Impactos da pandemia na educação
brasileira de jovens e adultos
Diante da pandemia decorrente do vírus Covid-19 fica
ainda mais evidente o cenário de desigualdade no âmbito da
educação brasileira. A situação trouxe à tona problemas como:
a falta de recursos digitais, a dificuldade de aprendizagem dos
alunos portadores de deficiência e o impacto da saúde mental
em crianças e jovens, entre outros.
Com o avanço da tecnologia, o Ensino a Distância (EaD) foi
se tornando cada vez mais viável, inclusive com faculdades sendo
inteiramente a distância. Já no começo da pandemia, com o
ensino presencial se tornando inviável, várias instituições decidiram abraçar o EaD como método de ensino, mas há muitos
alunos vindos de zonas rurais sem acesso à internet, ou com
algum tipo de deficiência, entre tantas situações que dificultam
este acesso. Com isso, não tendo o devido acompanhamento, o
ensino pode ser elitizado ou capacitista, pois escolas com poucas
condições de renda podem ter dificuldades, fazendo com que o
aluno não atinja as metas exigidas pela instituição.
Em agosto de 2020, o Instituto de Pesquisa Econômica
Aplicada (IPEA) realizou o estudo “Acesso Domiciliar à Internet e
Ensino Remoto Durante a Pandemia”, o qual evidenciou que
“cerca de seis milhões de estudantes, desde a pré-escola até a
pós-graduação, não têm acesso à internet banda larga ou 3G/4G
em casa”. Também mostrou que alunos do ensino fundamental
são os mais afetados, juntamente com os anos iniciais e os anos
finais, o que somava mais de 4,35 milhões de estudantes sem
acesso, sendo 4,23 milhões de escolas públicas. No ensino
médio eram 780 mil adolescentes sem internet em casa.
Outro fator discutido durante a pandemia é a Educação
Inclusiva. Em uma entrevista para o site Nova Escola, Lailla
Micas, coordenadora do portal DIVERSA, uma iniciativa do Instituto Rodrigo Mendes (IRM) e Maria da Paz Castro (Gunga),
coordenadora pedagógica e consultora da área de inclusão da
Escola da Vila, em São Paulo falaram sobre responsabilidade.
Elas asseguraram que as escolas, juntamente com o engajamento dos pais, têm o papel de cuidar para que nenhuma
pessoa portadora de deficiência seja desmotivada, excluída ou
deixe de estudar em razão das suas limitações. Desta forma, é
responsabilidade de todos atuarem para que não haja consequências discriminatórias e de aprofundamento das desigualdades.
Além do mais, outro fator que se perpetua na sociedade e que sobressai em tempos de pandemia, é a saúde
mental, a qual tem ocasionado muitos problemas nas pessoas
por conta do isolamento físico e social. Diversos estudos internacionais ressaltam que houve um aumento de indivíduos com
problemas psíquicos que podem compreender desde ansiedade,
ataques de pânico, depressão, estresse pós-traumático e inclusive o medo excessivo da morte.
Devora Kestel, que apresentou um relatório na agência
de saúde da ONU a respeito da Covid-19 e da saúde mental,
em entrevista para o portal G1 ressalta que um aumento no
número e na gravidade de doenças mentais é provável, e
que os governos deveriam colocar a questão “na linha de
frente” de suas reações. “A saúde mental e o bem-estar de
sociedades inteiras foram seriamente impactados por esta
crise e são uma prioridade a ser abordada urgentemente”,
disse Kestel em entrevista coletiva.