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Q1686804 Medicina

Um paciente de 25 anos de idade, morador de zona endêmica de doença de Chagas, passa a manifestar disfagia, regurgitação e perda de peso nos últimos três meses. Eventualmente apresenta episódios de tosse noturna e soluço. Nega outras queixas e doenças prévias ou cirurgias. Refere que precisa ingerir grande quantidade de água para conseguir alimentar-se. O exame físico do paciente está normal. A esofagografia baritada mostra dilatação do corpo do esôfago e retenção de contraste esofagiano com imagem de estreitamento em “chama de vela” na topografia de esfíncter esofagiano inferior.


Com base nesse caso clínico e nos conhecimentos médicos correlatos, julgue o item a seguir.


Esperam-se graus variados de hipotonia do esfíncter esofagiano inferior e redução da pressão intraluminal do corpo esofágico nesse caso.

Alternativas

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Tema central: O caso clínico aponta para megaesôfago chagásico, forma secundária de acalasia esofágica. O paciente apresenta disfagia, regurgitação, perda de peso e a esofagografia revela dilatação esofágica com estreitamento distal típico (“chama de vela” ou “bico de pássaro”).

Fisiopatologia: Tanto na acalasia idiopática quanto na de origem chagásica, ocorre destruição do plexo mioentérico (Auerbach), levando à aumento da pressão do esfíncter esofagiano inferior (EEI) (hipertonia) e falta de peristalse no corpo esofágico.

Consequência clínica: O EEI hipertônico não relaxa adequadamente; isso dificulta a passagem do alimento, causando sintomas como disfagia, regurgitação e perda de peso. Pode haver ainda tosse noturna e soluços, pelos episódios de regurgitação alimentar. O exame de imagem confirma o diagnóstico.

Análise da alternativa:

  • Afirmação: “Esperam-se graus variados de hipotonia do EEI e redução da pressão intraluminal do corpo esofágico.”
  • Comentário: A afirmação está incorreta pois na acalasia (inclusive chagásica) ocorre hipertonia do EEI, e não hipotonia. O corpo esofágico apresenta ausência de peristalse e aumento da pressão intraluminal, não redução.

Pegadinha importante: A descrição clássica dos sintomas e da esofagografia sugere hipertonia, mas a questão tenta confundir ao citar “hipotonia”. Atenção à leitura precisa dos termos, pois hipotonia e hipertonia do EEI demonstram comportamentos opostos!

Diretrizes: Segundo o Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas para Doença de Chagas (MS, Complicações Digestivas): “Megaesôfago... devido à denervação autonômica... devendo ser manejado de forma semelhante aos casos sem doença de Chagas.” O Harrison’s Internal Medicine também enfatiza: “Na acalasia há hipertonia do EEI e ausência de peristalse.”

Resumo:
O esperado é hipertonia (não hipotonia!) do EEI, ausência de peristalse e aumento da pressão intraluminal. Assim, a alternativa está ERRADA.

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Comentários

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A afirmativa está incorreta. O paciente apresenta sinais e sintomas compatíveis com a doença de Chagas, que é uma doença parasitária que pode comprometer o funcionamento do esôfago e provocar dilatação do mesmo, além de outros órgãos. A imagem de "chama de vela" na esofagografia baritada é um achado clássico da doença de Chagas, que pode provocar estreitamentos no esôfago, mas não está relacionado com hipotonia do esfíncter esofagiano inferior ou redução da pressão intraluminal do corpo esofágico. É importante ressaltar que a doença de Chagas é endêmica em algumas áreas da América Latina, incluindo o Brasil, e pode ser transmitida pela picada do inseto conhecido como "barbeiro".

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