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Q3510428 Biomedicina - Análises Clínicas
O consumo do açaí nos estados da Amazônia Legal está associado aos casos de doença de Chagas aguda (DCA) nessa região. Qual método de escolha é utilizado para o diagnóstico de DCA em um paciente com menos de uma semana de sintomas?
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Tema central: diagnóstico da Doença de Chagas Aguda (DCA) por provável transmissão oral (ex.: consumo de açaí), em menos de 1 semana de sintomas. Na fase aguda inicial há parasitemia elevada, favorecendo métodos parasitológicos diretos.

Alternativa correta: D – Direto a fresco

O exame direto a fresco (gota de sangue capilar/venoso sob lamínula, observação de Trypanosoma cruzi móveis) é o método de escolha na primeira semana de sintomas, pois é rápido, barato e tem alta sensibilidade quando a parasitemia é alta. A visualização do tripomastigota confirma o diagnóstico na fase aguda. Diretrizes do Ministério da Saúde (Brasil), PAHO/OMS e fontes como UpToDate e Harrison’s reforçam que, na fase aguda, a prioridade é a detecção direta do parasito no sangue (exame a fresco, micro-hematócrito/Strout).

Por que as outras alternativas estão incorretas?

A – Gota espessa: embora possa ocasionalmente mostrar tripomastigotas, é um método otimizado para malária e, para DCA, é menos sensível que o direto a fresco nas primeiras horas/dias, além de exigir coloração e mais tempo. É alternativa apenas quando o exame direto ou métodos de concentração não estão disponíveis.

B – Imunofluorescência (IFI): método sorológico. Na primeira semana, a produção de anticorpos (IgM/IgG) pode ser insuficiente, gerando resultados falsamente negativos. Na DCA, a sorologia é útil para confirmar casos com parasitologia negativa ou em fases posteriores.

C – ELISA: também sorológico. Tem melhor desempenho após a segunda semana e na fase crônica. Não é o método de escolha no início do quadro por risco de negatividade precoce.

Dicas de prova e raciocínio clínico

- Palavra-chave: “menos de uma semana” → escolha parasitologia direta (exame a fresco > micro-hematócrito/Strout).

- Transmissão oral (açaí) costuma causar surtos com febre, mialgia, edema facial, hepatosplenomegalia e pode haver miocardite aguda. O sinal de Romaña é menos frequente que na via vetorial.

- Se o direto for negativo, repetir e usar métodos de concentração (micro-hematócrito/Strout). A sorologia auxilia após a primeira semana ou para confirmação.

- Diagnóstico precoce permite tratamento específico (benznidazol ou nifurtimox) conforme Ministério da Saúde/PAHO/UpToDate.

Referências úteis: Ministério da Saúde – Guia de Vigilância da DCA; PAHO/OMS – Chagas Disease Guidelines; UpToDate – Acute Chagas disease: diagnosis; Harrison’s Principles of Internal Medicine.

Gabarito: D – Direto a fresco.

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