A referida justificativa para a acentuação da palavra destac...
TEXTO PARA AS QUESTÕES 01 A 05
Por que não falar sobre suicídio?
Um fantasma ronda a imprensa desde os seus primórdios: o temor de reportar casos de suicídio.
As razões desse receio são perfeitamente compreensíveis. O tema é envolto por um véu de sofrimento e perplexidade. Para familiares de suicidas, o sentimento de culpa é inescapável. Como em todo luto, há negação, raiva e tristeza. E há mais: no suicídio é preciso tentar entender e aceitar as razões de quem decidiu abreviar a vida, contrariando o instinto de sobrevivência comum a todas as espécies. Falar sobre quem morreu é sempre uma tarefa delicada para a mídia, mas mesmo nas maiores tragédias humanas o sentimento que prevalece é o da consternação com a morte.
Morrer é uma certeza sobre a qual as dúvidas prevalecem: exceto alguns pacientes desenganados, quase ninguém sabe como, quando, onde ou de quê irá morrer. Matar a si próprio é impor uma certeza sobre todas as dúvidas, exceto uma: como seria o restante da vida se a escolha de morrer não triunfasse.
O suicídio, em muitos casos, pode ser um ato extremo de comunicação: uma busca sem volta de expor sentimentos antes represados. Segundo o alerta “Prevenir suicídio – um imperativo global” (2014), da Organização Mundial de Saúde, uma prevenção eficaz depende de inúmeros fatores – entre eles, informação de qualidade. Negligenciar as ocorrências pode aumentar o risco de novas tentativas.
A mídia tem o dever de dar à sociedade a melhor informação para evitar que as pessoas se desencantem com a vida.
E talvez estejamos falhando em ajudar quem sofre com a perda de um ente querido a lidar com essa angústia.
“Os Sofrimentos do Jovem Werther”, obra do poeta alemão Goethe lançada em 1774, narra como uma desilusão amorosa levou o personagem do título ao suicídio. A publicação do romance, embora ficcional, provocou uma onda de suicídios pelo mesmo motivo, no que ficou conhecido como “Efeito Werther” — uma das razões pelas quais criou-se o tabu de que a divulgação de um suicídio pode estimular novos casos. Tal crença poderia ser válida no século 18 de Goethe, mas não sobrevive aos tempos atuais de comunicação instantânea, em que tais atos são cometidos ao vivo diante de câmeras de tevê ou transmitidos em tempo real por redes sociais. Negar a existência dessas ocorrências é um equívoco tão grande quanto acreditar que torná-las públicas são decisivas para que outros escolham o mesmo destino. Um dos princípios do jornalismo é buscar a verdade.
Disponível em: https://istoe.com.br/por-que-nao-falar-sobre-suicidio/. Acesso em: 03/05/2018.
A referida justificativa para a acentuação da palavra destacada está incorreta em:
Gabarito comentado
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📚 Tema central:
Regras de acentuação gráfica, com foco na identificação do motivo correto de acentuação segundo a norma-padrão da Língua Portuguesa.
O candidato precisa reconhecer e justificar o acento gráfico de acordo com a classificação da palavra: oxítona, paroxítona ou proparoxítona, e sua terminação.
💬 Análise da alternativa correta (D):
A alternativa D aponta que "saúde" seria paroxítona terminada em "e", porém a justificativa está incorreta.
Segundo a norma gramatical (Bechara, Cunha & Cintra), palavras paroxítonas terminadas em "e" NÃO são acentuadas (ex: parede, volume).
“Saúde” recebe acento no “ú” devido ao hiato: o “u” tônico está isolado (sa-ú-de) entre vogais, formando sílaba sozinho. Por regra: acentuam-se “i” e “u” tônicos em hiato, sozinhos ou com “s”.
Assim, a justificativa da alternativa D está equivocada e por isso é a opção correta da questão.
🔍 Análise das alternativas incorretas:
A) inescapável – Paroxítona terminada em “l”, portanto correta a justificativa e o acento (nível).
B) dúvidas – Proparoxítona (acento sempre obrigatório), justificativa correta.
C) ninguém – Oxítona terminada em “em”, conforme regra geral, justificativa correta (também, ninguém).
E) equívoco – Proparoxítona (todas têm acento), justificativa correta.
💡 Estratégias para não errar:
Sempre identifique a sílaba tônica e observe hiatos ("i"/"u" tônico formando sílaba sozinho). Cuidado com alternativas que induzem erro pela terminação elegante (“paroxítona terminada em e”), sem considerar hiato ou exceções.
Referências: Bechara, E. (Moderna Gramática Portuguesa); Cunha & Cintra (Nova Gramática do Português Contemporâneo). Procure revisar as regras usando exemplos variados.
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