Na crise hipertensiva, diferencia-se urgência (sem lesão de...
Gabarito comentado
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Tema central: Crise hipertensiva e metas de redução da pressão na emergência hipertensiva (com lesão aguda de órgão-alvo), diferenciando de urgência hipertensiva (sem dano agudo).
Gabarito: C — Reduzir a PAM em 20–25% na primeira hora com anti-hipertensivo intravenoso titulado, evitando quedas abruptas.
Justificativa e raciocínio clínico: Na emergência hipertensiva, há risco de progressão de dano a órgãos (cérebro, coração, rins, aorta). Em hipertensos crônicos, a autorregulação tecidual está “deslocada” para pressões mais altas; quedas rápidas podem precipitar isquemia cerebral, miocárdica ou renal. Por isso, as diretrizes recomendam redução controlada: PAM ↓ ~20–25% na 1ª hora; depois PA alvo ~160/100–110 mmHg em 2–6 horas; e normalização gradual em 24–48 h, com exceções (ex.: dissecção de aorta exige SBP <120 mmHg em 20 min com betabloqueador; AVC tem metas específicas). Fármacos IV tituláveis: nicardipina, clevidipina, labetalol, esmolol, nitroprussiato, nitroglicerina (escolha conforme órgão-alvo). Fontes: Diretrizes Brasileiras de Hipertensão (SBC/SBH/SBN 2020), UpToDate, Harrison’s.
Análise das alternativas incorretas:
A — “Normalizar para 120/80 em 30 min”: errado. Queda rápida rompe autorregulação e aumenta risco de isquemia/AVC. Metas são graduais (SBC, AHA/ACC).
B — “Nifedipino sublingual”: contraindicado. Pode causar hipotensão abrupta e eventos isquêmicos. Guias desaconselham seu uso em crises hipertensivas.
D — “Suspender anti-hipertensivos por 72 h”: inadequado. Deve-se iniciar/ajustar terapia IV de imediato e, após estabilização, transição para via oral. Suspensão indiscriminada piora controle.
E — “Diurético de alça isolado em todas as situações”: equivocado. Não é droga de escolha universal; útil em edema agudo de pulmão, mas o manejo padrão requer agentes IV tituláveis dirigidos ao órgão-alvo.
Dicas de prova e pegadinhas:
- Identifique lesão de órgão-alvo (encefalopatia, AVC, SCA, EAP, IRA, dissecção, eclâmpsia) para diferenciar urgência x emergência.
- Evite opções que prometem “normalização rápida” ou “nifedipino SL”.
- Lembre exceções: dissecção de aorta (beta-bloqueio e SBP <120 rápido), AVC com metas específicas, pré-eclâmpsia/eclâmpsia com redução mais célere e uso de labetalol/hidralazina e sulfato de magnésio.
Conduta prática: Monitorização contínua, acesso venoso, escolher agente IV conforme quadro (ex.: nicardipina/labetalol em encefalopatia; nitroglicerina + diurético em EAP; esmolol + vasodilatador em dissecção), reduzir PAM 20–25%/1ª hora e reavaliar clinicamente e com exames de órgão-alvo.
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