Uma criança de 10 anos de idade, com diagnóstico de síndrom...
Uma criança de 10 anos de idade, com diagnóstico de síndrome inflamatória multissistêmica pediátrica (SIM-P) potencialmente relacionada à Covid-19, será transferida para a unidade de terapia intensiva (UTI). O relato da regulação é de que a criança está intubada, usando epinefrina, sedanalgesia com midazolam e fentanil, e não urina na fralda há 12 horas. Constatam-se IgG para Covid-19 positivo e presença de plaquetose no hemograma (450.000/uL).
Considerando esse caso clínico e com base nas orientações da Sociedade Brasileira de Pediatria a respeito do tema e nos conhecimentos médicos correlatos, julgue o item a seguir.
Tendo em vista que a criança tem um quadro agudo,
não há nenhuma indicação para oferta de cuidados
paliativos na unidade de terapia intensiva pediátrica
(UTIP).
Gabarito comentado
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Gabarito: E) errado
Tema central: O item aborda a indicação de cuidados paliativos em crianças criticamente enfermas, mesmo em quadros agudos e graves, como a Síndrome Inflamatória Multissistêmica Pediátrica (SIM-P) associada à COVID-19.
Justificativa da alternativa correta: A afirmação está incorreta porque, segundo a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), os cuidados paliativos pediátricos são indicados para todas as crianças que vivenciam doenças ameaçadoras à vida ou que cursam com sofrimento significativo — incluindo doenças agudas graves e até situações em UTI. Conforme documento oficial da SBP: “ter uma proposta terapêutica curativa não se contrapõe à introdução de cuidados paliativos”.
Cuidados paliativos não devem ser confundidos com abandono terapêutico ou exclusividade ao fim da vida. Mesmo em casos agudos críticos, como nesse caso de SIM-P com disfunção renal, assistência ventilatória invasiva, uso de drogas vasoativas e sedação, a abordagem paliativa visa aliviar sintomas, dar suporte emocional e garantir comunicação efetiva com família. O foco é o bem-estar global do paciente, integrando estratégias de conforto ao tratamento do quadro de base.
Análise crítica da alternativa incorreta: A alternativa “certo” é inadequada pois desconsidera a abordagem multiprofissional recomendada em situações pediátricas graves. Negar cuidados paliativos apenas por ser uma condição aguda é um equívoco conceitual, não atualizada frente às diretrizes nacionais e internacionais em pediatria.
Pegadinha da questão: Atenção ao termo “não há nenhuma indicação”. O examinador tenta induzir ao erro sugerindo que apenas pacientes crônicos ou terminais são elegíveis para paliativos. No entanto, qualquer situação que gere potencial sofrimento deve ser avaliada para inserção de cuidados paliativos.
Referência e evidências: Conforme documento da SBP sobre cuidados paliativos pediátricos:
“são elegíveis todas as crianças […] que sofram de doenças crônicas, doenças terminais ou que ameacem a sobrevida”, e “a proposta de tratamento curativo não exclui cuidados paliativos”.
Dica para provas: Sempre leia as diretrizes atuais — os cuidados paliativos são parte integrada, simultânea e não excludente ao tratamento de suporte intensivo.
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