M.S.L., 34 anos de idade, escriturário, buscou atendim...

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Q3990651 Psiquiatria
    M.S.L., 34 anos de idade, escriturário, buscou atendimento no serviço médico psiquiátrico da instituição em que trabalha. Queixa principal: “Tudo começou em 14 de novembro, quando comecei a ver um homem vestido de preto me acompanhando o tempo todo”. No curso da entrevista, afirmou categoricamente que não conseguia trabalhar devido a bloqueio na memória desde o início do mês de novembro. Ao curso da consulta, mediante interesse manifesto pelo médico, descreveu em detalhes a aparência do homem que somente ele vê e o comportamento ameaçador do homem para com ele diariamente. Comentou que quase todos os dias as pessoas ficam o observando com estranheza porque ele pede continuamente para esse homem se afastar. Disse que, no trabalho, esse fenômeno alucinatório fica mais intenso e enfatiza o medo que sente, chegando a tremer-se o corpo todo. Durante a consulta, à medida que foi falando sobre o fenômeno, chegou a cair lentamente no chão e manifestar uma situação que pareceu uma convulsão, com duração de cerca de 10 minutos, com remissão espontânea. Não apresentou ferimentos após cessado o evento e não teve liberação esfincteriana. Após esse evento, mesmo demonstrando pouca colaboração, o paciente fez exame neurológico cujo resultado foi normal. Depois de acalmar-se, sentou-se novamente e seguiu a entrevista. Pediu que lhe fosse conferido afastamento do trabalho. Sua ficha funcional revelou que tem tido problemas frequentes com o chefe e que esteve sob consideração para demissão. 
A respeito desse caso clínico, assinale a opção correta. 
Alternativas

Gabarito comentado

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Gabarito: A

Fundamento decisivo: O ponto decisivo foi a combinação de ganho externo identificável com apresentação intencional e inconsistente dos sintomas, critério que favorece simulação entre as opções.

Tema central: Simulação versus diagnósticos psiquiátricos
Análise das alternativas
A
Certa
A alternativa A está correta porque o caso reúne os elementos que sustentam simulação como hipótese principal entre as opções: ganho externo objetivo e apresentação inconsistente dos sintomas. O ganho externo aparece no pedido de afastamento em contexto de conflito funcional e possibilidade de demissão. A apresentação sintomática também reforça essa leitura: pseudocrise durante a consulta com queda lenta, sem ferimentos, sem liberação esfincteriana, remissão espontânea e exame neurológico normal; além disso, há contradição entre alegar bloqueio de memória desde o início de novembro e, ao mesmo tempo, relatar com detalhes cronologia, aparência e comportamento do suposto perseguidor. Entre as alternativas dadas, esse conjunto favorece simulação.
B
Errada
Está errada porque a mera presença de uma manifestação tipo convulsão não fecha transtorno conversivo. O item trata a manifestação neurológica como marcador suficiente do diagnóstico, mas a base decisiva do caso é outra: a instrumentalidade externa com ganho claro e sinais de fabricação ou exagero voluntário plausíveis.
C
Errada
Está errada porque alucinação visual isolada não autoriza diagnóstico de delirium. Faltam os elementos nucleares desse quadro, como alteração de atenção, alteração de consciência e curso flutuante típico; ao contrário, o paciente sustenta entrevista, mantém narrativa organizada e prossegue após o evento.
D
Errada
Está errada porque não há descrição de episódio de humor maior concomitante, critério sindrômico essencial para sustentar transtorno esquizoafetivo. Além disso, o fundamento usado pela alternativa é conceitualmente inadequado: sofrimento diante da experiência psicótica não define esquizoafetivo nem exclui esquizofrenia.
Pegadinha da questão
A confusão explorada foi tomar pseudocrise e alucinação visual como suficientes para conversão ou delirium, ignorando que o dado mais forte do caso era o incentivo externo concreto associado à apresentação inconsistente dos sintomas.
Dica para questões semelhantes
  • Quando houver ganho externo identificável, verifique se ele está acoplado à apresentação intencional, exagerada ou inconsistente dos sintomas antes de fechar diagnóstico psiquiátrico primário.
  • Pseudocrise com exame neurológico normal não basta, por si só, para transtorno conversivo; o contexto motivacional e a coerência clínica pesam na decisão.
  • Alucinação visual pode exigir investigação orgânica, mas não permite concluir delirium sem alteração de atenção, consciência e curso flutuante.
  • Em questões comparativas, priorize o critério sindrômico essencial de cada diagnóstico e elimine alternativas que dependem de elementos não demonstrados no caso.

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