Ainda com relação ao caso clínico 4A2-I, a prescrição do e...

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Q3990655 Psiquiatria

Caso clínico 4A2-I


    V. H.P, sexo feminino, 11 anos de idade, comunicativa, hígida. Mora com a mãe, o padrasto e seu irmão. As queixas da mãe são direcionadas para dificuldade acadêmica e excesso de tempo necessário para conclusão das atividades acadêmicas domiciliares. Pelo relato da mãe, é uma garota dócil e gentil. A realização das tarefas acadêmicas é o momento mais aversivo do dia para a criança e motivo de conflitos diários entre a mãe e a criança, comprometendo a relação harmoniosa que a genitora tanto preza com seus filhos. Consta que a paciente tem dificuldade tanto na atenção sustentada quanto na aquisição do conhecimento, porém com predomínio do primeiro aspecto. A mãe acrescenta que sua filha frequentemente perde as coisas, não atende às normas e regras do lar e da escola e, com frequência, é observada inclinação para omitir comportamentos e situações que possam desagradar os pais. Mas, no momento, as mentiras são o fator de maior preocupação da família, porque estão mais frequentes e sobre assuntos mais graves. Em reunião da equipe multiprofissional, o médico foi questionado acerca do diagnóstico de transtorno de déficit de atenção.  

Ainda com relação ao caso clínico 4A2-I, a prescrição do estimulante para a criança também foi motivo de questionamento da equipe. Nesse contexto e considerando o processo de revisão da conduta pelo médico, assinale a opção correta.
Alternativas

Gabarito comentado

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Gabarito: C

Fundamento decisivo: O elemento decisivo era a posologia apresentada na alternativa, compatível com a formulação pediátrica usual do metilfenidato.

Tema central: Posologia de estimulantes
Análise das alternativas
A
Errada
Está errada por dois motivos concretos. Primeiro, EEG não é exame para avaliar distúrbio de condução cardíaca; essa afirmação troca o exame correto. Segundo, a alternativa ainda impõe obrigatoriedade de rastreio universal, quando a base informa que diretrizes não recomendam ECG de rotina para toda criança antes de iniciar estimulante, e sim avaliação dirigida por história pessoal/familiar e exame físico.
B
Errada
Está errada porque a classificação dos efeitos adversos frequentes foi montada de forma incorreta. A base admite como comuns anorexia/diminuição do apetite, cefaleia, insônia, náusea, perda de peso, e que tiques podem ocorrer; porém diplopia, insuficiência adrenal e neuropatia periférica não compõem lista de efeitos frequentes dos estimulantes. Como a alternativa fala em 'os mais frequentes', a presença desses itens invalida o conjunto.
C
Certa
A alternativa C está de acordo com a posologia pediátrica usual aceita para metilfenidato de liberação imediata: faixa de cerca de 0,3 a 0,5 mg/kg por dose, com titulação conforme resposta, até aproximadamente 1 mg/kg/dia, respeitando o limite máximo diário de 60 mg/dia. Esse é o critério técnico que sustenta a correção da alternativa.
D
Errada
Está errada porque cria uma condição temporal e procedimental que a base nega expressamente. Não existe exigência geral de aguardar insucesso de pelo menos 2 meses de psicoterapia ou reabilitação neuropsicológica para só então indicar estimulante em criança em idade escolar com TDAH.
Pegadinha da questão
A banca explorou confusões reais: trocar ECG por EEG no rastreio pré-estimulante, aceitar uma lista de efeitos adversos porque começa com itens plausíveis embora contenha eventos não frequentes, e supor que sempre é obrigatório tentar intervenção não farmacológica por prazo fixo antes da medicação.
Dica para questões semelhantes
  • Em questão sobre prescrição de estimulante, confirme primeiro se a alternativa traz posologia usual compatível com a formulação citada; aqui, o esquema aceito era o de metilfenidato de liberação imediata.
  • Rastreio pré-estimulante não se resolve por 'exame obrigatório para todos'; o critério é avaliação cardiovascular dirigida por história e exame físico, e EEG não serve para condução cardíaca.
  • Quando a alternativa listar efeitos adversos 'mais frequentes', basta um ou mais eventos claramente não frequentes para torná-la incorreta.
  • Desconfie de alternativas que impõem protocolo rígido de falha prévia ou prazo fixo sem previsão geral na conduta do TDAH pediátrico.

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