Embora me arraste ao nível do solo... O verbo empregado nos ...
Atenção: As questões de números 1 a 5 referem-se ao texto abaixo.
Não cometo esse erro tão comum de julgar os outros por mim. Acredito de bom grado que o que está nos outros possa divergir essencialmente daquilo que está em mim. Não obrigo ninguém a agir como ajo e concebo mil e uma maneiras diferentes de viver; e, contrariamente ao que ocorre em geral, espantam-me bem menos as diferenças entre nós do que as semelhanças. Não imponho a outrem nem meu modo de vida nem meus princípios; encaro-o tal qual é, sem estabelecer comparações. O fato de não ser continente não me impede de admirar e aprovar os Feuillants* e os capuchinhos que o são; pela imaginação ponho-me muito bem em sua pele e os estimo e honro tanto mais quanto divergem de mim. Aspiro particularmente a que julguem cada qual como é, sem estabelecer paralelos com modelos tirados do comum. Minha fraqueza não altera absolutamente o apreço em que deva ter quem possui força e vigor. Embora me arraste ao nível do solo, não deixo de perceber nas nuvens, por mais alto que se elevem, certas almas que se distinguem pelo heroísmo. Já é muito para mim ter o julgamento justo, ainda que não o acompanhem minhas ações, e manter ao menos assim incorruptível essa qualidade. Já é muito ter boa vontade, mesmo quando as pernas fraquejam.
*Ordem religiosa.
(Extraído de MONTAIGNE, Michel de. “Catão, o jovem”, Ensaios, trad. Sérgio Milliet, São Paulo, Nova Cultural, 1996, p. 213)
Embora me arraste ao nível do solo...
O verbo empregado nos mesmos tempo e modo que o verbo grifado acima está também grifado em:
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Gabarito comentado
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Tema central da questão: Trata-se de uma questão de morfologia verbal, que exige do candidato a identificação correta do tempo e modo dos verbos, especialmente distinguindo o presente do subjuntivo do presente do indicativo.
Regra normativa envolvida: Conforme Bechara, o modo subjuntivo expressa hipóteses, desejos, incertezas ou fatos não concretizados, enquanto o indicativo indica certeza ou fatos realizados. O presente do subjuntivo indica ação presente ou futura incerta, geralmente dependente de um termo subordinante, como “embora”, “que”, “caso”.
Análise do verbo da frase original:
Em “Embora me arraste ao nível do solo...”, o termo “embora” exige o presente do subjuntivo (“arraste”). Exemplo da conjugação: (que) eu arraste.
Alternativa correta – D:
Em “Aspiro particularmente a que julguem cada qual como é...”, temos: julguem, presente do subjuntivo, terceira pessoa do plural do verbo julgar, desencadeado pelo conector “que”. Ambos expressam desejo ou possibilidade, não um fato concreto.
Alternativas incorretas:
- A) impede – Presente do indicativo (fato certo, realizado).
- B) ocorre – Presente do indicativo (certeza, fato).
- C) fraquejam – Presente do indicativo (ação do sujeito, fato real).
- E) cometo – Presente do indicativo (afirmação de certeza).
Todas essas alternativas estão no presente do indicativo, enquanto o enunciado buscava o presente do subjuntivo.
Dica de atenção e estratégia: Fique atento a conjunções como “embora”, “que”, “talvez”, que normalmente introduzem o modo subjuntivo, ajudando a identificar rapidamente o tempo e modo verbal nas provas. Questões desse tipo avaliam não só a memorização de regras, mas a capacidade de análise contextual.
Resumo: A alternativa correta é D porque “julguem” está no mesmo tempo e modo (presente do subjuntivo) que “arraste”.
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Gabarito (E) -> presente do subjuntivo.
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