durante o ano passado!"

"Eu, senhor?!

Não pode ter sido.

No ano passado, nem era nascido!"

"Então foi teu irmão, teu pai

ou algum outro parente!",

retrucou o lobo impaciente.

E, antes que o outro replicasse,

o lobo resolveu o impasse:

saltou ágil e num golpe só

abateu o cordeiro e devorou sem dó!


(Fonte: Entre na roda: oficina 2. São Paulo: Cenpec/FVW, 2006, p. 52)

"E, sem querer ouvir não, / O forte ao mais fraco vence ."


Analisando a oração destacada no período acima, fica CORRETA a seguinte alternativa: 

Alternativas

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Tema central da questão:
A questão trata de análise sintática, mais especificamente da identificação de sujeito, verbo e objeto em uma oração. O foco é reconhecer o que é objeto direto preposicionado e como ele funciona em relação ao verbo.

Justificativa da alternativa correta (C):
Pela norma-padrão, o verbo “vencer” funciona como verbo transitivo direto, ou seja, exige um complemento (o que é vencido) sem obrigatoriedade de preposição. No entanto, há situações em que se utiliza preposição por estilo, clareza ou ênfase – o chamado objeto direto preposicionado (consultar: Bechara, Moderna Gramática Portuguesa).

Na frase “O forte ao mais fraco vence.” temos:

  • Sujeito: “O forte” (quem pratica a ação: o vencedor).
  • Verbo: “vence” (verbo transitivo direto).
  • Objeto direto preposicionado: “ao mais fraco” (sofre a ação, recebe o verbo; preposição “a” é usada para destacar e evitar ambiguidade).

Regra chave: O objeto direto preposicionado aparece para dar ênfase, diferenciar do sujeito ou evitar cacófatos; mas continua sendo objeto direto.

Exemplo semelhante: “Venci aos desafios do ofício.” – Os desafios são objeto direto preposicionado.

Análise das alternativas incorretas:

  • A e E: “Ao mais fraco” não pode ser sujeito; sujeito nunca é preposicionado.
  • B: “Ao mais fraco” não é complemento nominal (quem sofre a ação não é termo de nome, e sim, do verbo).
  • D: Não é objeto indireto. O objeto indireto depende de verbo transitivo indireto e normalmente responde a “a quem?”, “para quem?”, o que não é o caso de “vencer”.

Dicas de prova e possíveis pegadinhas:
Muita atenção quando aparecer preposição antes do complemento do verbo: sujeito nunca é preposicionado. E nem sempre toda preposição indica objeto indireto!
Lembre: Quem vence, vence algo/alguém (objeto direto, que pode ser preposicionado para ênfase).

Referências: Bechara, Moderna Gramática Portuguesa; Cunha & Cintra, Nova Gramática do Português Contemporâneo.

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Sujeito: o forte

Verbo: vence transitivo direto

Objeto direto preposicionado: ao mais fraco.



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