Até cerca de 8000 a.C., as pessoas viveram como
nômades, sem separar o trabalho das outras instâncias da
vida. Andar de lá para cá, caçando, pescando e coletando
alimentos, como frutas e raízes, era a vida e a vida era
trabalho. Não se trabalhava além do necessário para a
alimentação, já que ninguém pensava em acumular bens e
não era possível armazenar nem transportar excedentes.
Tudo era feito em comunidade. Socialização, trabalho e lazer
formavam um fluxo integrado de atividades, incluindo a
fabricação de armas e ferramentas muito simples. Os
bandos de caçadores e coletores, que tinham de 15 a 20
pessoas, esgotavam os recursos de uma área e moviam-se
para outra, de forma circular, sempre retornando aos
mesmos lugares. O conteúdo lúdico nessas andanças,
embora suposição, é muito provável, a julgar pelo que
ocorre quando hoje as pessoas vão pescar ou fazer trilha.
Esse estilo de vida não está tão longe de nós. Os
nativos brasileiros, quando os portugueses chegaram, viviam
desse jeito. Os caçadores-coletores andavam na natureza,
comiam, conversavam e brincavam, apesar dos riscos
oferecidos pelo terreno, pelos animais e por outros grupos.
Nunca mais a vida da humanidade foi simples assim — e
nem tão divertida, apesar de perigosa.
O trabalho era dividido entre homens e mulheres.
Com a expectativa de vida muito curta, as mulheres
passavam a maior parte dela cuidando da reprodução, o que
prejudicava sua mobilidade e capacidade de participar das
atividades de caça. No entanto, elas eram mais eficientes.
Especializando-se em apanhar frutas e pequenos animais,
que formavam a maior parte da dieta, contribuíam mais
para a sobrevivência do grupo do que a caça de grandes
animais, que era praticada pelos homens. Se os homens de
sua família se organizassem, seriam capazes de caçar
mamutes ou javalis de vez em quando e haveria churrasco.
Nesses bandos, a desigualdade entre os sexos era
decorrente dos papéis. Os homens eram fornecedores da
carne dos grandes animais, representantes nas trocas e
guerreiros nos conflitos com outros grupos. Os mais velhos,
com dificuldades físicas, dedicavam-se a fabricar armas e
ferramentas. O insucesso de um grupo ou família em um dia
não impedia que participasse do que outros haviam
conseguido. A desigualdade tinha muito mais a ver com
biologia do que qualquer outro critério. Não havendo
acumulação de excedentes, não havia classes sociais
baseadas no critério da distribuição da riqueza. O
compartilhamento e a solidariedade eram precondições para
a sobrevivência desses grupos. A diferenciação em classes só
veio a ocorrer quando esses grupos de nômades se
estabilizaram e transformaram-se em agricultores e
moradores de cidades.
(Fonte: Maximiano, Amaru. 2014 — adaptado.)
Uma outra maneira de reescrevermos o trecho: “[...] Com
a expectativa de vida muito curta, as mulheres passavam a
maior parte dela cuidando da reprodução, o que prejudicava
sua mobilidade e capacidade de participar das atividades de
caça. [...]” (3º parágrafo), respeitando-se a lógica textual e as
normas gramaticais, é: