Lactente de 9 meses, feminina, foi levada para o hospital
com a queixa de "parada respiratória e cianose". A admissão,
o relato incluiu tosse, febre e cianose persistente. Nasceu de
parto normal a termo, pesando 3.380g, Apgar 09/10. Na
história pregressa apresentou duas internações anteriores; a
primeira por crises de parada respiratória e cianose (dois
episódios) com eliminação de sangue pela boca e pelo nariz,
permanecendo hospitalizada por 10 dias (aos dois meses de
vida); durante a segunda internação, por pneumonia,
apresentou crises convulsivas, sendo prescrito fenobarbital e
suspenso em seguida da alta hospitalar pelo pediatra da
atenção primária. Na internação atual, apresentava regular
estado geral e moderada disfunção respiratória, sendo
diagnosticada broncopneumonia (BCP). No segundo dia de
internação, apresentou a uma crise convulsiva (que não foi
vista por médico ou enfermagem). No 3°. dia de internação (DI), o médico relata ter encontrado a mãe com um saco
plástico na mão e a criança cianótica, sem ter relacionado
causa e efeito. Criança foi transferida para a UTI voltando
para enfermaria 24 horas depois. Esteve na UTI internada por
três vezes e sempre evoluindo muito bem, retornando logo
em seguida para a enfermaria. Na UTI a paciente dividia o
quarto com outros. Na enfermaria, ficava num quarto
privativo sempre em companhia da mãe. O EEG mostrou-se
alterado, mas após sua repetição apresentou-se normal. No
16°. DI, a criança apresentou vários episódios de vômitos,
quando foi prescrita sonda nasogástrica (SNG) para
realimentação. Nesse mesmo dia apresentou três episódios de
apnéia, vistos somente pela mãe, e a criança estava sempre
no colo da mesma. No 24°. DI, a paciente encontrava-se
muito sonolenta e hipotônica, a dosagem do fenobarbital era
62 µg/ml, sendo que cinco dias antes era de 25,8 µg/ml
(normal: 10 a 25 µg/ml). A criança estava recebendo dose
não tóxica (dose menor que 30 µg/ml), e a mãe foi vista
pelos auxiliares de enfermagem com um vidro de
fenobarbital, fato que justificou como "não ter jogado fora a
medicação até o momento". No 33°. DI, a paciente apresenta
episódios de vômitos pós-alimentares, e a mãe insiste com o
médico assistente que haveria algo no estômago da criança.
Foi feito um REED que demonstrou uma imagem no
estômago, sugestiva de corpo estranho. Na endoscopia
digestiva alta foi encontrado um fragmento de cimento de
parede, que segundo a mãe, foi oferecido pela irmã de 3 anos
que costumava dar terra para a criança em casa, porém a
paciente não havia recebido visitas da mesma. Sabe-se que 2
meses após, a criança chegou em outro hospital já falecida, e
segundo laudo do médico legista a causa mortis foi edema
agudo de pulmão.
Pires & Molle, 1999. Jornal de Pediatria
Quais são os transtornos ou traços de personalidade é mais
prováveis de serem identificados à avaliação da mãe da
criança?
Incorreta. Gabarito oficial da banca:
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