Criança de 2 anos de idade, do sexo masculino, comparece a ...

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Q4110939 Medicina

 Criança de 2 anos de idade, do sexo masculino, comparece a consulta pediátrica de rotina. Na avaliação, o médico percebe que a criança corre, escala móveis sem ajuda, arremessa uma bola com as mãos, fala algumas palavras simples sem formular frases, segue instruções simples e gosta de brincar de girar as rodas do carrinho. Não sabe pedalar um triciclo ou pular sobre um pé só, não brinca de faz de conta, não aponta com o dedo para pedir ajuda ou mostrar coisas interessantes, não responde quando chamada pelo nome e faz pouco contato visual.



Com base no caso descrito, assinale a alternativa correta.

Alternativas

Gabarito comentado

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Gabarito: D

Fundamento decisivo: Na presença de sinais de alerta para TEA e atraso do desenvolvimento aos 2 anos, a intervenção precoce não deve ser postergada até o fechamento diagnóstico; no caso, a ausência de apontar, de resposta ao nome, de contato visual e de brincadeira de faz de conta, associadas a comportamento repetitivo, sustenta o encaminhamento e a intervenção multidisciplinar precoce, o que torna correta a alternativa D.

Tema central: Suspeita precoce de TEA
Análise das alternativas
A
Errada
Está errada porque a M-CHAT-R/F é instrumento de rastreio, não de confirmação diagnóstica. Escore elevado aumenta a suspeita e indica necessidade de avaliação complementar/especializada, mas não fecha diagnóstico de TEA. O erro da alternativa é confundir triagem com diagnóstico.
B
Errada
Está errada porque, embora orientar estímulos adequados e reduzir telas possa ser medida geral aceitável, isso não responde ao problema central do caso. A criança já tem sinais claros de alerta para TEA aos 2 anos, idade típica de vigilância/rastreio, de modo que adiar a aplicação da M-CHAT-R e a investigação até os 3 anos configura conduta expectante inadequada e perde a janela de intervenção precoce.
C
Errada
Está errada por dois motivos médicos concretos. Primeiro, não há atraso em todos os campos: a motricidade grossa está relativamente preservada, pois a criança corre, escala móveis e arremessa bola; além disso, pedalar triciclo e pular em um pé são habilidades mais tardias e sua ausência aos 2 anos não define atraso motor global. Segundo, atraso do desenvolvimento não torna a criança inelegível para M-CHAT-R; ao contrário, a presença de prejuízo de comunicação social reforça a necessidade de rastrear TEA.
D
Certa
A alternativa D está correta porque o caso reúne marcadores clínicos centrais de risco para TEA na faixa de 18-24 meses, especialmente prejuízo de comunicação social/atenção compartilhada e comportamento restrito ou repetitivo. Nessa situação, o fundamento médico decisivo é que a intervenção precoce em transtornos do neurodesenvolvimento não deve ser postergada até o fechamento diagnóstico. Portanto, o encaminhamento para avaliação e intervenção multidisciplinar já está indicado pela suspeita clínica e pelo prejuízo funcional descrito.
Pegadinha da questão
A banca misturou marcos motores de idade mais avançada com sinais nucleares de TEA e ainda tentou induzir duas confusões: tratar M-CHAT-R como teste confirmatório e achar que é preciso esperar diagnóstico fechado ou idade maior para intervir.
Dica para questões semelhantes
  • Em criança de 18-24 meses, ausência de apontar, de resposta ao nome, de contato visual e de faz de conta pesa mais para suspeita de TEA do que atraso isolado de fala.
  • M-CHAT-R/F serve para rastreio: escore alto aumenta risco e pede avaliação adicional, mas não confirma diagnóstico.
  • Não use marcos de idade mais tardia para chamar atraso motor aos 2 anos.
  • Suspeita clínica de TEA com prejuízo funcional já justifica encaminhamento e intervenção precoce, sem esperar laudo final.

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