“As propostas dos ecologistas de energias alternativas [...]...
clusão e a miséria, o egoísmo e o desperdício amea-
çam a vida no planeta. Enquanto a desertificação avan-
ça (inclusive em 14 municípios do Noroeste do Estado
5 do Rio), a camada protetora de ozônio diminui, expon-
do os corpos às radiações cancerígenas. Enquanto a
temperatura global aumenta devido às queimadas, aos
combustíveis fósseis e ao carvão mineral, o ar puro e
a água limpa tornam-se raros e caros.
10 Chegamos à artificialização da natureza: se a água
da praia está podre, vá de piscinão; se a água da tor-
neira cheira mal, tome água mineral; se o ar no inver-
no causa doenças respiratórias, compre um cilindro
de oxigênio; se um espigão tirou a paisagem, ponha
15 vasos de plantas na janela; se a poluição sonora tira o
sono, vá de vidro duplo e protetor de ouvidos. Os
governantes juram ser ecologistas desde a mais tenra
idade, mas aprovam leis do barulho, termelétricas a
carvão (em Itaguaí – RJ), desviam para asfalto e es-
20 tradas R$ 200 milhões dos royalties do petróleo, ca-
rimbados para defender rios e lagoas, demarcar par-
ques e despoluir a Baía de Sepetiba. As propostas dos
ecologistas de energias alternativas, como a solar e a
eólica, de eficiência energética e cogeração, de apro-
25 veitamento do lixo e do bagaço de cana para geração
energética foram desprezadas pelo governo federal,
e só com a crise previsível passaram a ser considera-
das com um pouco mais de respeito.
As propostas ambientalistas de reflorestamento
30 de encostas, reciclagem de lixo, especialmente garra-
fas PET, instalação dos comitês de bacia hidrográfica,
drenagem, dragagem e demarcação das faixas mar-
ginais de proteção das lagoas são cozinhadas em
banho-maria e tiradas da gaveta a cada tragédia de
35 inundações e desabamentos. O Rio tem a lei mais
avançada do país de coleta, recompra e reciclagem
de plástico e de PET (3.369, de janeiro de 2000), mas
recuperamos apenas 130 milhões dos 600 milhões de
embalagens PET vendidas anualmente. Parte de 470
40 milhões restantes entopem canais, rios e provocam
inundações, quando poderiam gerar 20 mil empregos
em cooperativas de catadores e uma fábrica de
reciclagem (há 18 delas no país, nenhuma no Rio).
Nossa lei estadual de recursos hídricos está em vigor
45 há dois anos e meio, mas a efetiva instalação dos co-
mitês de bacia, com participação de governos, empre-
sas, usuários e ambientalistas está emperrada, assim
como a cobrança pelos usos da água.
Sem comitês atuando e sem recursos próprios,
50 não há como monitorar a qualidade, arbitrar o uso
múltiplo da água, reconstituir as matas ciliares (como
os cílios que protegem os olhos), evitar aterros e lan-
çamentos de lixo e esgoto. Ainda não dispomos de
uma informação clara, atualizada, contínua e indepen-
55 dente da qualidade da água que bebemos.
Nossos governantes devem aprender a fórmula
H2O para entender que na torneira a composição é
outra. A principal causa da mortalidade infantil no Ter-
ceiro Mundo são as doenças de veiculação hídrica,
60 como hepatite e diarreia. Água é vida, e saneamento,
tratamento e prevenção são as maiores prioridades.
Se falharmos aí, trairemos o compromisso com a saú-
de e com a vida do planeta.
MINC, Carlos. O Globo, 04 out.02.
- Gabarito Comentado (1)
- Aulas (3)
- Comentários (1)
- Estatísticas
- Cadernos
- Criar anotações
- Notificar Erro
Gabarito comentado
Confira o gabarito comentado por um dos nossos professores
Tema central: Voz passiva sintética (ou pronominal), concordância verbal e partícula apassivadora “se” — conteúdos essenciais para a redação formal e interpretação correta de textos técnicos e administrativos, elementos muito cobrados em concursos públicos.
Justificativa da alternativa correta (A):
A frase original está na voz passiva analítica: “As propostas foram desprezadas.” Uma de suas formas equivalentes é a voz passiva sintética, que emprega o verbo transitivo direto acompanhado do “se” (partícula apassivadora), exigindo concordância entre verbo e o sujeito paciente.
Assim, “Desprezaram-se as propostas [...]” é a construção correta: verbo no plural (“desprezaram”) concordando com o sujeito paciente plural (“as propostas”), conforme a regra da gramática normativa (Bechara; Cunha & Cintra).
Análise das alternativas incorretas:
- B) “Desprezou-se as propostas [...]” – erro de concordância verbal. O verbo está no singular, enquanto o sujeito (“as propostas”) está no plural. NÃO pode haver discordância aqui.
- C) “Desprezam-se as propostas [...]” – altera o tempo verbal original para o presente, causando mudança de sentido/temporalidade.
- D) “Desprezavam-se as propostas [...]” – altera o tempo para o pretérito imperfeito, trazendo a ideia de hábito/repetição, e não de fato ocorrido e pontual, como na frase original.
- E) “Desprezar-se-iam as propostas [...]” – está no futuro do pretérito, sugerindo hipótese/condição, mudando completamente o sentido.
Estratégia para concursos: Sempre que a questão pedir reescritura na voz passiva, identifique o sujeito da ação e mantenha o tempo e o número do verbo conforme o original. Cuidado especial com a partícula “se”: quando for partícula apassivadora, sempre haverá sujeito, e a concordância é obrigatória.
Referência: Moderna Gramática Portuguesa, Evanildo Bechara, 2009.
Gabarito: A
Gostou do comentário? Deixe sua avaliação aqui embaixo!
Clique para visualizar este gabarito
Visualize o gabarito desta questão clicando no botão abaixo
Comentários
Veja os comentários dos nossos alunos
Gabarito: A) Desprezaram-se as propostas dos ecologistas de energias alternativas.
A — CERTA (Gabarito): A frase apresenta a voz passiva sintética, formada por verbo transitivo direto acompanhado do pronome apassivador “se”. O verbo concorda com o sujeito paciente: “as propostas”. Assim, “Desprezaram-se as propostas” equivale a “As propostas foram desprezadas”.
B — ERRADA: O verbo deveria concordar com o sujeito paciente plural “as propostas”. Portanto, o correto seria “Desprezaram-se as propostas”, e não “Desprezou-se as propostas”.
C — ERRADA: “Desprezam-se as propostas” está gramaticalmente correto, mas o verbo está no presente do indicativo, alterando o tempo verbal do trecho original, que está no pretérito perfeito.
D — ERRADA: “Desprezavam-se as propostas” está no pretérito imperfeito do indicativo, indicando uma ação habitual ou contínua no passado, o que altera o tempo verbal original.
E — ERRADA: “Desprezar-se-iam as propostas” está no futuro do pretérito, indicando uma ação hipotética ou condicionada, diferente do sentido original.
Na transformação da voz passiva analítica para a sintética:
- Analítica: As propostas foram desprezadas.
- Sintética: Desprezaram-se as propostas.
O tempo verbal deve ser preservado, e o verbo concorda com o sujeito paciente.
Alternativa A. A voz passiva analítica “foram desprezadas” transforma-se em voz passiva sintética “desprezaram-se”, mantendo o pretérito perfeito e a concordância com “as propostas”.
Clique para visualizar este comentário
Visualize os comentários desta questão clicando no botão abaixo