M.P.O., homem de 42 anos de idade, negro, deu entrada ...

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Q3990649 Psiquiatria
    M.P.O., homem de 42 anos de idade, negro, deu entrada no pronto atendimento de emergência médica com dor torácica (sem irradiação), dispneia, taquicardia, sudorese profusa, tremores. Ao exame físico, constatou-se normotenso, com FC = 110 bpm, FR = 22 irpm, SatO2 = 92%, ausculta cardíaca e respiratória sem alterações dignas de nota. Exames laboratoriais, incluindo dosagem de enzimas cardíacas e ECG, não mostraram alterações. Já era a quinta vez, nos últimos 3 meses, que o paciente havia procurado o pronto atendimento de emergência médica por motivos semelhantes. Quanto a antecedentes médicos patológicos, negou hipertensão, diabetes, dislipidemia. Apresentava bronquite asmática leve controlada, sendo a última crise há 2 anos. Não fazia uso de medicamentos. Durante a adolescência, quando se mudou do interior para trabalhar no centro urbano, teve episódios parecidos, com remissão espontânea após estabilidade, no primeiro emprego. O paciente reside com esposa de 38 anos de idade e com dois filhos de 10 e 12 anos de idade em Estância. Há 5 meses, encontra-se em assistência por seguro-desemprego, com direito a receber somente mais uma parcela do benefício, a vencer no próximo mês. Há um mês, antes do atendimento médico, o paciente havia relatado piora significativa em suas relações familiares e conjugais. 
Considerando esse caso clínico, o diagnóstico mais provável é de
Alternativas

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Gabarito: B

Fundamento decisivo: A recorrência dos episódios em 3 meses, com sintomas autonômicos intensos e investigação orgânica negativa, é o elemento decisivo para diferenciar o quadro.

Tema central: Transtorno de pânico
Análise das alternativas
A
Errada
Incorreta. O caso não traz padrão persistente de instabilidade de autoimagem, impulsividade, relações interpessoais caóticas, automutilação ou medo de abandono, que seriam elementos necessários para sustentar transtorno de personalidade borderline. O que predomina no enunciado são crises paroxísticas ansiosas.
B
Certa
A alternativa B está correta porque o núcleo do caso é a ocorrência recorrente de crises abruptas com sintomas autonômicos intensos e vivência de urgência clínica, sem explicação cardiológica ou laboratorial nos atendimentos descritos. O reconhecimento clínico cobrado é justamente o de ataques de pânico recorrentes, e a repetição das idas à emergência por quadro semelhante reforça essa hipótese como a mais provável entre as opções. O enunciado é suficiente para apontar esse diagnóstico mais provável, embora não documente de forma completa todos os critérios operacionais formais.
C
Errada
Incorreta. Agorafobia exige componente de medo ou evitação de locais e situações dos quais seria difícil escapar ou obter ajuda, e isso não foi descrito. O enunciado mostra crises de pânico, mas não um padrão agorafóbico.
D
Errada
Incorreta. Não há descrição de humor deprimido persistente, anedonia ou outros sintomas nucleares suficientes para episódio depressivo maior. O quadro apresentado é ansioso-paroxístico, não depressivo.
Pegadinha da questão
A confusão real era trocar um quadro de pânico por doença cardiopulmonar por causa da apresentação em emergência e, em segundo plano, marcar agorafobia apenas pela associação frequente com pânico, mesmo sem evitação situacional descrita.
Dica para questões semelhantes
  • Quando houver crises repetidas, abruptas, com sintomas autonômicos intensos e investigação aguda negativa, pense primeiro em ataques de pânico recorrentes.
  • Não marque agorafobia sem descrição de medo ou evitação de situações específicas das quais seria difícil escapar ou receber ajuda.
  • Conflitos familiares e estressores ocupacionais podem funcionar como desencadeantes, mas não substituem o núcleo sindrômico exigido para depressão maior ou transtorno de personalidade.

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