Criança de 6 anos é levada ao serviço de emergência após se...

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Q4110921 Medicina

Criança de 6 anos é levada ao serviço de emergência após ser encontrada submersa em uma piscina por aproximadamente 5 minutos. No momento da admissão, está consciente, com tosse intensa e expulsão de espuma pela boca, e queixa de dor torácica. Ao exame físico, ausculta com estertores difusos, FR = 34 ipm, SatO2 = 88% em ar ambiente, leve tiragem subcostal, FC = 134 ipm, pulsos periféricos cheios.



Assinale a alternativa que descreve a conduta inicial adequada nesse caso.

Alternativas

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Gabarito: A

Fundamento decisivo: No afogamento com respiração espontânea, o critério decisivo é a presença de hipoxemia e desconforto respiratório sem falência ventilatória iminente: esta criança está consciente, com perfusão preservada, tosse, estertores difusos, tiragem leve e SatO2 de 88% em ar ambiente. Isso indica insuficiência respiratória hipoxêmica por aspiração, mas sem indicação imediata de intubação; por isso, a conduta inicial correta é oxigênio em alta concentração por máscara não reinalante, com monitorização e vigilância clínica.

Tema central: Afogamento pediátrico inicial
Análise das alternativas
A
Certa
A alternativa A acerta o objetivo terapêutico imediato do caso: corrigir rapidamente a hipóxia causada por lesão pulmonar aspirativa, com alta fração inspirada de oxigênio, enquanto se monitora a evolução respiratória. Os achados clínicos mostram acometimento pulmonar significativo, mas não mostram apneia, rebaixamento do nível de consciência, incapacidade de proteger via aérea, exaustão ou falha ventilatória estabelecida. Nesse cenário, suporte com máscara não reinalante e vigilância estreita é a conduta proporcional e tecnicamente adequada. A radiografia de tórax pode compor a avaliação hospitalar do paciente sintomático, mas o ponto central é que ela não substitui a oxigenoterapia inicial.
B
Errada
Está errada porque intubação orotraqueal preventiva não é indicada apenas pela história de afogamento ou pelo tempo de submersão. O critério para via aérea invasiva é incapacidade de manter oxigenação/ventilação, apneia, rebaixamento importante, fadiga ou incapacidade de proteger a via aérea, o que não foi descrito. A criança está consciente, ventilando espontaneamente e com perfusão preservada; portanto, há escalonamento excessivo e procedimento invasivo sem indicação clínica imediata.
C
Errada
Está errada porque cateter simples a 1 L/min oferece suporte insuficiente para uma criança com SatO2 de 88% em ar ambiente, estertores difusos e sinais de desconforto respiratório após aspiração. O problema imediato é hipoxemia significativa por acometimento pulmonar difuso, que exige suplementação de oxigênio em alta concentração. Além disso, essa apresentação não corresponde a quadro leve passível de observação com suporte mínimo.
D
Errada
Está errada porque ventilação não invasiva não é a conduta inicial obrigatória neste quadro, já que ainda não há critério explícito de escalonamento imediato para suporte pressórico. Além disso, a justificativa da alternativa está tecnicamente incorreta: a VNI não atua por 'reabsorção do líquido aspirado'; seu eventual papel seria melhorar oxigenação e recrutamento alveolar. Diante de criança consciente, respirando espontaneamente e sem falência ventilatória iminente, a primeira medida adequada é oxigênio em alta concentração e monitorização.
Pegadinha da questão
A banca tenta induzir intubação ou VNI pelo impacto da submersão, da espuma oral e dos estertores, mas a decisão inicial depende do estado clínico atual: há hipoxemia importante, porém sem sinais descritos de falência ventilatória iminente ou incapacidade de proteger a via aérea.
Dica para questões semelhantes
  • No afogamento, a primeira decisão é separar hipoxemia com respiração espontânea de falência ventilatória; isso define oxigênio suplementar versus via aérea avançada.
  • SatO2 baixa com estertores e desconforto respiratório exclui oxigênio de baixo fluxo como suporte inicial suficiente.
  • Não indique intubação apenas pela história de submersão; procure rebaixamento, apneia, fadiga, ventilação inadequada ou falha de oxigenação apesar das medidas iniciais.
  • Se houver alternativa com VNI, confirme se ela está realmente indicada e se o mecanismo fisiopatológico apresentado está correto.

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