A violência obstétrica é uma tipificação de violência contr...

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Q3331124 Sociologia
A violência obstétrica é uma tipificação de violência contra a mulher que se expressa durante o processo de gestação, parto e puerpério, seja de forma psicológica ou física, tendo por atores a própria mulher, e/ou os profissionais de saúde, independente do gênero. Uma dessas expressões está, por exemplo, na ideia de que mulheres negras são mais resistentes à dor, muitas vezes não necessitando de anestesia durante o nascimento dos seus filhos. Para a prática de profissional em saúde, um conhecimento restrito à da área de química não seria suficiente para identificar um caso de violência obstétrica na situação como a descrita acima. Considerando essa abordagem, uma análise interseccional:
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Alternativa correta: E - permite considerar gênero, raça e classe para compreender o processo de violência obstétrica.

1. Tema central da questão

A questão aborda a violência obstétrica, conectando-a ao conceito de interseccionalidade. O tema exige compreender como diferentes formas de desigualdade (gênero, raça e classe) se combinam para impactar a experiência das mulheres, especialmente no contexto da saúde.

2. Resumo teórico

A interseccionalidade é um conceito criado por Kimberlé Crenshaw, fundamental para analisar como múltiplos marcadores sociais (como gênero, raça e classe) se entrelaçam, resultando em experiências diversas de opressão ou privilégio (referência: Crenshaw, 1989). No caso da violência obstétrica, isso significa reconhecer que mulheres negras, pobres e periféricas enfrentam violências específicas, diferentes daquelas vividas por mulheres brancas ou de classes privilegiadas.

Instituições como a Organização Mundial da Saúde também reconhecem a necessidade de considerar esses marcadores para combater desigualdades em saúde.

3. Justificativa da alternativa correta

A alternativa E está correta porque só uma análise interseccional permite compreender como gênero, raça e classe se combinam para gerar diferentes formas de violência obstétrica. Apenas assim é possível reconhecer que, por exemplo, o mito de que mulheres negras suportam mais dor é fruto de racismo e sexismo, exigindo abordagens específicas.

4. Análise das alternativas incorretas

A: Errada, pois interseccionalidade não homogeneíza, mas diferencia as experiências.

B: Errada, pois não se trata de universalizar demandas, e sim atentar para especificidades de classe e raça.

C: Errada, porque não se restringe a “todas as mulheres indistintamente”, mas sim à diversidade entre elas.

D: Errada, pois interseccionalidade não busca hierarquizar vivências, e sim analisá-las em conjunto.

5. Dicas de interpretação

Fique atento a termos como “homogeneizar” ou “indistintamente”, que indicam generalização. A interseccionalidade visa sempre considerar diferenças e especificidades, nunca uniformizar experiências.

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